sábado, 24 de dezembro de 2016

CONDENAÇÃO NOSSA DE CADA DIA: UMA VISÃO CRISTÃ-EXPLICATIVA SOBRE A FONTE DE TODO RELACIONAMENTO HUMANO.


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Sempre perguntei-me sobre a razão das mulheres apaixonarem-se mais e os homens menos. 
Por que, diabos, isso acontece?
 
Para quem recebe o amor cheio e completo é demasiadamente positivo, mas para quem recebe só a metade é um verdadeiro inferno.

Isto porque a pessoa que ama demais quer estar com a pessoa amada a todo o tempo, uma vez que reconheceu e encontrou a sua cara metade, a sua alma gêmea no outro.

Já para o que ama de menos, tanto faz corresponder ou não a tal amor; até porque ele ou ela não encontraram a sua cara metade, ainda. Então, para esses, nada de frio na barriga ou sofrimento antecipados, visto que permanecerão insensíveis e agirão conforme as suas carências pessoais e diárias.

Se estiverem bem, viverão tudo o que puderem viver distante da pessoa que o ama. Mas, se estiverem mal, correrão atrás dela para matarem as suas carências pessoais - típico do cafajeste carente que adora muletas e não sabe lidar com as suas faltas.

O problema é que carência não se mata. Estamos todos condenados a vivermos em sociedade e no relacionamento com os outros. Portanto, sempre carentes de algo ou de alguém.

Do pensamento judaico ao universo grego, os homens foram formatados para viverem em grupo e distantes da solidão, ensinou Zygmunt Bauman em seu livro "Aprendendo a pensar a Sociologia".

A solidão, nesta sociedade de espetáculos tecnológicos, nunca foi ou será bem-vinda. Neste caso, chegamos a mais cruel conclusão - estaremos sempre condenados a vivermos dependentes uns dos outros, de modo que, assim, nunca encontraremos paz de espirito frente às relações amorosas-humanas.

E se encontrarmos alguém para convivermos amorosamente, rezemos para que o outro seja a nossa cara metade porque senão oferecerá somente metades de si mesmo.

A Bíblia é um dos livros mais lidos do mundo. Quase todos vão buscar respostas para os seus sofrimentos lá. Conosco não será diferente. Porém, buscaremos saber qual a fonte de todo o relacionamento humano-amoroso na respectiva obra. E, pasmem, se quiserem, é tudo culpa divina. Pois, Deus, disse: "faça-se a luz", mas não contente: criou os homens!

Erro ou acerto? Positivo ou negativo? Inteligência ou estupidez?

E ai começaram as alegrias e as desilusões amorosas - começou o relacionamento inter-humano. De acordo com os relatos bíblicos, Deus criou todas as coisas que há: "natureza, mares, vegetações...". E no meio da sua criação, modelou e depositou um homem. Tempos depois e ao observar que a sua criação era solitária, criou para ele uma mulher.

O primeiro casal chamou-se Adão e eva. Já criados e estabilizados no jardim, seu lar, Deus ofereceu uma dura tarefa ao casal: ""tudo" poderiam fazer; menos comer do fruto do centro do jardim".

Como o primeiro casal da história tinha pouca experiência com erros ou acertos, cederam a tentação da serpente e comeram do fruto que abriram os seus olhos para uma nova vida - uma vida além do Éden, além de Deus, uma vida demasiadamente humana, como ensinou Friedrich Nietzsche.

E ai reside a fonte de todo relacionamento humano - Deus puniu o primeiro casal com dois principais castigos: "o homem viverá do seu suor e a mulher sofrerá dores de parto".

Estes castigos são evidentes. É o momento de aprimorarmos as visões e enxergarmos os castigos ocultos; inclusive o que nos afeta até hoje!!!

Para as mulheres, o castigo foi as dores de parto. Para os homens, foi viver do suor do seu rosto. Neste caso e para o objetivo do texto, cabe discutir as dores do parto e, depois, a ideia do suor do rosto.

Quando Deus castiga a mulher à reprodução e às dores no momento da reprodução, não é meramente esse castigo que está em jogo. Mas, sim, o castigo de se relacionar eternamente com os homens. Pois, parir pressupõe relação inter-humana no geral. E neste caso, Deus não castiga os homens e as mulheres a terem filhos, exclusivamente. Mas, sim, a se relacionarem antes de tudo. 

Esse é o castigo divino - se relacionarem eternamente de modo a não se separarem nunca. Isto mesmo: fomos condenados a estar, amar, odiar e a depender dos outros eternamente, isto é, até a morte!

