terça-feira, 5 de maio de 2015

DEUS NO BANCO DOS RÉUS!

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Apostai, pois, se Deus existir ganharás a eternidade. Se ele não existir, perdereis uma vida toda! 
Blaise Pascal.

Quem sou, de onde vim e para onde vou são perguntas que insistem em existir na vida e na mentalidade dos seres humanos. Por conta disso, as seguintes perguntas devem ser feitas: as principais perguntas da humanidade podem ser respondidas? Uma vez respondidas, elas poriam fim às nossas crises existenciais? Caso colocasse fim: as nossas vidas ficariam mais tranquilas? 

Desde de que nos descobrimos racionais, vivemos tentando responder a essas e outras perguntas. Alguns pensadores escrevem-nos que a falta de sentido para a existência humana não existe porque não temos a capacidade de responder as três perguntas da humanidade - as três expostas no início. Mas, a falta de sentido para a vida humana existe porque temos diversas possibilidades, perspectivas para respondê-las. 

Aqui, portanto, reside e nasce um novo problema - as possibilidades podem atrapalhar! Se as pessoas pulavam dos muros, dos precipícios ou de prédios porque não tinham respostas suficientes às suas perguntas, agora, se suicidarão (a tiros) com a ausência total de sentido à vida! Segundo a perspectiva cristã, Deus, após criar todas as coisas, criou o homem e o fez a sua imagem e a sua semelhança. 

A pergunta que deve ser feita é: se Deus não tem pecado, o que significa "imagem e semelhança?". Como Deus não tem manchas, assim concordamos, pecados ou vícios como os homens, resta-nos concordar com a máxima do Renascimento (século XV): "o homem foi criado com condições para criar". 

De acordo com o renascimento, o carimbo do homem está na sua capacidade de criação. Não é a toa que chegamos aonde chegamos - aviões, prédios, canetas... etc!!! Para que o homem não vivesse só, Deus criou e lhe deu uma mulher, uma companheira. Segundo o ponto de vista cristão, as três perguntas da humanidade são respondidas! E da seguinte maneira: vim do barro, sou criatura de Deus (filho de Deus) e (extraindo o Novo Testamento) voltarei ao pó da terra, de onde Deus os retirou! 

Sendo assim, para o judaísmo-cristianismo, o homem não precisa preocupar-se ou entrar em depressão devido a essas perguntas. Afinal, Deus é o seu criador e, portanto, a vida passa a ter e fazer sentido. E o conforto é consolar-se em seus braços. Será mesmo?!!! Recomenda-se distanciar-se do objeto pesquisado, a fim de compreender outras visões. 

Assim, teremos novas experiências. No contrapelo do cristianismo, o mundo nasceu (também do nada) de outro modo. Segundo a mitologia grega, no início era o Caos e Gaia. O Caos (figura de desordem) criou a noite e o Érebo ("entende-se" por manhã). A noite e o Érebo, ao se relacionarem, criaram a Noite e o Éter (A manhã). 

Enquanto isso, Gaia criou (do nada) Urano (o céu), as Montanhas e os Mares. Gaia, relacionou-se com o seu filho, Urano, e deu a luz aos Titãs. Dentre eles, Cronos, Prometeu, Epimeteu, Reia... Segundo a história mitológica, Urano aprisionou os seus filhos no fundo das montanhas - no tártaro. 

Por tal posicionamento, Reia, decidiu vingar-se do seu marido: e, para isso, contou com a ajuda de seu filho, Cronos. Deu a ele uma foice. No melhor momento, Cronos cortou os testículos de Urâno e, daí, nasceram os ciclopes e a raiva. Além do mais, o líquido que escorreu dos seus testículos, deu origem à espuma do Mar. O titã, Cronos, assumiu o governo frente aos demais irmãos. 

Porém, como todos nós sabemos que nem todos os homens (e Deuses) conseguem lidar com o poder; com Cronos não foi diferente, dado que ele praticou os mesmos autoritarismos. Ao se vingar do Pai, só Cronos tomou partido, enquanto os outros irmãos não concordavam com tal atitude. Como Gaia percebeu que Cronos não arredaria o pé do trono autoritário, tratou logo de vingar-se, também, do filho. E a vingança veio de dentro da própria casa! 

