sexta-feira, 11 de setembro de 2015

FRUSTRAÇÃO E AUTORRETRATO.

Sempre disse aos meus amigos, íntimos, que amo observar as pessoas com sapatos de algodão, dado que as mesmas sempre estão, nos relacionamentos, escondidas, recolhidas e na defensiva. Ao certo, não sabemos qual o motivo para que elas ajam assim – se por medo, por insegurança ou para evitar angustias e frustrações no futuro. O fato é que somente as pessoas que fazem uso desinibido da coragem são capazes de tirar as mascaras e anunciar as suas frustrações pessoais.

Atualmente, parece-me que somente os entendidos expressam claramente os seus medos, os seus fracassos, as suas decepções e as suas frustrações existenciais frente ao público sem sentimento. Mas, quem são esses corajosos e destemidos que amadureceram e, portanto, deram de ombros para a frustração?

Alguns homens e mulheres se levantariam, de onde estão, para exclamar: “esse homem e essa mulher não existem, pois todos nós nos escondemos!”. Outras pessoas ficariam tímidas, com medo e, caladas, permaneceriam em seus respectivos lugares. Outras pessoas, porém, perderam o medo do preconceito alheio e se levantaram para confessar quem são. Agiram assim não para comunicar as suas frustrações pessoais. Mas, para informar que a frustração não é o fim, mas o meio para seguir a vida de outras formas, com outros sabores. Sendo assim, é oportuno citar três casos que tem “uma” só coisa em comum: a frustração.

Antes de tudo, é bom sabermos que a frustração não escolhe um determinado indivíduo, haja vista que ela é cega e toma qualquer um pelos braços e diz baixinho: “você será impedido de alcançar o seu real objetivo de vida; aquele que mais te motivará a viver e que tanto te fará falta na velhice”. A frustração é um elemento que nos torna semelhantes. Todos nós, igualmente, sentimos dor. Não é mesmo? 

Deste modo, escrever sobre a dor e não citar alguns casos, como o do poeta Rubem Alves, a filósofa Viviane Mosé e a apresentadora, Fátima Bernardes, talvez, não surtirá um efeito singular, dado que, às vezes, a frustração está em nossa fuça, mas não conseguimos ver. Ou, não queremos?

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O escritor, Rubem Alves, é considerado um dos melhores educadores, escritores e filósofos do Brasil. Um dos mais reconhecidos e lidos. Os seus livros venderam milhões de cópias e foram impressos e reimpressos por diversas editoras. Por isso, não seria de se esperar e de se espantar se o mesmo recebesse o carimbo de professor, gênio. Mesmo com todo esse gabarito de excelência, Rubem Alves não ficou isento de frustrar-se em sua vida. Pois, ele relatou, num de seus documentários, que amaria ser pianista clássico. Porém, a sua falta de talento para a respectiva área o fez praticar o “suicídio” e migrar para a área da literatura onde tocou piano com as palavras e os meus ouvidos agradecem.

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Não muito diferente de Rubem Alves, encontra-se a filósofa, Viviane Mosé. A escritora também tornou-se (re)conhecida na área educacional por suas muitas formações e atuações. Dentre as tantas formações, está Filosofia, Psicanálise e Psicologia. Mosé, numa de suas apresentações filosóficas, divulgou que adoraria ser cantora. Mas, a sua natureza não colaborou com a afinação vocal e, por isso, teve de cantar com os livros e as poesias. Ainda bem, pois só assim entendi que o tempo anda passando a mão em mim.

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Em meio à roda dos frustrados assumidos, nos deparamos com a apresentadora, de televisão, Fátima Bernardes que se revelou frustrada por não ser bailarina clássica, famosa e profissional. Para quem acompanha os seus programas diários, isso é mais que perceptível, uma vez que o tema do balé, frequentemente, toca o palco de seu programa escancaradamente.

Como podemos notar, frustração é um sentimento que toca, agarra e bagunça com a gente. Ninguém está livre desse sentimento. Portanto, ninguém está livre do fracasso de si mesmo. No entanto, o real problema não está em frustrar-se com algum objetivo primordial: aquele que faz o nosso coração “aquecer, ferver e almejar desenfreadamente. O problema está quando nos deixamos, nos entregamos, nos depreciamos em nome de um alvo inalcançável, dado a falta de talento natural.

Pensando nisso, descobri que a vida é matemática viva. E, por isso, não é exata, mas sim recheada de variáveis. Para lidar com elas é necessário ser corajoso e ter a capacidade de se pesquisar, sentir dor visando novos objetivos, novas emoções e, por fim, sensações. Enfim, para compreender as variáveis da vida é necessário ser inteligente. E, Rubem Alves, Viviane Mosé e Fátima Bernardes, merecem todos os adjetivos positivos, uma vez que eles descobriram outras fontes para viverem. Portanto, podemos, claramente, aprendermos com esses mestres e brindar a vida. Viva!!!

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