sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

RACISMO E FUTEBOL.

Já ouvi de alguns amigos, metidos a intelectuais, que não existe mais racismo no Brasil e no mundo! E que o mesmo é coisa do passado! Tem certeza? Estou certo de que existe um alto falante, ligado nas ruas, nos bares, nos metrôs e nos campos de futebol de todo o mundo, transmitindo a seguinte mensagem: NEGRO, MACACO, SUJO e PODRE! De acordo com essa mensagem transmitida pela boca suja dos racistas e devido aos fatos sociais, concluo que os meus amigos estão e estarão errados enquanto pensarem assim. O racismo ainda existe e existirá em todo o mundo, dado o fato de que, no Brasil, nos deparamos com a a situação de um goleiro, santista, ser agredido verbalmente por torcedores preconceituosos, fanáticos e desequilibrados. 
Na Espanha, e graças aos meios de comunicação, vimos torcedores lançarem bananas no campo de futebol com o objetivo, claro, de demonstrar, espalhar e fincar o seu preconceito, na grama, através de um alimento rico em vitaminas. "Apenas essas atitudes demonstrariam o quanto somos preconceituosos?", alguns interrogariam. Não! O caso mais recente de racismo e preconceito, veiculado pelas mídias internacionais, ocorreu na França. Um rapaz negro foi impedido de tomar o metrô e seguir o seu destino, dado o fato de que os torcedores brancos e ingleses invadiram e ocuparam todo o metrô da cidade. Após a apresentação desses casos, alguns de meus amigos deveriam abaixar as suas cabeças, taparem os seus rostos, calarem-se e, assim, manterem-se, visto que o preconceito é mais do que evidente em todo o Brasil. Por que não em todo o mundo? 
Nunca neguei. Mas, sou defensor da ideia de que temos o direito de sermos preconceituosos. Afinal, temos o direito à liberdade! E ela é o fundamento maior de todo e qualquer agir livre. No entanto, não temos o direito de negar direitos; sobretudo os direitos dos outros cidadãos civis. Eles são garantidos constitucionalmente. E legislação, a meu ver, é assunto sério! Muitos cidadãos morreram para que essa simples palavrinha (constituição) possa saltar da boca de nós modernos. Para não me estender, que tal revisitar a história da Revolução Francesa para compreendermos que o que conquistamos é algo de valor inestimável?  
Vencemos tantas guerras, superamos sofrimentos e mortes para perdermos para esse preconceito sem fundamento? Ora, por qual razão, então, ainda somos preconceituosos? A resposta não é simples e, sim, dolorosa. Parece ferida aberta que não cicatriza. Porém, a resposta é coerente. Não sabemos o significado do preconceito, não sabemos qual o valor social dessa palavra, não entendemos o seu valor negativo frente aos outros cidadãos e, infelizmente, uma parcela absurda de pessoas não deseja mudar as suas visões de mundo. Preferem a comodidade, ao invés de dar lugar à reflexão crítica! 
Mas, o que significa, então, essa palavra que, atualmente, é sinônima de palavrão? O Iluminismo, grosso modo, formulou uma definição, a meu ver, incrível sobre o conceito de preconceito. Para os iluministas do século XVIII, preconceito é "toda e qualquer afirmação sem fundamentação". Por não possuirmos fundamentos para determinadas afirmações e questões, geramos (e isso é extremamente perigoso, danoso) o preconceito que, por sua vez, desembocará na negação dos direitos constitucionais conquistados e garantidos. E é, pois, aí que reside o problema. E é aí que reside o caos. E é ai que instala-se a barbárie. 
Se se nega direitos constitucionais aos negros, aos brancos, aos amarelos etc., não só somos preconceituosos. Mas, também, imorais, antiéticos, bárbaros e CRIMINOSOS, dado o fato de que passamos por cima da constituição federal. Eu até concordo que atualmente ninguém pode usar nenhum termo relacionado à cor negra que já é motivo de rotulação: racista, preconceituosa e criminosa! Em verdade vos digo: isso não passa de uma grande bobagem. Pois, tenho um amigo negro e amo chamá-lo, com todo o carinho, de saci. Por isso, sinto-me amigo, íntimo e único na vida dele, ao passo que o mesmo aceita a minha gozação. E o que há de errado nisso? Nada. Ambos concordamos! Nesse sentido, a brincadeira com a cor de pele é um convite a pessoalidade, a intimidade e a amizade. 
Mas, brincadeiras à parte e concluindo o raciocínio, o racismo não está apenas nas demonstrações evidentes e públicas, mas, também, nas brincadeiras com duplo sentido, nas contratações trabalhistas, nas propagandas de televisão, no turismo e nas novelas. Em suma: está por toda a parte. Além do mais, é necessário dar o último grito de guerra sobre o preconceito e o racismo a fim de espantar ambas as ações más e para que, também, todos saibam onde o verdadeiro preconceito e racismo encontram-se. E eles localizam-se na negação de direitos constitucionais conquistados e garantidos ao decorrer da história.

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