sábado, 24 de dezembro de 2016

CONDENAÇÃO NOSSA DE CADA DIA: UMA VISÃO CRISTÃ-EXPLICATIVA SOBRE A FONTE DE TODO RELACIONAMENTO HUMANO.


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Sempre perguntei-me sobre a razão das mulheres apaixonarem-se mais e os homens menos. 
Por que, diabos, isso acontece?
 
Para quem recebe o amor cheio e completo é demasiadamente positivo, mas para quem recebe só a metade é um verdadeiro inferno.

Isto porque a pessoa que ama demais quer estar com a pessoa amada a todo o tempo, uma vez que reconheceu e encontrou a sua cara metade, a sua alma gêmea no outro.

Já para o que ama de menos, tanto faz corresponder ou não a tal amor; até porque ele ou ela não encontraram a sua cara metade, ainda. Então, para esses, nada de frio na barriga ou sofrimento antecipados, visto que permanecerão insensíveis e agirão conforme as suas carências pessoais e diárias.

Se estiverem bem, viverão tudo o que puderem viver distante da pessoa que o ama. Mas, se estiverem mal, correrão atrás dela para matarem as suas carências pessoais - típico do cafajeste carente que adora muletas e não sabe lidar com as suas faltas.

O problema é que carência não se mata. Estamos todos condenados a vivermos em sociedade e no relacionamento com os outros. Portanto, sempre carentes de algo ou de alguém.

Do pensamento judaico ao universo grego, os homens foram formatados para viverem em grupo e distantes da solidão, ensinou Zygmunt Bauman em seu livro "Aprendendo a pensar a Sociologia".

A solidão, nesta sociedade de espetáculos tecnológicos, nunca foi ou será bem-vinda. Neste caso, chegamos a mais cruel conclusão - estaremos sempre condenados a vivermos dependentes uns dos outros, de modo que, assim, nunca encontraremos paz de espirito frente às relações amorosas-humanas.

E se encontrarmos alguém para convivermos amorosamente, rezemos para que o outro seja a nossa cara metade porque senão oferecerá somente metades de si mesmo.

A Bíblia é um dos livros mais lidos do mundo. Quase todos vão buscar respostas para os seus sofrimentos lá. Conosco não será diferente. Porém, buscaremos saber qual a fonte de todo o relacionamento humano-amoroso na respectiva obra. E, pasmem, se quiserem, é tudo culpa divina. Pois, Deus, disse: "faça-se a luz", mas não contente: criou os homens!

Erro ou acerto? Positivo ou negativo? Inteligência ou estupidez?

E ai começaram as alegrias e as desilusões amorosas - começou o relacionamento inter-humano. De acordo com os relatos bíblicos, Deus criou todas as coisas que há: "natureza, mares, vegetações...". E no meio da sua criação, modelou e depositou um homem. Tempos depois e ao observar que a sua criação era solitária, criou para ele uma mulher.

O primeiro casal chamou-se Adão e eva. Já criados e estabilizados no jardim, seu lar, Deus ofereceu uma dura tarefa ao casal: ""tudo" poderiam fazer; menos comer do fruto do centro do jardim".

Como o primeiro casal da história tinha pouca experiência com erros ou acertos, cederam a tentação da serpente e comeram do fruto que abriram os seus olhos para uma nova vida - uma vida além do Éden, além de Deus, uma vida demasiadamente humana, como ensinou Friedrich Nietzsche.

E ai reside a fonte de todo relacionamento humano - Deus puniu o primeiro casal com dois principais castigos: "o homem viverá do seu suor e a mulher sofrerá dores de parto".

Estes castigos são evidentes. É o momento de aprimorarmos as visões e enxergarmos os castigos ocultos; inclusive o que nos afeta até hoje!!!

Para as mulheres, o castigo foi as dores de parto. Para os homens, foi viver do suor do seu rosto. Neste caso e para o objetivo do texto, cabe discutir as dores do parto e, depois, a ideia do suor do rosto.

