segunda-feira, 8 de junho de 2015

A FILOSOFIA, O MELHOR E O MASTERCHEF.‏


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                                                        "Conhece-te a ti mesmo, ó homem"
                                                                              Sócrates


Há quem diga que o mundo é um enorme livro para pesquisar. Por isso, invisto nele sempre que possível, a fim de melhorar a minha vida e as minhas pesquisas. Dentre as tantas fontes de pesquisa existentes nesse mundo, desembarquei no programa Masterchef no intuito de coletar informações, posto que esse é um programa para pesquisadores de diversas áreas. Inclusive, os da Filosofia! Nesse programa, quando não se fala em alimentos, examina-se candidatos e tal exame desemboca no que há de mais valioso para o iniciante em filosofia. Isto é: "o bom, o melhor, o mais capaz e o mais competente". 

Acontece que, nessa breve vida, existem muitas coisas que me incomodam. Uma delas é o conceito de bom, de melhor - de modo geral, ambos os predicados! Por isso, cabe a as primeiras interrogações: "quando afirmamos que alguém é bom e melhor, do que estamos falando?". "O que é bom?" "Quem deu esse valor ao homem?". "Quê quer dizer ser o melhor?". "Quem deu esse valor para distinguir os homens uns dos outros?". 

O antigo, porém atual professor Nietzsche já havia denunciado que tudo nessa vida, ao ser analisado, não passa de perspectivas. Portanto, tudo é uma questão de ângulo, de visão e de ponto de vista! Assim sendo, interessa as próximas perguntas: "se tudo é uma questão de ponto de vista, existe alguma visão que não valorize o conceito de melhor, de bom e de mais capaz nessa vida?". Sim. Há!!! 

De acordo com o cristianismo, não existe um melhor, um mais capaz. Nem para Deus, Jesus ou o Espírito de Deus. Em suma, a Trindade amou o mundo. E o mundo, no texto bíblico, quer dizer as pessoas! Portanto, o amor da Trindade, destinado ao mundo, iguala todos os homens em amor. Desse modo, xeque mate - não há melhor, nem pior. Há uma igualdade, um nivelamento! Ora, se todos seguíssemos, fielmente, os textos bíblicos, não poderia sequer existir esse programa que, em geral, estimula a desigualdade! 

As pessoas mais observadoras gritariam, ao saltarem das suas cadeiras de assento, que estamos numa democracia representativa e laica. Portanto, não religiosa! Em se tratando de não religiosa, não há julgamento ou análise cristã e com crédito. Assim, as portas das nossas vidas e dos nossos relacionamentos estão abertas para outros tipos de julgamentos - inclusive sobre o conceito de bom e de melhor! O filósofo Gilles Deleuze afirmou que para tornar-se um filósofo é necessário conceituar, definir o mundo. Sendo assim, o que é bom, melhor? Quem é o bom, o melhor? O bom e o melhor são aqueles, a luz do programa Masterchef, que desempenham, executam o seu papel. 

No final das contas, o bom, para o programa, é o que mistura sabores de modo a causar sensações na pessoa que prova determinado alimento. O bom é o que faz da apresentação do prato a sua obra de arte no intuito de comover, espantar e, por alguns segundos, paralisar, com os sabores, o apreciador. Em suma, o bom e o melhor são os mais preparados. Os participantes do programa, Masterchef, seriam, portanto, filósofos à luz de Gilles Deleuze? 

Sabendo ou não da resposta, acontece que ainda é problemática essa busca pelo MELHOR! Vejam só: buscamos o melhor cozinheiro, o melhor amigo, a melhor mulher, a melhor transa, a melhor mãe, a melhor, a melhor e a melhor... em direção ao infinito! Espera...Respira... e se pergunte: "De onde vem essa nossa sede pelo o que há de melhor, posto que estamos em um profundo processo de mudança, isto é, num vir a ser cego?". Levando em consideração o conceito obtido através do programa de que o melhor é o que cumpre, nobremente, com a sua função, então ninguém é o melhor. Pois, só executamos com precisão o nosso trabalho, nossa função dependendo das imensas variáveis - que favorecem ou atrapalham determinado desempenho visando um objetivo. 

Existem dias em que não conseguimos articular as idéias no intuito de escrever um coeso e coerente texto, posto que algo nos atrapalha. E, por isso, não somos bons? De repente, para executar alguma tarefa, ao longo da vida ou de alguns momentos, não tivemos as mesmas oportunidades. E por isso não recebemos o carimbo de mais capazes? Outro fator importante é que temos diferentes percepções sobre determinado objeto ou problema. Isso dificulta pra alguns, enquanto que para outros favorecem! Inusitado, não? 

Uma vez que considerando essas questões referentes as variáveis, quem é o bom? Quem é o melhor? Nesse momento, o bom é pego pelo juiz da relatividade e é condenado à lixeira da inexistência! Porque se considerarmos as infindáveis várias, não há quem seja, de fato, bom! Portanto, o bom não existe. E se existir é apenas uma ferramenta para a desigualdade entre os homens e nada mais!

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