Deus do céus, o que fizestes!

No entanto e de acordo com a postura religiosa, saber que se é condenado a se relacionar com o outro, não é o suficiente para explicar o porquê as mulheres amam mais do que os homens e, no meio desse percurso, alguns homens amam mais do que as mulheres.

Ao ler o texto atentamente, se perceberá que, após a queda do casal, ambos tiveram de se virar entre eles, a fim de se manterem vivos. O homem caminhou para o espaço público; já a mulher permaneceu no espaço privado. Sendo assim, o homem tem total contato com a brutalidade primitiva, uma vez que precisou sobreviver do suor do seu rosto caçando, matando... etc; enquanto que a mulher "permaneceu" recheada de "sentimentalismo-progesterona", pois precisava permanecer no espaço privado.
 
Portanto, a "justificativa" de que o homem é insensível frente às mulheres deu-se porque ele teve de ir para o campo e a mulher teve de permanecer reclusa no espaço privado.

Em suma, a mulher tem as suas crias e tem de amar, enquanto o homem precisou caçar, matar e "trabalhar". Homem bruto, mulher sensível. Equação estranha para uma modernidade onde homens querem amar e mulheres badalar!

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

CONHECIMENTO, PRA QUÊ?

       



Tenho a oportunidade de ter vários tipos de relacionamentos, com vários tipos de pessoas e com diferentes níveis de escolaridade.


Tenho colegas para o papo descontraído, para o futebol e para os assuntos mais complexos do dia-a-dia.

O fato é que - do assunto mais complexo ao mais chulo - tenho companhia. E, para mim, a companhia vale mais do que qualquer assunto complexo-existencial de "qualidade".

No entanto, também, tenho relacionamentos estranhos - aqueles que só enxergam, diante dos seus olhos, livros, livros e mais livros...

A leveza de simplesmente existir passa longe desses "profundos intelectuais" - embora eu compreenda que não há nada de leve no existir!

Mas, talvez, esteja aí a grande diferença dos intelectuais mais refinados, para os menos refinados.

Os intelectuais da atualidade, que se julgam mais refinados, isolam-se da sociedade, com os argumentos mais sutis de que ninguém os compreenderão. A partir daí, concluem que relacionamento algum é possível. Portanto, fecham-se em seus mundos e privam os demais de os acessarem. Nossa, como é bom ser refinado, não?! Só que não!

Desde que me entendo por leitor em Filosofia, concluo que intelectuais do calibre de Xenófanes de Colofon, Sócrates, Platão, Aristóteles, Epicuro e companhia, entenderam o conhecimento como algo "transferível". Até porque conteúdos transferíveis auxiliarão os demais a encontrarem os seus diferentes caminhos na sociedade.

Deixando de lado as considerações mais sutis sobre as propostas filosóficas, percebo que a Filosofia - para os grandes gênios - serve para se relacionar, trocar, fazer crescer, amplificar a vontade de potência entre outras coisas.

Agora, para os "intelectuais modernos e bobos" - serve para excluir, desconstruir e segregar!

Afinal, para quê serve o conhecimento?

- Segregar, distanciar excluir ou construir, ajuntar, educar e se reunir?

Fique a vontade para responder!

PRECISA-SE DE INGENUIDADE


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Ninguém dá ponto sem nó. Ninguém se relaciona sem querer algo em troca. Ninguém dá algo sem querer receber. Ninguém é verdadeiro por conta da quantidade das máscaras...

E, diante de tudo isso, cabem as perguntas: "Há espaço para a ingenuidade? Inocência? Simplicidade? Sem malícia?


Somos indiferentes à ingenuidade. E, como resultado dela, as relações tornam-se atormentadoras e descartáveis. O poeta estava correto: "o costume causa insensibilidade".

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

A ARTE POLÍTICA EM MR. ROBOT.

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Tanto o Socialismo, quanto o Comunismo balançaram as estruturas capitalistas de poder. Mas, só isso, dado que usaram apenas as cabeças pensantes e um punhado de grevistas como base.

Entretanto, tais balanços não foram suficientes para provocarem uma queda nas devidas instituições de poder que, por sinal, tendem ao lucro e à continuação da desigualdade social entre os homens.

Para derrubar o Capitalismo, tal como enxergamos na série Mr. Robot, é necessário inverter a arte política de combate, isto é, é necessário jogar como os donos do poder jogam - sujando as mãos! Caso contrário, nenhuma estrutura mudará e nenhuma desigualdade social acabará. Sendo assim, deve-se ceder aos pedidos de Mr. Robot e investir em outros instrumentos de batalha, em outros tipos de greve e noutras posturas frente a mão invisível do capital.

