quarta-feira, 23 de setembro de 2015

A GRANDIOSIDADE DE JESUS.

"É fácil criticar o cristianismo. Mas, Cristo, não". Foi Mario Ferreira dos Santos - um dos tradutores do filósofo alemão, Friedrich Nietzsche - quem escreveu tal mensagem corajosa. Por conta disso, tentei - a partir de algumas leituras - encontrar incoerências no pensamento de Jesus, haja vista que nenhum homem é completamente moral, correto e coerente o tempo todo. Portanto, basta investigarmos com precisão que acharemos um pequeno deslize em suas ações ou ensinamentos. Mesmo? Ledo engano...

Em meio as minhas leituras investigativas a respeito de Jesus, deparei-me com um de seus singulares ensinamentos: "perdoai setenta vezes sete". Lendo atentamente a esse textículo, é possível compreender que Jesus não estava preocupado com o cálculo matemático. Mas, sim, com o perdão entre os homens. Pensando nisso, é oportuno a pergunta: “tal preocupação foi o seu erro ou a demonstração da sua grandiosidade frente ao homem errante?”. Grosso modo, recorramos à Bíblia na tentativa de compreender o perdão.

De acordo com os textos bíblicos, o perdão tem um sentido curioso e intrigante, pois ele só é possível porquê indivíduos relacionam-se. Portanto, pensá-lo do ponto de vista abstrato é invalido e perda de tempo. Por isso, é válido escrever sobre o perdão em suas três fases. A primeira fase está em desconsiderar o erro do próximo. Segundo, esquecer o mesmo. E, terceiro, reatar o relacionamento, no mesmo nível, com o irmão que errou. Tudo isso, setenta vezes sete. Ou seja, sempre, sempre e sempre. É possível perdoar dessa maneira? Quando amadurecerá o indivíduo que é perdoado dessa maneira?

Vejamos... Uma mãe que sempre perdoa o filho do erro, de acordo com Jesus, espera que o filho melhore e amadureça. Ele amadurecerá? O filho irá aprender? Ou irá se acomodar sabendo que sempre será perdoado e, por isso, persistirá no erro? Um marido que trai a sua esposa com frequência deve ser perdoado setenta vezes sete? Tal perdão irá fazê-lo amadurecer ou dará autorização para que o mesmo, de um jeito ou de outro, erre mais? As feridas da traição podem ser curadas simplesmente com o perdão? Um fora da lei que sempre comete crimes merece o perdão?

Nos três exemplos acima, pode-se afirmar que o perdão não irá ajudar a amadurecer, a endireitar ou a tornar socialmente melhor determinado indivíduo. Tal perdão cristão irá, sim, atrapalhar e fazer com que indivíduos permaneçam no mesmo patamar de erro ou engano, dado que alguns usam o perdão cristão para continuar a errar e não para melhorar. Se Jesus desse-me ouvido, o mundo estaria perdido e sem uma segunda chance. Como Ele não me deu, o mundo está a salvo e com uma segunda chance. O que significa, para Jesus, perdoar setenta vezes sete?

De acordo com a trajetória bíblica, significa que Jesus entendeu que os homens são nascidos do erro, da ausência de ingenuidade e, portanto, do pecado. Por nascermos com essa carga espiritual negativa sobre as costas, Jesus considera que somos homens atados a uma profunda construção de identidade, social, moral, política... e que, por mais que tentemos, erraremos sempre, sempre e sempre...

Por isso, Jesus sacou que o seu perdão deve ser dado setenta vezes sete. Portanto e mais uma vez, sempre... Parece-me que é essa a conduta, de acordo com os escritos, que devemos seguir frente ao erro do próximo. Por isso, é necessário reconhecer que Jesus é mais inteligente do que os críticos simplistas acham. Por isso, deve-se reconhecer que o cristianismo pode ser um erro. Porém, Cristo e seus ensinamentos, não. Talvez, eles sejam até a solução.

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