terça-feira, 17 de março de 2015

DIZER A VERDADE É UM DEVER MORAL OU UM GRANDE ENGANO?

O que quer o homem que diz: eu procuro a verdade?

Gilles Deleuze.


Para que e por que a verdade?
Friedrich Nietzsche


A verdade não passa de um duelo de perspectivas!
Max William


A história da Filosofia é tão extensa quanto o mundo. E por sua história ser demasiadamente ampla, podemos visitar e revisitar- hoje ou a qualquer momento histórico - grandes discussões que se localizaram e se localizam em seu seio. Em todos os períodos da história da Filosofia, muitos problemas foram erguidos e debatidos. Alguns persistiram, enquanto outros se perderam no tempo como poeira que se espalha pelos ares quando o vento sopra. O fato é que o problema relacionado ao conceito de VERDADE persistiu causando debates acalorados.

Ao longo da história da filosofia, pensadores desenvolveram suas reflexões acerca da VERDADE e, portanto, demonstraram ao mundo o quanto concordam ou discordam sobre esse conceito. Sendo assim, podemos compreender que a VERDADE foi debatida e interpretada de diferentes maneiras, por diferentes filósofos e por diferentes teólogos. Tal discordância acerca da ideia de VERDADE pode ser visualizada e compreendida através do pensamento de Immanuel Kant – Filósofo do século XVIII - bem como nas reflexões de Friedrich Nietzsche – pensador do século XIX.

Kant escreveu um “texto” chamado Sobre Um Suposto Direito de Mentir em Prol da Humanidade, onde respondeu a Benjamin Constant que "dizer a verdade é um dever moral". Além do mais, de acordo com o mesmo, "é uma obrigação executar tal dever a qualquer momento e em qualquer circunstancia". Portanto e grosso modo, a VERDADE - de acordo com Kant - é um dever moral inquestionável, inegociável e inviolável. Distante do modo radical de pensar e agir de Kant, encontra-se Friedrich Nietzsche. 

Nietzsche tornou-se conhecido por "filosofar a marteladas". Tal frase tornou-se famosa devido às suas duras criticas à filosofia, a moral e aos preconceitos filosóficos. Sua “dureza de pensamento” pode ser compreendida em sua obra Além do Bem e do Mal, onde fez uma intrigante e pesada interrogação sobre a ação moral: "dizer a verdade salva a vida?" Tal pergunta de Nietzsche nos conduz a pensar em casos concretos que a verdade – quando dita – não salvou, não a tirou do perigo e, ainda mais, a prejudicou.

Recentemente encontrei-me com um colega de infância. E, por isso, pus-me a pensar sobre os meus momentos de mocidade onde meu colega, eu e tantos outros nos divertíamos muito. Andávamos de bicicleta para baixo e para cima. Dedicávamos os nossos momentos – "depois da escola" – exclusivamente para as magrelas - nossas bicicletas. No entanto, o tempo passou. Igor e eu nos afastamos. Cada um foi para o seu lado. Mas, por “ironia do destino” nos reencontramos. Logo, matamos a saudade e colocamos "os papos em dia". 

Após um período de conversa, Igor disse-me que havia separado de sua jovem esposa e que a ocorrência havia o deixado completamente devastado. Igor errou com sua esposa. Pois, cometeu algo imperdoável pelas mulheres - o jovem traiu a sua doce esposa. E quando questionado sobre a suposta traição, disse a VERDADE. Confirmou a traição. Devido à consciência moral do DIZER A VERDADE, Igor recebeu – em retribuição – o castigo do vazio, da solidão, da depressão e da separação. Sua esposa foi-se. 

Dizer a verdade o salvou? Pelo contrário, o castigou. De acordo com Kant, Igor cumpriu com o seu DEVER MORAL! Disse a VERDADE - mesmo sabendo do perigo que estava correndo. De acordo com Nietzsche, talvez, era necessário balancear o que iria dizer. Pois a VERDADE – nesse caso – não salvaria a sua vida, muito menos o seu casamento! Portanto, qual das teorias acatar? Qual experiência intelectual escolher? A teoria de Kant? A dura pergunta de Nietzsche com um fundo de verdade? Ou o trágico fim do jovem Igor? Eis a questão, caros leitores: dizer a verdade ou não?

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