sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

A DIFICULDADE DE SER DISCÍPULO.

Discípulo é somente aquele que diz amém ou o que vai além de seu mestre?
Max William

Por muitos meses o canal de televisão Futura apresentou uma propaganda cujo assunto era: o que move o mundo são as perguntas e não as respostas. De acordo com a proposta desse comercial, há em nossa natureza humana um profundo desejo de indagar as coisas. De querer conhecer as coisas. De procurar desvendar as lacunas mistérios da natureza que nos rodeia. É devido ao desejo de desvendar as coisas que brota as perguntas.

No entanto, percebe-se que para algumas instituições, por exemplo, as religiosas, que as perguntas foram apagadas e transformadas numa grande bacia de concordâncias. Portanto, em: amém, assim seja ou seja feita a sua vontade, assim na terra como no céu.

A concordância exagerada nunca nos permitirá crescer. Portanto, nunca nos tornaremos maiores de idade; nunca pensaremos por nós mesmos e, talvez, nunca ousaremos a independência intelectual. Mas – para o discípulo – o certo é que ele receberá um grande e almejado título e, mais, ele virá com louvor. Serás graduado em ser apenas: bom discípulo.

Distante de apenas receber tal título, é necessário fazer valer a proposta do comercial e reacender o desejo e o fervor das perguntas. Pois somente assim conseguiremos notar as dificuldades de ser um bom discípulo, um bom exemplo, isto é, de executar o grande e penoso mandamento: "faça isso e não faça aquilo". Ou a impossível ordem de Jesus: “amai o seu próximo como a ti mesmo””. Desse modo, vamos às perguntas, depois retornaremos a essa pequena máxima de Jesus e a impossibilidade de sua execução.

Quem realmente consegue ser espelho e com louvor do mestre Jesus em pleno século XXI? Quem realmente consegue fazer dos passos de Jesus, os seus? Quem, de fato, consegue tornar-se os passos de Jesus numa sociedade cujo titulo é consumo? Quem consegue – sem pestanejar – ter doze amigos maltrapilhos, sem deixa-los para trás rapidamente e ir em busca dos “melhores amigos”? Quem consegue ser portador do: não me incômodo facilmente, pois sou manso e humilde de coração? Quem consegue seguir o cruel mandamento: ame o seu próximo como a ti mesmo sem sequer se perguntar: será que consigo? Será que consigo por em prática essa ordem? Será que a entendi?

Se compreendermos as interrogações acima e aceitarmos, de fato, que elas possuem alguma coerência, então perceberemos as dificuldades de sermos discípulos, inclusive de Jesus.

Há uma maioria que não concordará com a minha reflexão sobre a impossibilidade de seguir o principal mandamento que perpassa séculos. Pois Jesus nos joga contra nós mesmos, nos viola e nos confronta profundamente, com seu mandamento. De que maneira, você, caro leitor, perguntaria?

Para se responder tal questão, é necessário fazer – em primeiro lugar – outra. Ela é, de que maneira deveria interpretar o mandamento ame o seu próximo como a ti mesmo? É necessário ir por partes. Pois ouso dizer que não conseguimos conceituar o que é o amor de maneira simples, mesmo que o poeta diga que o amor é fogo que arde sem cessar.

Mas, de acordo com a vida de Jesus – narrada pelos evangelhos – pode-se afirmar que o amor é uma atitude benéfica para com o seu próximo e não simplesmente uma reflexão poética, filosófica ou teológica. É mais profundo! Pois é ai que reside o problema e a dificuldade de ser discípulo do ser nascido entre as ovelhas, as cabras, os capins e as galinhas. Assim, siga o seguinte raciocínio tendo em vista o mandamento: ame o outro como se fosse você.

Desse modo, amar-se é cuidar de si mesmo. É lavar seu corpo com cuidado e carinho. É comer as melhores comidas para que seu corpo fique forte e resista às doenças. É querer ter as melhores roupas e casas. É não querer adoecer e mover mundos e fundos para que você e a doença não se encontrem. Por fim, é querer fazer tudo para conservar a si mesmo. Seja honesto consigo mesmo, qual o indivíduo - em nosso século - que quer tudo o que foi dito acima - para o outro - sem reservas?

Segundo essa perspectiva e após tê-la compreendido, quem ousa seguir a ordenação do mestre? É, pois, possível seguir o mandamento com leveza? Na moral, como diz o linguajar de nossos tempos? Possível ou não, fica ao critério de cada leitor. O fato é que cada indivíduo pode ousar tentar. Portanto: tentar ou não, eis a questão!

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