terça-feira, 29 de setembro de 2015

O PRECONCEITO A PARTIR DE ALICE.

Alice no País das Maravilhas é um livro de aventura, descoberta e mistério para a imaginação de qualquer criança. Acontece que é um grande erro pensar que esse livro "serve" apenas para as crianças. Alice é para qualquer idade. Portanto, para todos. Por isso, se ele for bem examinado, se revelará fonte inesgotável de pesquisa para qualquer curioso.

Sou um curioso e, assim sendo, achei oportuno investigar, refletir e escrever sobre a máxima de uma das personagens centrais do livro: "A Rainha Cabeçuda". No livro, ela tinha um dilema de dar calafrios na espinha: "cortem as cabeças". Bastava um erro simples, de alguma personagem, que a rainha - desapontada e estressada - exclamava: "cortem as cabeças".

                                    Resultado de imagem para rainha cabeçuda atriz

Tal ordem revelava o seu autoritarismo enquanto juíza e os personagens sofriam com as suas rápidas sentenças de morte. Primeiro a rainha sentenciava sem medo e sem a menor consciência; depois a vítima era levada ao matadouro para morrer - não importava o tipo.

Tal atitude é semelhante à do preconceituoso que mata a sua vítima sem saber sobre o seu modo de ser. Existem muitas rainhas cabeçudas, isto é, muitos preconceituosos em nossa sociedade. E eles são fáceis de serem descobertos. Lembram-se do caso da Paulista onde um gay foi sentenciado e agredido com uma lâmpada? Nesse caso, o lema da rainha cabeçuda tornou-se real.

É cliché. Porém, é oportuno escrever: em pleno século XXI ainda há preconceito do tipo medieval, racial. Mas, fazer o quê... Quem disse que o nosso século é sinônimo de saber ou esclarecimento? Há indivíduos que - com uma bandeira iluminista - apregoa que somos esclarecidos, racionais. Façamos uma pequena análise social... vejamos...

Lembremos do preconceito racial que sofreu o Jogador, Daniel Alves, quando os torcedores atiraram uma banana em pleno jogo de futebol; Ou do torcedor que - por ser negro - foi impedido de adentrar ao metrô em Londres. Ou dos garotos que entraram à loja de luxo para comprar um calçado e foram transformados, em bandidos, por serem negros pela polícia.

Como a nossa sociedade mostra-nos o contrário do que ensinava o iluminismo (a racionalidade será a base para julgar tudo), pensemos as três fazes do preconceito, uma vez que ele se desnuda dessa forma aos "seres iluminados". O primeiro é o "Não gostar". O segundo é o do "Pré-julgamento". E o terceiro é o da "Afirmação e a ação sem qualquer fundamentação".

Basta examinarmos o racista simplório, quando interrogado sobre o mesmo, ele destilará: "não gosto de preto". Como se a cor de pele fosse critério suficiente para o gosto ou o desgosto. Por esse sentimento, surge o pre-julgamento com relação, por exemplo, a cor. O problema é que esse preconceito - contra a cor de pele - não tem o menor fundamento, pois cor de pele não é escolha é imposição genética e patriarcal.

Daí a terceira fase do preconceito, isto é, toda e qualquer ação e/ ou afirmação sem fundamentação é uma demonstração de preconceito e ignorância, pois além do preconceituoso não reconhecer o outro como o seu semelhante, isto é, como pessoa, nega-lhe direitos civis. Percebam e não se enganem: todo preconceituoso, com o seu preconceito, objetiva a negação de direitos alheios. Parece-me, portanto, que retornamos ao Fascismo. Só que velado.

Por isso, todo preconceituoso é um criminoso retraído, escondido e mascarado. Sugiro que se deva banir o preconceito, o preconceituoso, bem como as rainhas cabeçudas dos círculos sociais senão será necessário, de fato, "cortar" algumas cabeças. Pois, "a gerra de todos contra todos" estará instaurada.


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