Para que isso acontecesse, Cronos teve, primeiro, de copular com a sua irmã, Reia, para ser a mãe dos seus filhos. Assim, Cronos engoliu todos os recém nascidos de Reia com medo de uma possível reviravolta futura. No entanto, um escaparia aos olhos de Cronos, pois Reia decidiu aconselhar-se com Gaia e Urâno, a fim de saber como vingar-se do seu marido "louco". E eles a aconselharam. 

Quando o menino nascesse, era necessário coloca-lo nas profundezas do Tártaro e embrulhar uma pedra como se fosse o pequeno Deus. Deste modo, quando Cronos fosse pegá-lo, engoliria uma pedra em seu lugar. Assim foi feito e Zeus cresceu às escondidas do pai e, com a ajuda de Gaia e Urano, vingou-se de Cronos. 

Por conta da vitoria, uma das penas de Cronos era vomitar todos os bebês engolidos e pode-se dizer que dai começaram a surgir "os principais deuses do Olimpo" - Poseidon, Hádes, Hera, Demeter e Hestia, todos tendo Zeus como líder. Mas, diante de toda essa libertinagem e jogos de poder, como surgiram os homens? Os gregos também tem respostas para tal problema! 

Os titãs, Epimeteu e Prometeu, foram os responsáveis por dar a "luz" aos homens. Após Epimeteu ter criado todos os animais, investiu em criar o primeiro casal da existência humana - Deucalião e Pirra. Vendo que era necessário diferenciá-los dos demais animais criados, deu o casal para o seu irmão, Prometeu. Assim, ele decidiu dar uma outra característica ao casal - isto é: uma cara racional, de autossuficiência e independência. 

Para, então, diferenciar os homens, Prometeu vai ao Olimpo com a Ajuda de Atena e rouba o fogo dos Deuses. Por conta do seu lado "curioso", os homens tornaram-se diferentes dos animais, pois, passarão, a possuir características de racionalidade, independência! De acordo com o filósofo pré-socrático, Protágoras, "o homem é a medida de todas as coisas". E se interpretarmos a mitologia grega e a cristã à luz dessa reflexão, por mais anacrônica que seja, essa é a máscara primordial dos homens - racionalidade!

Após todo esse percurso, chegamos a conclusão da existência de dois mitos de criação para respondermos as três questões da humanidade. Assim, cabe inverter as nossas crises existenciais em questionamentos! Portanto, qual o mito de origem seguir? Se seguirmos um e não outro, qual a razão? O que, em nós, faz escolher um e não outro? Ao escolher um e não outro a nossa estrutura de pensamento, hoje ou não, se modificaria? Se escolhermos um mito de origem e não o outro, as nossas crises, em nome de nossas primeiras origens, desaparecerão? Existiria pecado numa sociedade em que seguisse os valores mitológicos? Existiria adultério numa sociedade com valores mitológicos? Existiria crise de consciência por conta de tal ato? Nos preocuparíamos com incestos? Seríamos mais livres para sermos o que somos diante das nossas loucuras internas? Brigaríamos por valores homossexuais? O nosso conceito de família seria o mesmo? 

Certamente, as respostas para essas perguntas devem ser pessoais. No entanto, esse conselho será de grande valia. De acordo com o filósofo Blaise Pascal: "apostai, pois, se Deus existe, ganhareis a eternidade, se ele não existir, perderás uma vida toda". Para um mito de origem ou para o outro, muitos se renderão! 

Mas, se quisermos caminhar à passos largos dessas crises existenciais, por que não acreditar só na vida, no aqui e agora? A vida, nesse texto, deve ser compreendida como o berço do abraço, do afeto, do beijo, do sexo, do romance, da amizade, do transformar-se, do dormir, do acordar, do caminhar, do parar, do emagrecer, do engordar, do matar, do apaziguar, do re-brigar, do dominar, do gozar, do transar... de modo cego e sem sentido transcendental, como dizia o velho Nietzsche. 

Enfim, por que não acreditar exclusivamente e simplesmente no que propôs o filósofo? É muito assombroso? Difícil? Por que não pensar que a vida do aqui e do agora é a única "garantida"? Portanto, qual dos mitos de criação escolher e seguir? O cristianismo? A mitologia grega? Outras origens? A vida do aqui e do agora? Sinta-se a vontade para fazer jus à sua "liberdade", dado que  tens o direito à escolha! Então, caro leitor, o que você escolhe?

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