terça-feira, 9 de dezembro de 2014

PREFEITO FERNANDO HADDAD, EDUCAÇÃO E PAPAI NOEL.

         Há escolas que são gaiolas. Mas, há escolas que são asas.
Rubem Alves.

         Como todo o final de ano, o clima natalino e o espírito da fraternidade ressurgem. E, Juntamente dele, acompanha o espírito agradável e num tanto fantasioso do nosso velho mais querido: o Papai Noel. Com o seu trenó e as suas renas, o bom velhinho vem distribuir os presentes para os pequeninos que foram educados, comportados e que se dedicaram ao longo de todo o ano. Mas, dessa vez, o Papai Noel achou por bem não presentear dois garotinhos-crescidos que aprontaram. Eles são Fernando Haddad e Cesar Callegari.
          A julgar pelos seus atos, "faz tempo" que não ganham presentes! Pois, tornarem-se meninos-adultos desagradáveis e displicentes no que diz respeito aos seus atos. Os meninos, assim, tornaram-se homens! E, desse modo, alcançaram cargos públicos de prestigio e importância. Fernando Haddad, por exemplo, é o atual prefeito do estado de São Paulo. Já Cesar Callegari, é o nosso atual secretário da Educação. É necessário ressaltar que, às vezes, eles são incompetentes em suas ações frente ao nosso Estado e às pessoas que nele moram.
         Entretanto, quais foram as suas traquinagens para não receberem o presente do velho de barba branca e serem ridicularizados pela população paulistana? No dia 9 de dezembro de 2014, o nosso atual prefeito, em uma nota ao jornal FOLHA, afirmou que as escolas - de modo geral, Ensino Fundamental e Médio - deveriam aprovar os alunos mesmo mediante ao não alcance das médias estabelecidas pela legislação! Ou seja, devemos aprovar os alunos mesmo se eles tirarem - em suas respectivas avaliações - a famosa nota vermelha! "Ler tal nota é semelhante a tomar um soco no estômago", afirma professor da rede pública do Estado de São Paulo.

       No caso do secretário municipal da educação, não foi diferente! Pois, o mesmo, também, fez uma afirmação semelhante. Talvez, no conjunto da proposta, mudasse apenas algumas vírgulas e pontos - que, de maneira geral - não muda a afirmação em seu todo.

As afirmações de ambas as autoridades demonstram, claramente, o fracasso da nossa educação brasileira. E demonstra, também, o quanto ela continuará escorrendo para o ralo do fracasso. 
           Pois, se os professores da rede estadual devem aprovar os alunos mesmo mediante à nota vermelha, estamos assinando um atestado de burrice e, por sua vez, de país: subdesenvolvido! Assinar esse atestado não é o único problema. 

O problema é como essas as pessoas e as suas ações "mal educadas" refletirão em nossa sociedade - que por sinal, é um doce em seus dados de criminalidade. Assim, pense no seguinte problema: imaginem um garoto do subúrbio X, mal educado (com um Estado que ainda Ajuda) e sem oportunidades! Qual a probabilidade das atitudes desse mesmo garoto acabar em desastre perante a sociedade devido a uma péssima educação? O senso comum responderia: total!!!
       Porém, o fato é que não dá para saber. Para responder a essa questão, não é permitido ser preconceituoso e tendencioso. Pois, as pessoas são diferentes. E, por isso, esse garoto (X) pode contrariar as estatísticas e as deduções lógicas.
Porém, quando se trata de política pública e ela diz respeito à educação, não podemos nos prender no achismo. Isto é: "de repente ele se tornará um cidadão do bem, civilizado ou mal civilizado, criminoso". Os políticos devem ficar longe da aposta, mas se fiar no direito à Educação que todos os indivíduos brasileiros (estrangeiros, também) possuem por lei - basta recorrer à LDB (Leis de Diretrizes e Bases).