Portanto...
Deve-se investir em armas que possam implodir e não explodir. 
Deve-se recorrer ao mundo das programações, não dos cartazes pobres de rua. 
Deve-se combater com inteligência, não com megafone medíocre. 
Deve-se combater no tete-a-tete, não no roda pé simplista de uma tira de jornal barato.

No entanto e após tais batalhas, surgem as perguntas para nós, os comunistas: "quem depositar no lugar do capitalista? Quais critérios de seleção para tal? Em quais naturezas humanas apostar? Onde iremos encontrar humanos íntegros? E, dependendo de quem encontrarmos, teremos a plena certeza de que não será como na "Revolução dos bichos"?

sexta-feira, 20 de maio de 2016

CINEMA E FILOSOFIA: SANTO AGOSTINHO CONTRA AS PAIXÕES.


                  

Favelas. Traficantes num confronto sanguinolento pelo poder. Tiros de fuzil que cortam as noites como se fossem fogos de artifícios. Balas perdidas e inocentes mortos sem, ao menos, saberem qual a razão de serem assassinados. 

E é esse o atual retrato de grande parte do Brasil da atualidade. O fato é que confrontos como esses, relatados acima, são tidos como comuns, para a maior parte da população brasileira. E, pelo simples fato de serem comuns, eles não nos espantam mais, não nos machucam mais e, por isso, não nos motivam mais a buscar mudanças - para si e para os outros.

O costume é um monstro que não nos amedronta mais. Entende-se por costume ações praticadas e reiteradas por tanto tempo que sequer nos deixam respirar com tranquilidade. Por isso, devemos dizer - e de passagem - que o costume é um veneno que, sem vermos, mata-nos lentamente. 

Por conta desse monstro, alguns indivíduos não "respiram" mais, espantam-se mais e assombram-se mais com a vida social atual, dado que não veem sequer uma pequena fresta, diante dos seus narizes, de mudança. Desse modo, são obrigados a permanecem quietos, paralisados e amordaçados. 

Em contrapartida a esse modo de perceber a realidade atual, existem pessoas que se encorajam e se arriscam em meio às tentativas de demonstrar, para os outros, o que eles não conseguem mais ver. Pois, estão submersos numa piscina larga e profunda onde cada indivíduo luta pela sua própria subsistência. 

Pensando nisso, o cineasta Damian Szifron rompe com o Monstro do Costume cotidiano em seu filme Relatos Selvagens e nos indica um remédio para acordarmos de uma cegueira profunda onde não se mensura nenhum ponto de luz. 

Em seu filme – já mencionado – demonstra-nos alguns casos com fortes semelhanças com o nosso cotidiano brasileiro e que nos incita a refletir sobre as nossas próprias relações com os outros. 

Dentre os causos demonstrados pelo cineasta, está o de Gabriel Pasternak que, frustrado com a sua história de vida atrelada à de diversas outras pessoas, as convida, de modo oculto e calculista, a um passeio de avião. Assim e em meio às tranquilas e gratuitas poltronas do avião, uma das personagens do filme dedicava-se à leitura da sua revista de moda, enquanto outras permaneciam caladas e com os seus fones de ouvido - típico do mundo moderno! 

Nesse meio tempo e entre tantas personagens, o nome Gabriel Pasternak tocou, em alto e bom tom, o teto do avião que estava prestes a decolar. Era certo que o nome de Pasternak comoveria a todos no momento oportuno, uma vez que os mesmos, no Avião, tinham uma relação de proximidade com o musico clássico. 

O que todos não sabiam é que foram convidados, por Pasternak, para um voo só de ida - a professora da escola, o crítico de música, a ex-noiva, o psiquiatra, bem como todos os outros. 

O grande problema é que toda a tripulação do avião teve consciência da proposta de Pasternak tardiamente; isto é, só quando o avião já estava planando sobre as bolsas de ar. Tarde demais – sentiram os tripulantes. Como dito, todos descobriram tarde e isso foi o suficiente para que os planos de Pasternak se efetivassem. E o mesmo concretizou-se com a derrubada do avião na residência dos seus próprios pais – talvez, seja essa a interpretação que se chega! 

