quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

DEUS: CRIADOR OU CRIATURA?

Deus, fruto de um momento!
Max William

O cristianismo, o budismo, o islamismo e todas as outras religiões vivas consideram a existência de Deus de modo inquestionável. No entanto, penso que seja necessário investigar – mesmo de modo simples - o conceito DEUS. Pois, as religiões o expõem como existente, consistente e o fundamento do mundo. Entretanto, agora e tão somente agora é o momento de dar um passo atrás e investigar o conceito DEUS por meio de informações extraídas da vida e tendo como base a seguinte pergunta: qual a razão para que DEUS se faça presente na vida humana?

No dia 13 de Janeiro, o programa de televisão HOJE EM DIA - da Rede Record de Televisão - exibiu uma reportagem sobre cidadãos brasileiros que sofreram, sofrem e poderão sofrer com a doença câncer. E o que a mesma pode causar em suas vítimas. De acordo o que foi exibido pela reportagem, os sintomas da doença são variados. Entre eles há depressão, solidão, desespero, arrogância e carência.

Há posicionamentos contrários, mas a doença é uma da grande catapulta para se chegar a DEUS ou para desejar o GRANDE SER. Isso porque o indivíduo doente não gostaria de passar por tal problema de saúde. Mas como tal fator não depende apenas de si mesmo, foge de si em busca de refúgio. Seja para curá-lo ou - caso a primeira opção não ocorra - para ter uma vida de paz além de nossa simplória existência. 

Nesse sentido, Deus nasce da negação brutal da doença. Deus se faz presente a partir das doenças. Deus se faz existência a partir da solidão. Talvez esse primeiro pensamento seja apenas um exemplo para a resposta da pergunta acima.

Entretanto, Deus não nasce ou se faz existência somente a partir do desespero, da doença. Mas também do momento de alegria. Para deixar o ano de 2013 e adentrar ao novo ano de 2014, resolvi – junto de minha noiva – ir ao sítio de seus pais localizado na cidade de Ibiúna – interior de São Paulo.

Diferente da grande São Paulo, Ibiúna quase não tem poluição. Assim, pode-se visualizar o céu limpo pelas manhãs e sentir o vento soprando de lá para cá. Aliás, quase toda a tarde pode-se desfrutar de uma paisagem linda e que se renova dia-após-dia. Em alguns dos dias que estive no interior, deparei-me com uma paisagem de abrir a boca. O dia estava fresco, as nuvens estavam como que explodindo no céu com uma mistura de cores que encantava qualquer pessoa. Sendo assim, floresceu a seguinte pergunta: como isso aconteceu, de que modo todas essas coisas se formaram? Que mistério! Isso é coisa de Deus?

Não se pode afirmar que toda essa beleza é fruto das mãos de Deus. Porém, também não é possível dizer que não é!
 
O fato é que Deus se fez presença e existência naquele momento - como em tantos outros. Talvez essa seja uma segunda razão para responder a questão por que DEUS se faz presente na vida humana?

Distante dos momentos de dor e de alegria, há momentos que a presença do Ser sobrenatural brota e com muita força para alguns.

Fui a poucos funerais. Da para contar nos dedos de uma única mão. Dentre os poucos, fui ao velório de meu biológico pai. Fiquei horas naquela sala e me notei frio, chorando e assustado. Não sabia qual a razão daquela mistura de sensações, pois durante toda a minha infância não tive contato com aquele ser pálido que repousava naquele esquife marrom.

No entanto, das mais variadas lembranças que tenho desse funeral, é a pergunta: para onde ele vai agora? Não conseguia responder – assim como a maioria dos indivíduos não conseguem respondê-la na atualidade. Pois responder a pergunta para onde vamos(?), é um problema tão antigo quanto o mundo. O fato é que devido aquele problematico momento, deparei-me com mais uma pergunta: será que há algo depois da morte? Será que há realmente o papai do céu que tantos falam?

Em mais um simples-problemático momento – como em tantos outros – o Ser sobrenatural se apresentou, se fez presença e existência para a vida. Para a minha vida. Ou, se pode pensar, caro leitor, que o ser sobrenatural cujo conceito é DEUS ganhou vida devido à dor, à alegria e ao desespero despertado por momentos da vida de muitas pessoas, inclusive da minha? Portanto, DEUS é criador ou criatura? Criamos Deus devido aos momentos de fracasso, alegria e espanto? Ou Ele se apresenta a nós por meio desses e outros tantos momentos da vida? Faça a sua escolha!