Quando Deus castiga a mulher à reprodução e às dores no momento da reprodução, não é meramente esse castigo que está em jogo. Mas, sim, o castigo de se relacionar eternamente com os homens. Pois, parir pressupõe relação inter-humana no geral. E neste caso, Deus não castiga os homens e as mulheres a terem filhos, exclusivamente. Mas, sim, a se relacionarem antes de tudo. 

Esse é o castigo divino - se relacionarem eternamente de modo a não se separarem nunca. Isto mesmo: fomos condenados a estar, amar, odiar e a depender dos outros eternamente, isto é, até a morte!

Deus do céus, o que fizestes!

No entanto e de acordo com a postura religiosa, saber que se é condenado a se relacionar com o outro, não é o suficiente para explicar o porquê as mulheres amam mais do que os homens e, no meio desse percurso, alguns homens amam mais do que as mulheres.

Ao ler o texto atentamente, se perceberá que, após a queda do casal, ambos tiveram de se virar entre eles, a fim de se manterem vivos. O homem caminhou para o espaço público; já a mulher permaneceu no espaço privado. Sendo assim, o homem tem total contato com a brutalidade primitiva, uma vez que precisou sobreviver do suor do seu rosto caçando, matando... etc; enquanto que a mulher "permaneceu" recheada de "sentimentalismo-progesterona", pois precisava permanecer no espaço privado.
 
Portanto, a "justificativa" de que o homem é insensível frente às mulheres deu-se porque ele teve de ir para o campo e a mulher teve de permanecer reclusa no espaço privado.

Em suma, a mulher tem as suas crias e tem de amar, enquanto o homem precisou caçar, matar e "trabalhar". Homem bruto, mulher sensível. Equação estranha para uma modernidade onde homens querem amar e mulheres badalar!

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

CONHECIMENTO, PRA QUÊ?

       



Tenho a oportunidade de ter vários tipos de relacionamentos, com vários tipos de pessoas e com diferentes níveis de escolaridade.


Tenho colegas para o papo descontraído, para o futebol e para os assuntos mais complexos do dia-a-dia.

O fato é que - do assunto mais complexo ao mais chulo - tenho companhia. E, para mim, a companhia vale mais do que qualquer assunto complexo-existencial de "qualidade".

No entanto, também, tenho relacionamentos estranhos - aqueles que só enxergam, diante dos seus olhos, livros, livros e mais livros...

A leveza de simplesmente existir passa longe desses "profundos intelectuais" - embora eu compreenda que não há nada de leve no existir!

Mas, talvez, esteja aí a grande diferença dos intelectuais mais refinados, para os menos refinados.

Os intelectuais da atualidade, que se julgam mais refinados, isolam-se da sociedade, com os argumentos mais sutis de que ninguém os compreenderão. A partir daí, concluem que relacionamento algum é possível. Portanto, fecham-se em seus mundos e privam os demais de os acessarem. Nossa, como é bom ser refinado, não?! Só que não!

Desde que me entendo por leitor em Filosofia, concluo que intelectuais do calibre de Xenófanes de Colofon, Sócrates, Platão, Aristóteles, Epicuro e companhia, entenderam o conhecimento como algo "transferível". Até porque conteúdos transferíveis auxiliarão os demais a encontrarem os seus diferentes caminhos na sociedade.

Deixando de lado as considerações mais sutis sobre as propostas filosóficas, percebo que a Filosofia - para os grandes gênios - serve para se relacionar, trocar, fazer crescer, amplificar a vontade de potência entre outras coisas.

Agora, para os "intelectuais modernos e bobos" - serve para excluir, desconstruir e segregar!

Afinal, para quê serve o conhecimento?

- Segregar, distanciar excluir ou construir, ajuntar, educar e se reunir?

Fique a vontade para responder!

PRECISA-SE DE INGENUIDADE


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Ninguém dá ponto sem nó. Ninguém se relaciona sem querer algo em troca. Ninguém dá algo sem querer receber. Ninguém é verdadeiro por conta da quantidade das máscaras...

E, diante de tudo isso, cabem as perguntas: "Há espaço para a ingenuidade? Inocência? Simplicidade? Sem malícia?


Somos indiferentes à ingenuidade. E, como resultado dela, as relações tornam-se atormentadoras e descartáveis. O poeta estava correto: "o costume causa insensibilidade".