Mediante a esses relatos de brutalidade, criminalidade e intolerância por parte das cidades do Brasil, bem como das atitudes de Gabriel Pasternak, as perguntas que devemos fazer são: "em qual esquina do mundo, a discussão do que seja justo ou injusto perdeu-se? Em qual parada de trem ficou a questão do mal? Aliás, essas "infrações", que aliviam as crises existenciais de alguns indivíduos, são justas ou injustas para com outros? Em contrapartida à questão da justiça, a problemática do mal deve ser fundamentalmente levada em consideração! Por isso, interroga-se: "o que é o mal? Em se tratando de responder o que é o mal, também vale a questão: qual a extensão dá má atitude frente ao próximo?”. 

Para responder a questão do mal do ponto de vista conceitual e de como esse conceito estende-se às nossas ações, nos fundamentaremos em Santo Agostinho – pensador da Patrística; sobretudo em sua obra Confissões. Pois, a definição de Agostinho sobre o mal "responderá" tanto a questão do mal no Brasil, bem como as ações de Pasternak no filme Relatos Selvagens

De acordo com Santo Agostinho, Deus criou todas as coisas boas. Portanto, tudo o que há - árvores, céu, terra, cavalos, mulheres e homens. O problema é que se Deus criou tudo o que há – por exemplo, homens, mulheres... – seria ele responsável por criar o mal, dado que o mesmo é inevitável nas ações de suas criaturas? 

Agostinho passa, então, a lidar com um problema delicado, posto que se Deus criou tudo o que há é impossível retirar o mal, propriamente, de Deus. O filósofo, assim, atem-se ao homem e descobre que o problema do mal não está em Deus. Mas, exclusivamente, em sua criação. 

Agostinho, portanto, tem de solapar o Maniqueísmo - doutrina persa que ensinava que existem duas forças eternas em conflito: o bem e o mal – para responder o problema e livrar Deus de toda e qualquer culpa! 

No livro As Confissões, o teólogo escreve que o homem é um ser dotado de Vontade e de Razão. Pois, deste modo, Deus deu vida às suas criaturas. E é aí que reside todo o problema do mal, posto que o ser humano – movido por suas paixões – entrega-se demasiadamente às suas vontades, quando na verdade, deveria, no momento oportuno, as frear. 

Mesmo sendo um ser racional, o ser humano não consegue reprimir o que lhe é inerente – no caso, a sua vontade. Portanto, age e pratica o mal. Não é à toa que Agostinho confessa:
Procurei o que era a maldade e não encontrei uma substância, mas sim uma perversão da vontade desviada da substância suprema – de vós, ó Deus – e tendendo para as coisas baixas: vontade que derrama as suas entranhas e se levanta com intumescência (AGOSTINHO, 1999, p. 190).

De acordo com o fragmento citado, o conceito de mal pode ser estabelecido de modo que o homem não se entrega completamente a Deus. Mas, às suas paixões terrenas – que são, quase que inevitáveis. Portanto, o mal – de acordo com Agostinho – é o afastamento de Deus e o reconhecimento e entrega à vontade.

Assim, Agostinho oferece uma possível resposta para o problema da brutalidade no Brasil, bem como para as ações de Gabriel Pasternak. Conclui-se que, na perspectiva de Santo Agostinho, é e será necessário retornarmos à Deus. Todos. E largarmos as nossas paixões particulares. Talvez, assim, o problema do mal seja solucionado.


BIBLIOGRAFIA.

AGOSTINHO, Santo. Confissões. Trad. Por J. oliveira Santos. São Paulo: Nova Cultura, 1999.





























segunda-feira, 21 de março de 2016

P.S: VOLTA PRA MIM?


