sábado, 8 de março de 2014

A FELICIDADE E A TRAGÉDIA: DUAS VELHAS COMPANHEIRAS.

A tragédia e a felicidade caminham juntas. Dependendo do momento da vida, cada uma toma o seu rumo.
Max William.

Por esses dias resolvi espiar um garotinho empinando pipa no playground de meu prédio. Ele corria de lá para cá sedento para que sua pipa subisse e beijasse os ares. No entanto, algo não correspondia as suas expectativas para que sua pipa tocasse os ares e ele se tornasse o garotinho mais feliz da terra.

Mediante as dificuldades, o jovem compreendeu de maneira simples e clara o agir, o trabalhar da natureza: nada plana nos ares se os ventos não soprarem. Assim e sobre os comandos da fúria, ele destroçou a sua pipa e correu rapidamente para seu lar com lagrimas escorrendo através de sua face. Pois a natureza o incomodava de modo a não colaborar para que a sua pipa alcançasse o céu.

Assim como a lida desse pequeno e frágil garoto, a vida humana é cercada por saúde e enfermidade. Felicidade e tragédia. Grandes incômodos e pequenos incômodos. Por fim, diferentes incômodos. Diferentes frustrações, bem como diferentes estados de felicidade. Para alguns garotinhos, como o citado acima, o incômodo dá-se devido à sua pipa não tocar o céu. Para outros pequeninos, não possuir bolas e brinquedos é o suficiente para que a frustração apresente-se e toque o seu doce rosto fazendo com que as lagrimas brotem e escorra por meio do seu rosto sujo de suor misturado com pó.

Distante do mundo infantil e da adolescência, existem desilusões que ferem e oprimem os adultos. Fazem-nos chorar e, às vezes, até adoecer. Por exemplo, uma mãe e um pai que não sabem mais o que fazer com o filho que dá tanto trabalho, bem como a filha que não corresponde à educação que seus pais batalharam para lhe dar, pois resolveu entregar-se ao mundo do “sexo, das drogas e do funck”. Ou talvez uma esposa que se dedicou intensamente ao matrimonio. Porém não foi correspondida. Pelo contrário, recebeu desprezo e tristeza em troca de intensa dedicação. Portanto, jovens e adultos – em algum momento de suas vidas – serão desiludidos e seus olhos perderão – por alguns momentos – o brilho, uma vez que a felicidade trouxer consigo a tragédia.

Algumas desilusões são passageiras e podem ser vencidas com um a delicioso sorvete de chocolate. Outras frustrações são mais resistentes. Para vencê-las, é necessário uma bela sobremesa, tipo um Petit Gateau.

Outras angústias não passam, nem com uma bela noite de amor. Pois são como batidas de martelo em nossas mentes. A morte, por exemplo, é um incomodo que arde sem sessar - para alguns indivíduos.

Para outros, o consumismo que paira sobre o atual século XXI realmente incomoda. Pois leva as pessoas para distantes delas mesmas e suas reais necessidades.

Certa vez tive a oportunidade de ouvir as frustrações de um jovem pastor. No fim da conversa compreendi que as suas indignações e interrogações – em grande parte – no que diz respeito às “atitudes” de Deus – se é que podemos esperar que as atitudes de Deus sejam como nós quisermos – eram as minhas.

Mergulhado no fervor de uma vida pastoral recente, disse: o senhor Jesus nos disse que pela fé curaríamos doentes, expulsaríamos demônios e se comêssemos alimentos envenenados não morreríamos. E mais: paralíticos seriam curados tendo como benefício os seus movimentos corporais. No entanto, nada disso acontece mais. Pode ter ocorrido nos tempos bíblicos. No entanto, hoje não ocorre mais.

Nos noticiários evangélicos, assistimos os suicídios de pastores americanos. Nos telejornais, tomamos conhecimento do quanto pastores brasileiros enganam pessoas com interpretações bíblicas distorcidas de seus devidos contextos. E mais: pastores brasileiros estão contratando profissionais em libras para surdos e mudos participarem dos cultos a Deus.

Não obstante, acrescentou com força e desilusão: onde está Deus quando os seus filhos são enganados por líderes religiosos malandros? Onde ele está para que os cegos não sejam mais curados? Onde está Deus quando crianças são estupradas? Onde está Deus? Onde?

 Não contente com o meu silêncio, o jovem pastor continuou a questionar: Qual a razão para que Deus não se mova mais? Para que Deus não cure os cegos, os aleijados ou os amputados? Qual a razão para que Deus não se intrometa em nossas vidas como nas antigas histórias?

Por longos momentos, às vezes, dedico-me a beijar as pessoas com o meu olhar e, de igual modo, os seus trejeitos. Dedico-me, também, a observar as paisagens e suas transformações. Desse modo, desde que passei a beijar as pessoas com o meu olhar e pensamento, noto que numa grande maioria encontra-se frustrações existenciais diversas - tipico do bicho homem. Assim, no caso de um jovem pastor, não seria diferente. Afinal, a felicidade e as angustias, frustrações ofertadas pela vida são para todos!



Uma vez que percebo-enxergo-compreendo-visualizo a vida através das pessoas, por exemplo, do garoto que se esforça para soltar a pipa, do sofrimento de uma mãe ao tentar educar a sua filha, da conversa com o jovem pastor, concluo: viver é ser – num momento ou noutro – desiludido, frustrado, decepcionado, desencorajado ou até mesmo desencantado. No entanto, a vida sempre reservará uma doce festa e oferecerá como presente, A Felicidade.