terça-feira, 13 de outubro de 2015

O DESLIZE DE SÓCRATES.

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Platão é o fundador da Filosofia Antiga. Conquistou esse adjetivo porquê foi o primeiro filósofo a pensar a filosofia de modo metodológico - ele criou a Dialética. Esse modelo de pensamento era inexistente até então, mesmo porque a preocupação dos filósofos, anteriores a Sócrates, destinava-se à natureza. Portanto, filósofos engajados com os problemas naturais que, outrora, eram explicados pela Mitologia Grega.

A Dialética de Platão é um modelo de pensamento cujas perguntas e respostas visavam alguns objetivos: "fazer o interlocutor amadurecer intelectualmente, politicamente e/ ou moralmente com vistas à verdade para o uso social". A sede de Sócrates pela verdade foi a grande responsável pelo seu "suicídio", defendia o filósofo Alemão, Friedrich Nietzsche, em Crepúsculo dos Ídolos.

Uma das mais famosas obras de Platão é a Apologia de Sócrates. Nela, o filósofo explica os problemas que Sócrates enfrentou perante o tribunal político de seu tempo. Devido o uso excessivo de seu método dialético - para ensinar a juventude ateniense a buscar a verdade - acabou sendo acusado, sentenciado e morto por não acreditar nos Deuses do seu Estado, bem como por corromper a juventude que estava, por sinal, dando muito trabalho aos líderes, Meleto e Anito.

Esses líderes foram os responsáveis por caluniar a Sócrates. Ele, por sua vez, defendeu-se com inteligência, rigor e lógica. Contra a acusação de que corrompia a juventude, Sócrates discursou: "corromper é fazer o mal. Fazer o mal afasta as pessoas. Os jovens, pelo contrário, não se afastaram; mas, se aproximaram de modo a tornarem-se melhores intelectualmente".

Contra a acusação de que o filósofo não acreditava nos Deuses da cidade, Sócrates valorizou os ensinamentos do Oráculo de Delfos que afirmava que ele era o homem mais sábio da cidade. Sócrates valorizou o Deus. Por isso, venceu.

Ao decorrer da Apologia, é notório perceber que Sócrates abate os seus opositores. Mas, rende-se aos mesmos, a fim de - como ensinavam Nietzsche - deixar-se matar, pois almejava um tipo de pesquisa alem-mundo. A notícia de que Sócrates iria tomar a cicuta espalhou-se e desestimulou os seus discípulos, a ponto de eles reunirem-se para pagar a sua fiança ou planejar uma fuga.

Justo e ético como sempre foi, Sócrates prontamente recusou. Tal atitude, por sua vez, entristeceu ainda mais os seus discípulos. Mesmo assim, eles não fugiram deixando Sócrates na mão. Mas, permaneceram, aprendendo na prisão. E foi nela onde Sócrates compôs o seu conceito mais bonito sobre a morte. A pergunta, então, é oportuna: "como Sócrates conceituou a morte?"

De acordo com o final da "Apologia", Sócrates define a morte como "ausência de sensações". Tal conceito demonstra o seu brilhantismo ou o seu deslize? Esse é o melhor conceito já escrito sobre a morte porquê, a partir dele, pode-se entender e visualizar, por exemplo, as pessoas em caixões. Portanto, inabilitados ao uso dos seus sentidos, das suas sensações, dos abraços - quem não abraça a ninguém sempre estará morto.

Localizamos, enfim, o deslize de Sócrates. O filósofo preocupa-se apenas com o conceito universal da morte. Sócrates (Platão) fez da morte uma formula e, por isso, não teve tempo (ou não quis) de pensar a dor que ela causava, que ela transmitia, transmite a quem fica no universo dos vivos. Conceituar a morte é extrair da mesma a dor.

Quando o filósofo revelou-se preocupado com a fórmula, deu de ombros à dor alheia. A dor não coube no pensamento de Sócrates. O filósofo preocupou-se tanto com o conceito e com a verdade que se esqueceu da sensibilidade e das pessoas. Sócrates perdeu-se num mar de verdades e conceitos. Não de pessoas!

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