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Era madrugada de domingo e na segunda eu ainda tinha de trabalhar. Mas, só de pensar que você ia sorrir diferente pra mim eu esquecia do meu emprego. 
Era o seu aniversário na segunda-feira e, como de costume, não queria deixá-lo passar em branco. Por isso, lá eu estava, pendurado, enfrente à sua janela, pronto para estender uma faixa de "feliz aniversário, meu amor" pra quando você acordasse.
Sei que eu não estava pendurando meramente uma faixa. Estava pendurando um novo sorriso em você. 
Essa não foi a única vez que fiz cafonices pelo seu amor. Não me importo se serei ou não cafona. Sou pra te amar melhor. E não ligo se os meus amigos vão me zoar!
Você sabe que não foi a primeira vez que fiz loucuras de amor por ti. Lembra-se quando me fingi de mendigo só para ver a sua reação ao pegar o buque de rosas enfrente à faculdade?
As suas amigas, quando viram, não paravam de perguntar quem era o admirador. Mas, você, na tentativa de respondê-las educadamente, tomou rapidamente o cartão e, infelizmente, nele só constava: "romântico anônimo".
As meninas não entenderam e começaram a rir. Eu, porém, percebi que o frio em sua barriga te lembrou das minhas mãos tocando as suas curvas. Dizem que é necessário cautela pra dirigir em curvas. Em você não me preocupo. Na verdade, eu prefiro bater mesmo. E se eu morresse já poderiam enterrar-me! Pois, morreria feliz por estar com você.
Enterrar lembra-me beijo, não morte. 
Lembra-se como eu enterrava os meus beijos em você? Eu te beijava na testa, na boca e na bochecha todas às vezes que te encontrava. Aquele gesto era sagrado pra nós e ninguém entendia nada! Tenho consciência de que o romântico presta um papel de ridículo pra amar. Mas, eu não saberia ser diferente ao te amar. Sou ridículo mesmo. Sou por você!
Por te amar tanto, esse é o meu bilhete em forma de presente de aniversário; mesmo consciente de que você rompeu nosso relacionamento por eu te amar demais. Não sabia que eu estava sendo possessivo. Afinal, quem ama sem limites é analfabeto pra essas coisas...

P.S: Volta pra mim? Prometo não ser mais pegajoso. Por você eu faço tudo. Até me anulo. Pois, não quero ter razão. Quero ter você. E se correr atrás de você é perder tempo, quê seja, quero perder!!!

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

UM DESABAFO CONTRA AQUELES QUE OUVEM SOM NO ÚLTIMO VOLUME.


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Aquele que escuta som no último volume é feliz sozinho. Noutras palavras, é um egoísta descompromissado com a vida do próximo. A sua felicidade é do tamanho do seu egoísmo. Até porque quem tem tal atitude não se preocupa se o próximo está doente, com dor de ouvido, dor de cabeça... ou até mesmo estudando.

A atitude de ouvir o som no último volume não mostra apenas uma boa doze de egoismo. Mas, também, uma grande parcela de falta de educação - ou os pais falharam no ato de educar ou o filho não deu a mínima atenção para tal esforço. Educar requer esforço e suor.

O conceito de educação mais simples diz respeito ao processo de formação transmitidos pela Família, Estado e Escola. No entanto, a educação é sempre uma via de mão dupla. Por isso, se o indivíduo - responsável pelos seus atos - não quiser tal educação, ninguém pode educá-lo. Muito menos a sua família... Portanto, e que a verdade seja dita, sem sempre ela tem culpa.

Por conta disso, surgem os conflitos sociais entre os conterrâneos e tais desentendimentos convidavam os policiais para a solução de problemas simples. Isso desnecessariamente, visto que uma simples doze de bom senso seria o suficiente para a solução de conflitos interpessoais.

Entretanto, muitos não sabem o que tal expressão significa. Eis o momento de explicar. Bom senso significa: "a utilização da razão para a resolução de problemas sociais ou não". E no caso da música no último volume, o bom senso serve para enxergamos o outro como a nós mesmos e reconhecer que tal felicidade exagerada pode prejudicar - em diversos momentos e situações, o outro.

A discussão sobre fazer uso do bom senso não é em vão, posto que a utilização do mesmo inibe a violência entre os homens que, por sua vez, estão extremamente violentos. Não é a toa que vizinhos se matam por conta de som alto, agitação no trânsito paulistano ou até mesmo porque não usam fone de ouvido dentro de um ônibus. Todos esses desentendimentos entre os homens invocam um único sentimento - A INTOLERÂNCIA. E a cada dia os homens estão sofrendo desse mal.

Para não provocar o sentimento de intolerância, no próximo, que tal diminuir o volume do som do seu carro, do som do seu apartamento, do som da sua festa ou até mesmo do seu celular? Bom senso não faz mal a ninguém - ensinaram os adultos a mais tempo. Seja educado, educada. O próximo a ser incomodado pode ser você!!!

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

O HOMOSSEXUAL SUICIDA.

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DEUS: nunca preencherá todos os nossos espaços, as nossas lacunas, os nossos medos, os nossos amores... porque ele compreende que existem territórios que são para homens e não para Deuses.


Óleo e Água são como a Igreja e os Gays: não se abraçam nunca. O relacionamento não é palco pra eles. É sobre essa ausência de abraço; sobre essa tristeza; sobre essa ausência de relacionamento entre ambos que escreverei. E o mais incrível:isso não é novidade pra ninguém! O conflito entre esses opostos será palco pra nos deleitarmos e aprendermos sobre o diferente.

