domingo, 7 de dezembro de 2014

LIVRE PENSADOR!

         Lembro-me - quando fazia graduação em Filosofia na Universidade São Camilo - da discussão entre dois colegas de turma no que diz respeito a não haver nada de novo a ser pensado por nós simples mortais - ou melhor, novos estudantes. Pois - da Filosofia Pré-socrática à Filosofia Contemporânea - tudo já foi (re)pensado pelas mentes mais nobres da história filosófica. Um dos alunos defendia ferozmente a ideia de que os aspirantes a filósofos deviam pensar por conta própria e ter como fundamento: exclusivamente a si.

      O outro,  em contrapartida, discordava de tal ideia e (re)afirmava que tudo já foi pensado e não havia nada de novo a ser pensado por qualquer outro homem. E, portanto, deveríamos nos render aos estudos das obras dos filósofos mais eminentes da história da Filosofia.
A julgar pelas duas questões: estamos numa sinuca de bico! Pois,  se considerarmos a posição do primeiro aluno, pensaremos exclusivamente por nós mesmos. Mas, se considerarmos a do outro: seremos apenas estudantes de textos. Não que a segunda posição seja desagradável. Porém, a pergunta de quando nos tornaremos pensadores(?) vem à superfície da vida como uma avalanche poderosa.

    Ora,  o que os filósofos mais nobres da contemporaneidade diriam sobre essa discussão? Nietzsche e Schopenhauer foram filósofos gênios. Ambos tornaram-se filósofos às suas custas. Certa vez Nietzsche disse que o seu nome seria lembrado como o maior divisor de pensamentos da história. E é! Pois, ele tornou-se um dos maiores responsáveis por criticar a principal religião do mundo: o cristianismo. E sozinho!

      Schopenhauer, numa discussão com a sua mãe afirmou que o seu nome seria lembrado para todo o sempre; enquanto o dela - por escrever romances - seria esquecido na próxima geração. No caso de Schopenhauer, seu nome é avivado até os dias atuais. No que diz respeito à sua mãe, não se pode dizer o mesmo. No Olimpo dos filósofos, Schopenhauer fundou a sua filosofia da Vontade. E, “por isso”, foi aclamado.

   Tanto um como o outro, tornaram-se admiráveis pensadores no meio acadêmico-intelectual. Mas, a pergunta é: "exclusivamente pelos seus méritos?" Em matéria de esforço intelectual, sim. Mas, no que diz respeito às suas ideias, não. André Conte-Sponville certa vez afirmou: "Filosofar é pensar por conta própria; mas só se consegue fazer isso de um modo válido apoiando-se primeiro no pensamento dos outros, em especial dos grandes filósofos do passado".


      Portanto, podemos concluir que Nietzsche, bem como Schopenhauer não aprenderam a filosofar por conta própria. Pois, receberam caminhos e alternativas para se tornarem o que são hoje: filósofos requisitados e admiráveis. Sendo assim, podemos retornar à discussão de meus colegas – de turma – e afirmar que eles estão equivocados em suas ideias. O primeiro,  por querer ser seu único e suficiente fundamento. O segundo, por querer regressar ao período medieval e ler exclusivamente os escritos dos que alcançaram o título de filósofos.


    Assim, podemos chegar a uma única e suficiente conclusão: podemos nos tornar pensadores "independentes" nos baseando na reflexão dos outros! E isso é maravilhoso! Haja vista que se determinado indivíduo quiser se basear apenas no pensamento do outro e ali ficar, nunca compreenderá o conselho de Wittgenstein: "quero que as pessoas pensem com os seus próprios pensamentos".


     O conselho de Wittgenstein,  nesse caso,  vai mais além do que simplesmente ler os textos e escrever teses de Mestrado e/ ou Doutorado (com todo o respeito, é claro!). Ele nos convida, nos convoca e nos estimula a sermos filósofos: a pensarmos por nós mesmos!

Nenhum comentário:

Postar um comentário