domingo, 16 de fevereiro de 2014

OS HOMENS E SUAS CAIXINHAS.

Às vezes, é necessário olhar, pensar e agir fora da caixinha para se tornar adulto.
Max William.

Desde que nos tornamos homo sapiens, achamo-nos no direito de dizer o que é certo e o que é errado; o que é bom e o que é mal; o que se deve ou o que não se deve fazer, bem como o que se deve ou não seguir.

Em grande parte, a razão humana instalou a ORDEM com consistência e coerência. Pois, um mundo sem leis se tornaria a casa da mãe Joana – como diz o velho ditado popular.

No entanto, há de se concordar, também, com o filósofo do século XVII, Thomas Hobbes, que um mundo sem leis e totalmente entregue às forças e às vontades humanas, terminaria numa “guerra de todos contra todos”.

No entanto, colocaram – não sabemos quem exatamente – ordem demais no barraco – como diz a gíria popular. Colocaram ordem demais nos barracos de modo a impor diversas caixinhas e para diversos indivíduos entrarem.

Há tantas caixinhas para os indivíduos entrarem que basta qualquer indivíduo soltar gases para alguém se levantar de onde se encontra para dizer: não peide assim, peide assado!
Olhando para o passado mais distante e com algumas teorias para nos apoiar, notamos que o ser humano nasce de uma mulher, cresce, torna-se adulto, alcança a velhice e, por fim, morre.

Entretanto, ao longo de toda essa trajetória, o homem aperfeiçoa-se e cria – para si – instrumentos de sobrevivência. Um dos instrumentos criados para saciar a sua necessidade corporal foi a ROUPA.

As vestes supriram as necessidades humanas no que diz respeito ao frio, ao calor e à chuva. Entretanto, se foi o tempo em que nos preocupávamos puramente com as necessidades – sejam elas quais forem.

No século XXI, é necessário proteger-se. Mas antes de tal proteção, é necessário CLASSE, ETIQUETA, bem como GLAMOUR. Pois os indivíduos que não acompanharem o mínimo de tais figurinos (caixinhas) serão considerados bregas, cafonas, antigos e antiquados. Para não ser tudo o que considerado NEGATIVO para os indivíduos chiques de nosso século XXI, basta aceitar e entrar às caixinhas que os próprios homens constroem para si e para os demais.

Não há apenas um padrão de caixinha-regra. Há diversas e, inclusive, para todos os gostos e todas as idades.

Por esses dias, dediquei-me a assistir um debate onde havia pensadores de diversas áreas debatendo religião; inclusive um ateu – aquele que não considera a existência dos DEUSES ou de DEUS.

Interessante que no tal debate, bem como em tantos outros momentos e lugares, o ateu foi desqualificado por simplesmente ser o que se é: ATEU.

Ora, optar por ser católico, protestante, candomblecista e budista – segundo a roda chique – era aceitável. Mas optar pelo ateísmo, não! Sequer numa roda de pessoas “chiques e inteligentes”. Regra, estupidez ou não aceitação do comum? 

É necessário – para ser aceito e não jogado para escanteio – “aceitar” uma das caixinhas-regrinhas impostas pela sociedade. Pois, caso contrário, lide com as consequências, por exemplo, de ser ateu, negro, “amarelo”, gordo, magrelo, gay, solitário, “verde”, crente, budista ou até mesmo testemunha de Jeová.

Ora, não são apenas os ateus que sofrem devido às suas escolhas. Mas, também, os gays – e fique claro que ser gay não é uma opção, bem como ser negro, também, não o é!
Num determinado momento da história – sobretudo americana – os negros não podiam sentar-se em bancos de brancos. No entanto, o mecanismo modificou-se: hoje, gays não podem caminhar livremente por ruas e avenidas, pois senão recebem lâmpadas nas faces em forma de presentes.

É devido às caixinhas-regrinhas sociais que negros, magrelos, gordos, “amarelos, verdes”, crentes, budistas entre outros, aderem a comunidades divididas de um todo. E assim, migram-se – numa grande maioria – para o submundo, para as “trevas”; pois lá se tornaram – pela não aceitação do “diferente” - seus lugares. E não no meio de pessoas “normais”. O que é normal? Uma soma de números publicados pelo IBGE?

São tantas caixas-regras, mas tantas que se nos dedicássemos a escrever sobre os pré-conceitos humanos – inclusive os meus –, isto é, de como fazer isso e não aquilo não caberia nas folhas sulfites a4 dos computadores – que por sinal, são infinitas.


De modo geral, penso que deveríamos voltar e repensar A Declaração Universal dos Direitos Humanos, constituída no século XX, para fugirmos de algumas caixinhas – sejam elas quais forem.

3 comentários:

  1. só nesse texto,tem conteúdo pra mais de uma semana de aula uaehauheuaheuh
    mto bom

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  2. Obrigado por ler o texto Caique. Não sei se tem para uma semana toda. Mas há pensamentos-lições para toda a nossa vida. Inclusive para a minha, para a sua e uma "porção" de pessoas. Nos vemos em sala. Abraço e bom fim de semana.

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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