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

A DIFICULDADE DE SER DISCÍPULO.

Discípulo é somente aquele que diz amém ou o que vai além de seu mestre?
Max William

Por muitos meses o canal de televisão Futura apresentou uma propaganda cujo assunto era: o que move o mundo são as perguntas e não as respostas. De acordo com a proposta desse comercial, há em nossa natureza humana um profundo desejo de indagar as coisas. De querer conhecer as coisas. De procurar desvendar as lacunas mistérios da natureza que nos rodeia. É devido ao desejo de desvendar as coisas que brota as perguntas.

No entanto, percebe-se que para algumas instituições, por exemplo, as religiosas, que as perguntas foram apagadas e transformadas numa grande bacia de concordâncias. Portanto, em: amém, assim seja ou seja feita a sua vontade, assim na terra como no céu.

A concordância exagerada nunca nos permitirá crescer. Portanto, nunca nos tornaremos maiores de idade; nunca pensaremos por nós mesmos e, talvez, nunca ousaremos a independência intelectual. Mas – para o discípulo – o certo é que ele receberá um grande e almejado título e, mais, ele virá com louvor. Serás graduado em ser apenas: bom discípulo.

Distante de apenas receber tal título, é necessário fazer valer a proposta do comercial e reacender o desejo e o fervor das perguntas. Pois somente assim conseguiremos notar as dificuldades de ser um bom discípulo, um bom exemplo, isto é, de executar o grande e penoso mandamento: "faça isso e não faça aquilo". Ou a impossível ordem de Jesus: “amai o seu próximo como a ti mesmo””. Desse modo, vamos às perguntas, depois retornaremos a essa pequena máxima de Jesus e a impossibilidade de sua execução.

Quem realmente consegue ser espelho e com louvor do mestre Jesus em pleno século XXI? Quem realmente consegue fazer dos passos de Jesus, os seus? Quem, de fato, consegue tornar-se os passos de Jesus numa sociedade cujo titulo é consumo? Quem consegue – sem pestanejar – ter doze amigos maltrapilhos, sem deixa-los para trás rapidamente e ir em busca dos “melhores amigos”? Quem consegue ser portador do: não me incômodo facilmente, pois sou manso e humilde de coração? Quem consegue seguir o cruel mandamento: ame o seu próximo como a ti mesmo sem sequer se perguntar: será que consigo? Será que consigo por em prática essa ordem? Será que a entendi?

Se compreendermos as interrogações acima e aceitarmos, de fato, que elas possuem alguma coerência, então perceberemos as dificuldades de sermos discípulos, inclusive de Jesus.

Há uma maioria que não concordará com a minha reflexão sobre a impossibilidade de seguir o principal mandamento que perpassa séculos. Pois Jesus nos joga contra nós mesmos, nos viola e nos confronta profundamente, com seu mandamento. De que maneira, você, caro leitor, perguntaria?

Para se responder tal questão, é necessário fazer – em primeiro lugar – outra. Ela é, de que maneira deveria interpretar o mandamento ame o seu próximo como a ti mesmo? É necessário ir por partes. Pois ouso dizer que não conseguimos conceituar o que é o amor de maneira simples, mesmo que o poeta diga que o amor é fogo que arde sem cessar.

Mas, de acordo com a vida de Jesus – narrada pelos evangelhos – pode-se afirmar que o amor é uma atitude benéfica para com o seu próximo e não simplesmente uma reflexão poética, filosófica ou teológica. É mais profundo! Pois é ai que reside o problema e a dificuldade de ser discípulo do ser nascido entre as ovelhas, as cabras, os capins e as galinhas. Assim, siga o seguinte raciocínio tendo em vista o mandamento: ame o outro como se fosse você.

Desse modo, amar-se é cuidar de si mesmo. É lavar seu corpo com cuidado e carinho. É comer as melhores comidas para que seu corpo fique forte e resista às doenças. É querer ter as melhores roupas e casas. É não querer adoecer e mover mundos e fundos para que você e a doença não se encontrem. Por fim, é querer fazer tudo para conservar a si mesmo. Seja honesto consigo mesmo, qual o indivíduo - em nosso século - que quer tudo o que foi dito acima - para o outro - sem reservas?