No entanto, esse texto não será escrito de modo frio, mas vivo. Escreverei sobre lembrança. Ela é lugar de (re)visita. Vou (re)visitá-la, agora. E peço que você, caro leitor, venha comigo. Por favor, não traga os pre-conceitos na sua mochila existencial, dado que não será necessário. São só lembranças abraçadas a conclusões que nos possibilitarão repensar as nossas opiniões e posturas frente ao outro, ao próximo e ao oprimido.

Já vivenciei muitas experiências na Igreja, cristã. Algumas alegres, outras tristes. Algumas pesadas, outras leves. Mas, uma, em especial, nunca me saiu da cabeça: a experiência de saber que um homossexual tentou suicídio por Deus não curá-lo de sua vocação homossexual.

Ao ter contato com a história dele, fiquei decepcionado... Talvez devastado seria uma palavra melhor pra expor os meus sentimentos naqueles dias. Pois, prometeram uma cura impossível a ele. E é sobre ele que chorarei agora, dado que uma história como essa é digna de choro e não de felicidade ou aplausos.

Estávamos num jantar, cristão. E, grande parte dos jantares cristãos, são regados ao molho do testemunho. Todos nós contamos os nossos principais testemunhos de vida até chegarmos à Igreja, a Deus! Um testemunho após o outro e lá estava ele... pronto a narrar as suas fragilidades. E nós, éramos todo ouvido - prontos a tocarmos, com o que tínhamos e podíamos, a sua dor, as suas delicadezas, as suas frustrações!

E foi assim que descobrimos que ele estava com quarenta e quatro anos de idade, àquela altura. Mas, desde cedo, descobriu a sua vocação para amar o mesmo sexo: ele gostava de garotos. Porém, desde a sua infância, não sabia lidar com tal desejo. Tinha vergonha! Por isso, sempre tentou esconder de todos tal sentimento, tal apelo de sua própria carne. Para aniquilá-la de uma vez por todas, entregou-se à Igreja cristã com o objetivo de encontrar um antídoto para a sua dor, para si mesmo. Ele entrou a uma caverna escura e fria achando que era o céu!

Nos primeiros dias enquanto convertido ao cristianismo, tudo foi conforto, pois ele pensou encontrar o remédio. Nas semanas seguintes, todo o sentimento de homossexualidade estava camuflado, cercado e reprimido. Assim, ele "sentiu-se" curado. E com esse sentimento repousando sobre o seu colo, ele seguiu com a sua vida.

Ao decorrer dos tempos, tudo estava indo bem, pois ninguém o perturbava. Dizem que "tudo o que é bom, dura pouco", assim foi com ele quando vieram os comentários cristãos: "esse rapaz não vai se casar. Já está em idade avançada, não?".

Jogaram um balde de água gélida nele. Pois, passar a vida sem um relacionamento "normal" era fácil, mas com imposições por parte dos irmãos, era pedreira!

Comentário após comentário e a sua caixinha existencial ia se enchendo. Chegou um momento em que ele já não sabia mais o que fazer e, por isso, explodiu, visto que não sabia esconder que não tinha inclinações para meninas. Para ele, o beijo delas não tinha sabor ainda que experimentasse!

Diante de tudo isso, qual decisão ele deveria tomar?

Sair da Igreja não poderia, pois os sentimentos reprimidos viriam à tona com força e o sentimento de que Deus podia o castigar por sua vocação sexual, era presente. Continuar e aceitar a namorar - por aparência - a uma mulher também não seria possível, haja vista que não tinha inclinação natural para tal. Sim... ele estava num dilema... numa profunda crise de existência.

Diante de toda essa crise, ele só enxergava uma saída. E ela estava no colo da morte. Não tinha outra escolha. Se ele corresse, o bicho pegava. Se ficasse, o bicho comia. E foi assim que ele resolveu escrever uma carta de adeus à sua mãe explicando tudo o que estava escondido em seu ser, tudo o que estava o matando a lentos golpes de facão.

Ele não queria mais sentir a dor do dilema!

Após ele narrar os versos escondidos na carta de sua futura morte, a sala de jantar estava pálida, calada e, por alguns segundos, tudo pareceu escuro. Ninguém sabia o que fazer, o que falar ou qual conselho dar.

O que iríamos dizer... Pois, Deus dará a vitória? Que Deus cura todos os males? Que preenche todos os espaços? Que Deus age silenciosamente? Que há um propósito para todas as coisas debaixo do céu? Que ele deveria jejuar com mais vigor?...

