quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

O CRISTÃO CONDENADO!

Desde a antiguidade, o cristianismo vem exercendo significado, peso e influência na vida dos indivíduos. O fato é que o cristianismo não só exerce significado nos e para os indivíduos que o aderem, mas influencia as pessoas a agirem de modo diferente na sociedade, a pensarem no outro quando agem, a - antes de agir - perceber que as suas ações podem refletir na vida do seu semelhante.

Essa prática, em relação ao outro, proposta por Jesus de Nazaré, fez com que milhões de pessoas modificassem as suas vidas, as suas ações e as suas antigas práticas afim de fazer o bem! No entanto, cabe a interrogação: fazer o bem, sem olhar a quem, salva? Tal resposta - em grande medida- é pessoal e depende da crença de que cada um tem em Jesus.

À meu ver, fazer o bem não salva, muito menos, sem saber a quem! Antes de mais nada, é bom que fique claro que para o crente em Jesus: o que salva é a graça e tão somente ela! Sou adepto dessa ideia e não largo! Porém, essa afirmação nos deixa no vazio existencial e sem ter a mínima segurança. O indivíduo que converte-se ao Deus Jesus e assim o faz em nome da segurança da alma: está duplamente perdido.

Jesus, certa vez, disse: "um novo mandamento vos dou, ame o outro como a ti mesmo". Tal ideia faz total diferença. Diferente de Sócrates que interrogava tudo e a todos e, a partir da coleta de dados, definia as coisas à sua volta, Jesus não se preocupava com as definições: mas, com uma prática do bem frente ao outro.

Assim, é possível viver o amor de Jesus? O amor, segundo Jesus, é uma prática. Desse modo, é possível praticar o amor para com o outro, sem intencionalidade? Para responder a tal questão, relembremos um pouco a história de Jesus e entenderemos que para o mesmo era possível.
Ele nasceu numa cidade pobre que se chamava Nazaré. Alguém até disse: pode vir alguma coisa boa de Nazaré? Antes de sua mãe, Maria, dar a luz ao menino, Jesus, foi condenada por impuridade e por prostituição. Quando criança, quase foi morto por Herodes. Seus pais fugiram - para Belém da Judeia - para que tal atrocidade não acontecesse.

Assim, Jesus cresceu e foi às sinagogas para aprender. Aprendeu, mas desapareceu da história aos doze anos de idade. Porém, ele reapareceu aos trinta anos de acordo com os relatos históricos e começou a ser conhecido por ser batizado pelo profeta mais irreverente do momento: João Batista.
A partir daí, não parou mais de ser conhecido. Diferente dos atuais líderes "marketeiros", Jesus foi um líder exemplar. Colocava-se, de fato, no lugar de seus discípulos e seguidores. E, por isso, tornou-se ainda mais admirado. Curava os enfermos, dava de comer aos pobres não aceitos pelo império romano e defendia os oprimidos dos fariseus cruéis. Onde ele dormia, os seus discípulos e os seus seguidores dormiam. Pois, ele não tinha lugar fixo para reclinar a sua cabeça: isto é, não tinha bens materiais. E, por isso, não sofria da angústia da manutenção e proteção dos bens.

Tudo o que ele tinha era para compartilhar com o outro e com os seus discípulos. Desse modo, podemos concluir que o amor - segundo Jesus - é uma prática para com o outro a afim de compartilhar. Pois, ele fazia de tudo para que o outro vivesse. Portanto, é possível viver esse amor?

Nós, simples mortais, temos a capacidade de praticar esse amor? Assim, tenho apenas uma ressalva a fazer: nós - cristãos - somos condenados desde o nascimento (cristão) por não conseguirmos cumprir essa simples prática - mesmo que exista a excelente frase: "nenhuma condenação há para os que estão em Cristo".

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