quarta-feira, 7 de outubro de 2015

QUAL O TAMANHO DA DOR DE UM SUICIDA?

Não existe nada de terrível na vida para quem está perfeitamente convencido de que não há nada de terrível em deixar de viver - Epicuro, Carta sobre a Felicidade.

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As perguntas: "por que viver, ao invés de morrer e por que morrer, ao invés de viver, eram frequentes em minha adolescência, conturbada. Nesse período, a vontade de suicídio manifestava-se com mais força sobre a reduzida vontade de viver. Em meio ao caos existencial daqueles tempos - pouco tinha sentido para viver.

Quando jovem, mal sabia lidar com esse forte apelo ao suicídio; também não o comunicava a ninguém, dado o tamanho da minha vergonha. Após algum tempo e por acumular experiências importantes no tecido da vida, esse sentimento foi sendo martelado e perdendo força de modo a alcançar o status de dormência.

Com o passar dos tempos, descobri, em mim, uma vontade louca de entender a vontade de suicídio. Por isso, pus-me a investigar livros, artigos, filmes, documentários, pessoas e até a mim mesmo. Nesse tempo, encontrei poucas respostas, tendo em vista a quantidades de perguntas. Dentre as tantas, uma sempre esteve em minha cabeça: "qual o tamanho da dor de um suicida?". 

Porém, outras perguntas vivem esparramadas pela minha sala existencial: por quê e para quê se suicidar? Qual a intencionalidade do suicídio? O que quer aquele que pretende a morte de si mesmo? Algo ou nada? Como, aquele que fica para trás, deve lidar com a morte do próximo, do ente querido? O que quer demonstrar aquele que se suicida? Por que viver é mais agradável do morrer? Por que achamos mais dignos aqueles que vivem, ao invés daqueles que morrem? Quem transmitiu esse sentimentos aos homens? Com quais intencionalidades? ...

Para responder a todas essas perguntas, certamente, seria necessário duas ou três vidas, ao invés de uma só. Além do mais, seria preciso uma investigação profunda e ininterrupta acerca de alguns universos particulares. Como não temos três vidas, seremos diretos: uma boa dose de dor e sofrimento são o suficiente para surgir a inclinação ao suicídio. Muitos suicidas cometem tais atos por desilusão - seja amorosa, conjugal, trabalhista, empresarial ou por bullying.

Por conta de tais sofrimentos, pessoas rendem-se aos braços da destruição pessoal em busca - não da morte de si mesmo - mas do alívio existencial. Portanto, a morte é um alívio para uma existência conturbada.

Se tal atitude é correta ou não; se é pecado ou não; se, quem cometeu tal atitude, vai para o inferno ou não; se Deus vai julgar o suicida ou não... não cabe a nós - os que ficaram. Só poderíamos julgar a essas pessoas quando tivermos a capacidade de compreendermos o tamanho das suas dores. E, para isso, somos incapazes, posto que não enxergamos o mendigo esparramado sobre a calçada, quanto mais... compreender a dor de um suicida.

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