Segundo essa perspectiva e após tê-la compreendido, quem ousa seguir a ordenação do mestre? É, pois, possível seguir o mandamento com leveza? Na moral, como diz o linguajar de nossos tempos? Possível ou não, fica ao critério de cada leitor. O fato é que cada indivíduo pode ousar tentar. Portanto: tentar ou não, eis a questão!

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

HOMENS DE DEUS SÃO HOMENS

Homens recebem esse nome justamente pelas suas atitudes não angelicais.

O suicídio é uma porta cujo outro lado desconhecemos.
Max William

No dia 08 de dezembro de 2013, o programa Fantástico – da rede Globo de televisão – exibiu uma reportagem sobre o Padre Marcelo Rossi e as dificuldades que o mesmo vem enfrentando após um acidente num dia comum.
De acordo com a reportagem exibida, Rossi sempre se preocupou com a sua saúde desde a adolescência. No entanto, devido à agitação do dia-a-dia, Rossi havia se descuidado de sua saúde e engordado. Por esse fator, o Padre decidiu acabar com o incomodo de uma vida não saudável e dedicar-se diariamente aos exercícios físicos. Num dia comum de exercícios físicos em sua esteira, Marcelo Rossi acabou se descuidando e caindo da mesma provocando um acidente. Um deslize fez com que Rossi ficasse, pelo menos, seis meses de cadeira de rodas.
Esse espaço de tempo não foi tranquilo e em paz, para Marcelo Rossi. Pois com a obrigação de estar sobre a cadeira de rodas, veio a doença que a maioria das pessoas não acredita e sequer espera, a depressão.
De acordo com a reportagem, Rossi faz parte dessa maioria uma vez que não acreditou que ele poderia sofrer dessa doença que atinge uma parte significativa de nossa sociedade do século XXI.
Após se levantar da cadeira de rodas e ainda estar depressivo, Rossi decidiu diminuir ainda mais sua alimentação para emagrecer. Assim, entrou numa dieta doida onde comia uma porção de salada e dois hambúrgueres por dia. Assim, logo emagreceu de modo a sua aparência preocupar seus colegas e seus fiéis por estar com alguma doença grave e não querer compartilhar com os demais.
Há essa altura, colega leitor, você talvez deva perguntar-se: como o padre Marcelo Rossi, um homem de Deus, é tão vaidoso aponto de praticar excessivamente exercícios físicos, cair da esteira e entrar em depressão? Ainda mais, não acreditar nela? Como isso é possível?
Essas perguntas não seriam necessárias e sequer ficaríamos espantados com a reportagem exposta - pelo Fantástico acerca da vida de Rossi - se não depositássemos esses líderes e serventes de Deus em pedestais. Nos lugares mais altos e profundos de nossas almas. Visse-os como os santos dos santos. Pois antes mesmos deles serem líderes e homens separados para Deus, eles são homens
Desse modo, se trocarmos nossas visões acerca deles, se nos abrirmos para compreendê-los como homens e que estão condicionados – em algum momento de suas vidas – ao erro, ao agir de modo contrário ao que esperávamos, não ficaríamos espantados com os seus erros ou diferentes opções por se relacionarem ou agirem. Afinal, os homens de Deus são homens, demasiadamente homens.
Se não modificarmos nossas visões, compreensões e interpretações acerca desses líderes e, portanto, compreender que eles são – antes de tudo – homens, nunca entenderemos que o próprio suicídio - fracasso -faz parte da vida e, portanto, não julgaríamos a atitude do religioso, teólogo e judeu escritor Myer Pearlman – escritor do livro Através da Bíblia Livro por Livro – por se suicidar devido à desentendimentos em sua vida.
Se não modificarmos as nossas perspectivas acerca desses líderes e serventes de Deus e não compreender que eles são puramente homens, não julgaremos o teólogo, como também não acusaremos o filósofo do século XX, cujo nome é Gilles Deleuze, por, também, ter se suicidado devido à descoberta de um câncer que levaria de qualquer modo a sua morte.

Portanto, antes mesmo de sermos lideres importantes e serventes de Deus, somos todos homens, logo condicionados a – em algum momento de nossas vidas – errar e ir contrário as expectativas dos outros.