segunda-feira, 7 de julho de 2014

O LIVRO DO MUNDO

 Naquela tarde, o vento soprava convidando-me a arrumar o meu agasalho para não sentir mais frio – afinal, nas áreas verdes de qualquer cidade, o clima torna-se mais frio e desagradável. Naquela friagem e sentado naquele banco a vida convidava-me a senti-la, observá-la. Naquele dia, observava os pássaros pousarem nas árvores. Elas, por sua vez, inclinavam-se e sediam aos sopros dos fortes ventos, promovendo, assim, um assobio agradável e sedutor. Toda essa paisagem seduzia-me e puxava-me, para si, como um imã ao agarrar-se num metal.

Enquanto deixava-me seduzir pelo canto da paisagem, um perdido jornal aterrissou em minhas beges botas com a seguinte chamada: “a vida em sociedade está cada vez mais insegura”. Com o clima gelado, sentado naquele banco de praça, observando aquela cinzenta e encantadora paisagem, nada mais agradável do que ler o livro do mundo onde contém as vitórias e derrotas dos homens – ainda mais de graça!

Ao ler o livro, tomei novamente o conhecimento do quanto a vida é insegura em sociedade e cheguei a seguinte conclusão: o inevitável é a única certeza da vida – onde quer que estejamos! Pois quem esperaria que um garoto de Realengo, Rio de Janeiro, assassinaria mais de dez pessoas numa pequena escola? Diga-me: quem esperaria que três jovens americanas fossem mantidas em cativeiro por um lunático homem há mais de dez anos? Quem esperaria que um atirador de elite que fez um juramento para servir e proteger mataria mais de dez pessoas – dentre elas crianças, jovens e adultos? Quem esperaria que um meteoro caísse na Rússia? Ou, pensaria que sua doce filhinha seria estuprada por um maníaco do parque brasileiro numa manhã, tarde ou noite?

- Ao pausar a leitura, colocar o livro do mundo no pálido banco da praça e acordar para a vida, dei-me conta de que os pássaros não estavam mais no mesmo local e o clima estava definhando. O clima alertava-me de que era hora de ir para casa. Entretanto, o tesão da leitura e as cenas das histórias convidavam-me a permanecer ali, quieto e lendo. Portanto, decidi continuar por mais alguns instantes. Mas, quando virei-me para pegar o jornal, e prosseguir com a minha leitura, o mesmo levantou voo para bem longe, ao passo que não pude mais alcança-lo. Desse modo, concluí que era o momento certo de ir embora, pois o inevitável da vida apresentou-se de maneira simples a mim. Dessa vez, no entanto, não me vou só. Mas, acompanhado da irônica charge do jornal: “o mundo é cercado de perigos e incertezas e se queres segurança e paz, lá não é o melhor lugar”. Pensando bem, nesse caso é melhor seguir o conselho e evitar o pior!

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