quarta-feira, 18 de março de 2015

A MENTIRA DO PROGRAMA ESQUENTA.

Domingo, dia 28 de dezembro de 2014, o último programa "Esquenta" - cuja apresentadora é Regina Case - foi ao ar com a temática réveillon. Ao som de Lulu Santos, Preta Gil e Péricles a festa estava armada. O humorista Marcelo Adnet, também, fez-se presente. O último programa ocorreu com requinte e elegância. E é aí que reside a questão fundamental, a problemática do atual texto: como um programa - como o "Esquenta" - que tem como o seu emblema "a periferia", portanto, a pobreza, mente sem vergonha para o seu público? 

A apresentadora Regina Case - desde o seu surgimento e reconhecimento enquanto apresentadora (às vezes, repórter, atriz, entrevistadora...) de televisão - trabalha com os pobres. Ou, eufemisticamente, com os menos favorecidos. Basta fazer a mínima pesquisa na internet e, então, confirmarás. No entanto, onde, porém, está a mentira do programa "Esquenta", uma vez que a mesma ajuda os pobres e traz o olhar da classe média para as favelas? 

Está desde o nascimento do "Esquenta", visto que a cada programa os menos favorecidos - grande parte das favelas do Rio de Janeiro - foram sendo transformados. Entretanto, a sua representação da "pobreza carioca" foi mantida. Antes de mais nada, fique claro que subir de status social ou decair não há nenhum problema - pelo menos para mim. O problema - a meu ver - está em não aceitar as suas verdadeiras condições sociais - seja a, b, c ou d, e migrar para uma representação de classe média. 

Trabalhemos, pois, a nossa percepção sobre o programa e a partir daí cheguemos a uma conclusão. Porém, tal ideia só ficará clara para quem acompanha o programa. Desde o surgimento do programa "Esquenta", a apresentadora escalou diversas pessoas para compor o quadro de seu programa. No início, ela já propunha um mix de famosos e "desconhecidos". Os desconhecidos - no começo - compunham a maior parte do programa. Se observarmos atentamente os participantes do seu programa, do início até hoje, veremos uma negação da pobreza e uma valorização da classe média. 

Ao começar pela "chamada do programa", víamos uma precoce desorganização e uma falta de beleza. Com os dançarinos não era diferente. As suas peles - era nítido ver - não eram bem tratadas. Os seus cabelos não eram bem cortados, escovados e hidratados.

Tudo isso demonstrava conclusivamente que programa de pobre é semelhante a casa da mãe Joana: uma bagunça só! Ledo engano, pois, ao decorrer dos tempos, o projeto "Esquenta" foi transformando-se até ganhar uma cara classe média consolidada: da vinheta aos calçados. Assim, pode-se concluir que o programa "Esquenta", do início ao fim desse ano, negou a pobreza e valorizou uma imagem de classe média. Enfim, o programa Essssssquenta não é mais para os pobres. Pois, a classe média já dominou o seu espaço.

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