segunda-feira, 22 de junho de 2015

ERRAR DE NOVO.


                                            Resultado de imagem para errar o alvo
                                 O erro é uma tentativa de acertar. Portanto, erre primeiro!

Nascemos, crescemos, nos desenvolvemos e, por fim, "morremos". Essa é a caminhada humana até o que chamamos de MORTE - a ausência de todo e qualquer prazer-desprazer. No entendimento comum, todos nós, seres humanos, buscamos, desesperadamente, o prazer e nos afastamos, obviamente, do desprazer. O desprazer é um sentimento que sempre pretendemos nos afastar, fugir, combater e se possível aniquilar. Se pudermos, praticamos tal atitude o tempo todo. Mas, como chegar ao prazer sem passar ou colidir com desprazer? É possível? 

Na medida em que convivemos em sociedade - ou até mesmo fora dela - é impossível evitar os sentimentos de prazer e desprazer. Seja na esfera familiar e conjugal; seja na esfera da amizade ou da educação; seja na esfera do namoro ou casamento! Seja em qualquer relação inter-humana. Nesse texto entendo o desprazer como todo o tipo, intenso ou não, de sofrimento! O sofrimento, como uma dor física ou como aquilo que não se pode resolver por si mesmo e recorre-se à existência de um ser além-mundo para solucionar. Ou, na simples formula do filósofo alemão Nietzsche (1844-1900) - o sofrimento é: "tudo o que rebaixa o homem". 

Se pensarmos um pouco, Nietzsche estará correto; posto que tudo o que rebaixa ou arranca o homem do seu status de seres "divinamente pensantes" o machuca, o ofende, o deprime e o faz sofrer. O interessante é que, por esses dias, perguntava-me: "qual a possibilidade de exterminar o desprazer no contato com o próximo, com as outras pessoas? É imprescindível expor que toda e qualquer fórmula para evitar o desprazer é burra, inconsistente e fadada ao fracasso. Pois, somos, e não acreditamos normalmente nisso, Heraclitianos. Isto é: estamos num constante devir, num constante processo de transformação "cego" em direção à morte. Portanto, qualquer indivíduo, sistema ou fórmula que deseja e almeja cercar a natureza humana e os seus desejos, certamente errará. 

Como eu sou inconstante e contraditório, tentarei constituir um olhar e uma conduta contra o sofrimento, desprazer entre os homens. Embora, não seja uma fórmula, é uma proposta e das boas. Toda proposta implica, em primeiro lugar, a liberdade do outro em aceita-la ou não! Por isso, comece já a fazer as suas escolhas! Sendo assim, por que não olhar para as pessoas de modo indefinido, isto é, sabendo que elas poderão, na relação com o próximo, errar e refazer-se? Por que não agir para com as pessoas de modo livre, sem impedimentos, e desinteressado? 

Afinal, pessoas são pessoas. E o mais belo adjetivo dado às pessoas são OS ERROS. Caso contrário, como seria possível consolidar uma amizade sem erros e sem inconveniências? Por que não olhar, encarar e relacionar-se com qualquer indivíduo sobre os óculos de Heráclito (540 a. C)? O óculos desse filósofo permite-nos saber que toda e qualquer pessoa está em constante transformação! Por que não jogamos todas as definições alheias, das pessoas à nossa volta, à lata do lixo? 

Em todos os lugares e conversas, sempre preguei e pegarei que a vida é sempre um ainda, uma tentativa. As pessoas, localizadas nessa vida, estão constantemente construindo-se e, por isso, insisto que a vida, em nós, tem e sempre terá o tom de ERRAR DE NOVO! Talvez seja por isso que Jesus tenha dito: "perdoem-se setenta vezes sete". Ele já tinha compreendido que somos seres em construção. 

E para se construir, nada melhor do que se destruir, errar! Existem muitas implicações que decorrerem de toda essa minha proposta de e para a vida. Sejam elas positivas ou negativas! O fato é que a fórmula para nunca errar é saber que a vida é um eterno vir-a-errar!

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