Determinados clichés são ultrapassados e não servem mais. E foi naquela sala de jantar que compreendi que há momentos em que o silêncio é a alma do negócio para as relações inter-humanas. Ele fala mais do que a gente. E naquele momento ele sussurrou que todo argumento angelical foi esgotado!

Enquanto permanecemos em silêncio, ele resolveu confidenciar-nos qual o conteúdo da carta. O silêncio da sala de jantar fazia barulho. Mas, o seu pedido a Deus e o seu desabafo a nós, fez ainda eco: "apos todo esse tempo de jejum, oração e devoção... pra quê? Pra nada? Por que Deus não me curou?".

Após o término da pergunta, alguns cristãos começaram a chorar, enquanto outros não sabiam onde a cabeça colocar. Ninguém tinha respostas prontas. O silêncio era o colo onde todos nós estávamos confortáveis. Mas, desse colo, o homossexual, tirou-nos, pois ao termino do testemunho, ele trouxe a boa nova: "aprendi a aceitar-me, haja vista que Jesus entende mais de gente do que a gente".

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

BOM DIA, PASTOR!

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Era domingo de manhã. Mas, eu só conseguia pensar na parte da noite. Na minha adolescência cristã, os domingos atraiam-me mais do que qualquer outra coisa. Até o futebol, tão sagrado, perdia espaço para a Igreja. Nada tinha mais valor do que ela. A igreja era território sagrado. Lugar de tirar as sandálias.

Quando o relógio badalava às seis e meia da noite de domingo, os meus joelhos dobravam-se como ritual numa das cadeiras da Igreja. Lá, era o meu canto. Ali, era o meu refúgio. Nela, reduzido a joelhos, sentia-me confortável. Sentia-me no meu céu terreno. Quando me levantava era porquê os louvores estavam tocando os nossos corações e a liturgia de domingo estava prestes a iniciar.

Quando o primeiro louvor dava as caras, já era sinal de portas abertas. Deus abria a sua porta através da palavra cantada e sentava entre nós para ouvir os nossos corações... O louvor, a palavra cantada, faz Deus sentar-se entre nós: entre os perdidos, os moribundos, os sujos, entre os maltrapilhos... E, pra quê? Pra se sujar!

Enquanto os louvores faziam as lágrimas rolarem nos rostos simples, eu sentia que Deus sujava-se. Não existe outro modo de Deus nos limpar senão pela sujeira. Foi assim que conclui que Deus é uma faxineira sem vergonha! Pra que vergonha? Vergonha é sentimento que Deus não habita. Vergonha é sensação pra homens. Deus é além-tudo!

O fim do terceiro louvor anunciava que a palavra de Deus, através dos homens, estava por começar. E, entre uma oferta e outra de graça, as informações semanais eram divulgadas. Nesses momentos, sabíamos de toda a programação da igreja para o futuro da semana. Sabendo disso, já anotávamos em nossos "caderninhos teológicos".

Sempre cooperei muito com as tarefas da igreja, pois achava que, através do serviço, Deus podia habitar em mim. E foi em meio aos momentos das ofertas que o pastor titular da Igreja, alertou: "quem pode vir limpar a Igreja amanhã para que ela fique limpa para o resto da semana?".

Sem pestanejar, dois amigos e eu nos dispomos. Porém, como a igreja era grande demais, ele insistiu com o alerta: "apenas três jovens não darão conta do recado. É necessário mais". Após alguns segundos, lá estavam disponíveis mais algumas pessoas e, assim, o quadro de colaboradores estava completo. Após algumas recomendações pastoris, iniciou-se a ministração da palavra.

Com essa mistura de lembranças, recordo-me do poeta Rubem Alves quando afirmou: "a palavra é a casa de Deus". E foi assim que entendi que sou morada de Deus, pois sou palavra. Todos somos. Todos somos habitações onde o divino faz-se vivo. E o divino, naquele culto, pairou sobre o templo através das palavras. Mas, sentou-se ao nosso lado como criança brincando de balanço. O verbo não se fez carne naquele dia. Fez-se balanço. Deus estava feliz e se balançando conosco.

A ministração foi cheia de Deus. Por isso, elas encheram-se de Deus. Ao saírem da igreja, foram para as suas casas, recheadas de Deus. No caminho, cada passo lembrava o culto, lembrava a Deus... Mas, para quê? Para se esvaziarem Dele, no outro dia, devido a uma simples ausência de: "bom dia"!

