terça-feira, 3 de novembro de 2015

TRÊS MÁSCARAS

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Para aprender sobre os homens - e as suas máscaras - é preciso ir além do diálogo, dos livros e do que é simplesmente aparente. É necessário observá-los a partir dos sapatos de algodão. Sem barulho, sem alardes e sem o face-a-face. No face-a-face, os homens não se mostram, não se revelam e não dizem a verdade, visto que é a mentira que torna o convívio social mais suportável.

Com óculos de desconfiança observo os homens. Aprecio-os sem que me vejam, me ouçam ou me sintam por perto, haja vista que, assim, não poderão se esconder e representar um papel social mais convincente.

Os homens têm algumas atitudes suspeitas. Por isso, lembrarei três das quais vejo e sinto uma incompatibilidade entre discurso e prática. Essa contradição humana é reveladora, haja vista que sinaliza a "natureza" das pessoas que nos relacionamos ou nos relacionaremos. Seja no presente ou no futuro, os homens usarão máscaras sociais - para se proteger, machucar ou conquistar algum objetivo.

Pensando nesse quadro, compartilho uma experiência de vida particular. Isso para demonstrar as máscaras sociais que observo, "na calada". Num dia comum estava exercitando-me num parque da cidade, quando ouvi: "cara, tenho muita gordura, estou doando para quem quiser".

É claro que eu poderia entender essa oferta como uma simples brincadeira entre colegas, certo? Errado, pois os homens amam doar o que não serve mais e fingem que não! Quando os homens doam bens materiais, por exemplo, dão só o pior, o acabado, o quebrado, o velho, o lixo. Concorda? Não? Não é verdade? É mera questão de opinião? O que serve para mim, de repente, não serve para você? Tudo é relativo?

Que tal pensarmos, então, nas doações de roupas? As pessoas doam roupas novas ou usadas? Mais novas ou mais usadas? No que diz respeito às campanhas de agasalhos, os homens doam sempre o que não querem mais. Não é a toa que sempre quem promove determinada campanha social tem de alertar: "doem roupas novas e não velhas".

Não muito diferente dessa atitude, estão os problemas de relacionamento entre namorados, "ficantes fixos" ou casados. No início de todo relacionamento, tudo é frio na barriga, uma delícia, uma maravilha e uma potência excessiva de prazer. Com o passar do tempo, a relação desgasta-se dando lugar à raiva e ao desprezo mútuo por conta de problemas diversos. E é nesse momento, quando o casal percebe que a relação está no fim, surgem as "promessas românticas futuristas". 

Os homens amam prometer, agir e projetar uma relação mais agradável, amável e sonhadora, quando tudo está desmoronando, definhando e finalizando. Atitude estranha, não? Tais atitudes humanas não são invenções. Elas são encontradas e confirmadas no tecido da realidade, da sociedade. Nela, percebemos que os homens amam doar o que não presta e amam, também, agir - quando a relação está nos últimos batimentos - encantadoramente ou como nunca dantes! 

Por que gostamos tanto de perder tempo com aparências?

A terceira atitude humana mais insana é o preconceito contra o próximo - seja como for. Já escrevi, noutro momento, sobre o preconceito em meu blog. Tal texto, intitulei de: "O Preconceito a partir de Alice no País das Maravilhas". Por isso, não escreverei, aqui, além do que é necessário sobre essa atitude humana desagradável, repugnante e insana, uma vez que o preconceituoso tem somente um objetivo: "negar direitos civis sem nenhuma fundamentação ou legalidade". Enfim, o preconceituoso mata na mesma intensidade que a rainha cabeçuda, grita: "cortem as cabeças".

Doar o que não presta, agir encantadoramente nos últimos batimentos e ser preconceituoso moldam uma mascara que só serve ao ser humano. O problema é que eles usam, mas insistem em afirmar que não. Assim, cabe a pergunta: como confiar nos seres que dissimulam a todo o tempo?