       De acordo com as afirmações dos líderes do Estado, podemos concluir que a educação pública está - está em seu cenário geral - condenada, a cada dia, ao fracasso: simplesmente pela nota vermelha? Não! Pelo que decorre da má educação! O que decorre da educação? Platão, um dos filósofos mais conceituados da tradição filosófica, afirmou em sua obra A República que a decorrência da má educação é o mal!
        Por isso e tão somente por isso - façamos um gracejo -, os líderes da nossa São Paulo não merecem ganhar - pelo menos, esse ano - seus devidos presentes. Pois, estão deixando de cuidar corretamente do nosso bem supremo: A educação! Portanto, ho, ho, ho, para Fernando Haddad e Cesar Callegari, o Papai Noel, não chegou!!!

domingo, 7 de dezembro de 2014

LIVRE PENSADOR!

         Lembro-me - quando fazia graduação em Filosofia na Universidade São Camilo - da discussão entre dois colegas de turma no que diz respeito a não haver nada de novo a ser pensado por nós simples mortais - ou melhor, novos estudantes. Pois - da Filosofia Pré-socrática à Filosofia Contemporânea - tudo já foi (re)pensado pelas mentes mais nobres da história filosófica. Um dos alunos defendia ferozmente a ideia de que os aspirantes a filósofos deviam pensar por conta própria e ter como fundamento: exclusivamente a si.

      O outro,  em contrapartida, discordava de tal ideia e (re)afirmava que tudo já foi pensado e não havia nada de novo a ser pensado por qualquer outro homem. E, portanto, deveríamos nos render aos estudos das obras dos filósofos mais eminentes da história da Filosofia.
A julgar pelas duas questões: estamos numa sinuca de bico! Pois,  se considerarmos a posição do primeiro aluno, pensaremos exclusivamente por nós mesmos. Mas, se considerarmos a do outro: seremos apenas estudantes de textos. Não que a segunda posição seja desagradável. Porém, a pergunta de quando nos tornaremos pensadores(?) vem à superfície da vida como uma avalanche poderosa.

    Ora,  o que os filósofos mais nobres da contemporaneidade diriam sobre essa discussão? Nietzsche e Schopenhauer foram filósofos gênios. Ambos tornaram-se filósofos às suas custas. Certa vez Nietzsche disse que o seu nome seria lembrado como o maior divisor de pensamentos da história. E é! Pois, ele tornou-se um dos maiores responsáveis por criticar a principal religião do mundo: o cristianismo. E sozinho!

      Schopenhauer, numa discussão com a sua mãe afirmou que o seu nome seria lembrado para todo o sempre; enquanto o dela - por escrever romances - seria esquecido na próxima geração. No caso de Schopenhauer, seu nome é avivado até os dias atuais. No que diz respeito à sua mãe, não se pode dizer o mesmo. No Olimpo dos filósofos, Schopenhauer fundou a sua filosofia da Vontade. E, “por isso”, foi aclamado.

   Tanto um como o outro, tornaram-se admiráveis pensadores no meio acadêmico-intelectual. Mas, a pergunta é: "exclusivamente pelos seus méritos?" Em matéria de esforço intelectual, sim. Mas, no que diz respeito às suas ideias, não. André Conte-Sponville certa vez afirmou: "Filosofar é pensar por conta própria; mas só se consegue fazer isso de um modo válido apoiando-se primeiro no pensamento dos outros, em especial dos grandes filósofos do passado".


      Portanto, podemos concluir que Nietzsche, bem como Schopenhauer não aprenderam a filosofar por conta própria. Pois, receberam caminhos e alternativas para se tornarem o que são hoje: filósofos requisitados e admiráveis. Sendo assim, podemos retornar à discussão de meus colegas – de turma – e afirmar que eles estão equivocados em suas ideias. O primeiro,  por querer ser seu único e suficiente fundamento. O segundo, por querer regressar ao período medieval e ler exclusivamente os escritos dos que alcançaram o título de filósofos.


    Assim, podemos chegar a uma única e suficiente conclusão: podemos nos tornar pensadores "independentes" nos baseando na reflexão dos outros! E isso é maravilhoso! Haja vista que se determinado indivíduo quiser se basear apenas no pensamento do outro e ali ficar, nunca compreenderá o conselho de Wittgenstein: "quero que as pessoas pensem com os seus próprios pensamentos".


     O conselho de Wittgenstein,  nesse caso,  vai mais além do que simplesmente ler os textos e escrever teses de Mestrado e/ ou Doutorado (com todo o respeito, é claro!). Ele nos convida, nos convoca e nos estimula a sermos filósofos: a pensarmos por nós mesmos!