Na segunda-feira todos os compromissados chegaram no horário. Porém, o pastor não estava lá. Ele chegou bem depois. E quando chegou, passou pela porta, cruzou a nave da igreja e não deu sequer um bom dia a ninguém!

Meus colegas e eu nos olhamos e apenas balançamos os ombros como que dizendo: "ele está num dia mal". Porém, tais ações se repetiram por algumas vezes. E foi assim que descobrimos que ele tinha mania de grandeza, uma vez que nos cultos ele se fazia humilde e servo, mas, na vida comum, fazia-se grande e orgulhoso!

Ao longo da minha pouca vida cristã, percebo que discurso e prática não são retratos de beleza para pastores habitarem. Os seus retratos cabem apenas em museus como o Louvre. Pois, não amam ser pendurados em qualquer parede. Diferentes de Cristo que cabem em qualquer espaço-parede.

domingo, 3 de janeiro de 2016

COLO DE MÃE É SAGRADO!

                                    
Há lembranças que nunca irão morrer, uma vez que, de um jeito ou de outro, as nutrimos sempre! Há memórias que ficarão presas - como um quadro - na parede de cada existência por muito tempo. Hoje, porém, pretendo retirar a cortina de diante da minha existência e expor parte do quadro da minha vida.

Chega de poeira. É hora de limpar os pés. É hora de tirar as sandálias. Pois, colo de mãe é sagrado. É, pois, para ela que tiro as minhas sandálias. É pra ela que me curvo em forma de respeito. Mãe, permita-me? Pois, após muito tempo, abro o meu baú existencial pra escancarar uma das minhas maiores vergonhas - o preconceito e a intolerância enquanto filho!

Lembro-me de muitas coisas em minha infância conturbada. Inclusive de quando alguns amigos feriam-se. Quando tais acidentes ocorriam, as suas mães logo corriam para fazer os devidos curativos para estancar o sangue e não inflamar os ferimentos. Com tais atitudes as mães não curavam somente os machucados, mas, através do cuidado, faziam cafuné. Fazer curativo é um jeito de fazer carinho.

Todo esse carinho perturbava-me, haja vista que a minha mãe não me fazia cafuné desse modo. Por conta disso, a grama do meu coleguinha sempre era mais verde! Engano bobo... Pois, eu não tinha maturidade o suficiente para entender os diferentes cuidados. A vida é um jeito de cuidar e a minha mãe cuidava de mim de outro jeito. Ela oferecia-me outro tipo de colo. Um que era só seu. E o único que podia ofertar, dado a sua história de vida sofrida...

Quando machucava-me no amor, minha mãe mandava jogar os búzios. Quando perdia o emprego, minha mãe corria para o colo dos búzios. Quando ela estava com o coração apertado por algum problema existencial, mandava jogar os búzios. Os búzios faziam - e fazem - parte da vida dela e, por efeito, da dos seus filhos. Minha mãe sempre foi do candomblé. Eu sempre fui da Igreja. E você, caro leitor, já deve ter compreendido onde tudo isso terminou. E não foi em pizza. Mas, em feridas!

Num momento de minha história cristã, alertei a minha mãe que eu tinha vergonha da sua religião. De sua macumba. Por conta dessa afirmação, minha mãe ficou decepcionada, comigo. Ficou desolada e desencantada! Por isso, ficou sem conversar comigo, como mãe, por um tempo. Tempos depois, ela retornou... E, desde então, nunca mais esqueci a sua resposta ao retornar: meu filho, você ainda é muito novo para entender a vida, para entender a religião. A vida é sagrada. E do sagrado você ainda não entende. Quando jogo os búzios, não quero te ofender. Apenas quero cuidar de vocês. Muitas mães cuidam dos seus filhos aqui e agora. Sou tão preocupada que quero cuidar de você no futuro. Porque no aqui e no agora, vocês têm possibilidades. O candomblé só é mais um jeito de eu te dar colo, carinho. Um colo espiritual. Um colo do futuro... Porém, só no futuro você entenderá que cada mãe tem um jeito de cuidar!

E foi assim que entendi que a minha mãe ensinou-me duas coisas para toda a minha vida: a ser tolerante com a religião do outro e a ser educado. O grande problema foi que não aprendi isso na igreja. Nela, aprendi a ser intolerante, mal educado... Minha mãe, com o seu jeito de educar, foi e é mais parecida com um pastor do que os pastores com Cristo. Vai entender... O fato é que entendi. Entendi que cada mãe tem um colo sagrado e diferente para ofertar.