sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

HOMENS DE DEUS SÃO HOMENS

Homens recebem esse nome justamente pelas suas atitudes não angelicais.

O suicídio é uma porta cujo outro lado desconhecemos.
Max William

No dia 08 de dezembro de 2013, o programa Fantástico – da rede Globo de televisão – exibiu uma reportagem sobre o Padre Marcelo Rossi e as dificuldades que o mesmo vem enfrentando após um acidente num dia comum.
De acordo com a reportagem exibida, Rossi sempre se preocupou com a sua saúde desde a adolescência. No entanto, devido à agitação do dia-a-dia, Rossi havia se descuidado de sua saúde e engordado. Por esse fator, o Padre decidiu acabar com o incomodo de uma vida não saudável e dedicar-se diariamente aos exercícios físicos. Num dia comum de exercícios físicos em sua esteira, Marcelo Rossi acabou se descuidando e caindo da mesma provocando um acidente. Um deslize fez com que Rossi ficasse, pelo menos, seis meses de cadeira de rodas.
Esse espaço de tempo não foi tranquilo e em paz, para Marcelo Rossi. Pois com a obrigação de estar sobre a cadeira de rodas, veio a doença que a maioria das pessoas não acredita e sequer espera, a depressão.
De acordo com a reportagem, Rossi faz parte dessa maioria uma vez que não acreditou que ele poderia sofrer dessa doença que atinge uma parte significativa de nossa sociedade do século XXI.
Após se levantar da cadeira de rodas e ainda estar depressivo, Rossi decidiu diminuir ainda mais sua alimentação para emagrecer. Assim, entrou numa dieta doida onde comia uma porção de salada e dois hambúrgueres por dia. Assim, logo emagreceu de modo a sua aparência preocupar seus colegas e seus fiéis por estar com alguma doença grave e não querer compartilhar com os demais.
Há essa altura, colega leitor, você talvez deva perguntar-se: como o padre Marcelo Rossi, um homem de Deus, é tão vaidoso aponto de praticar excessivamente exercícios físicos, cair da esteira e entrar em depressão? Ainda mais, não acreditar nela? Como isso é possível?
Essas perguntas não seriam necessárias e sequer ficaríamos espantados com a reportagem exposta - pelo Fantástico acerca da vida de Rossi - se não depositássemos esses líderes e serventes de Deus em pedestais. Nos lugares mais altos e profundos de nossas almas. Visse-os como os santos dos santos. Pois antes mesmos deles serem líderes e homens separados para Deus, eles são homens
Desse modo, se trocarmos nossas visões acerca deles, se nos abrirmos para compreendê-los como homens e que estão condicionados – em algum momento de suas vidas – ao erro, ao agir de modo contrário ao que esperávamos, não ficaríamos espantados com os seus erros ou diferentes opções por se relacionarem ou agirem. Afinal, os homens de Deus são homens, demasiadamente homens.
Se não modificarmos nossas visões, compreensões e interpretações acerca desses líderes e, portanto, compreender que eles são – antes de tudo – homens, nunca entenderemos que o próprio suicídio - fracasso -faz parte da vida e, portanto, não julgaríamos a atitude do religioso, teólogo e judeu escritor Myer Pearlman – escritor do livro Através da Bíblia Livro por Livro – por se suicidar devido à desentendimentos em sua vida.
Se não modificarmos as nossas perspectivas acerca desses líderes e serventes de Deus e não compreender que eles são puramente homens, não julgaremos o teólogo, como também não acusaremos o filósofo do século XX, cujo nome é Gilles Deleuze, por, também, ter se suicidado devido à descoberta de um câncer que levaria de qualquer modo a sua morte.

Portanto, antes mesmo de sermos lideres importantes e serventes de Deus, somos todos homens, logo condicionados a – em algum momento de nossas vidas – errar e ir contrário as expectativas dos outros.

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