terça-feira, 9 de dezembro de 2014

PREFEITO FERNANDO HADDAD, EDUCAÇÃO E PAPAI NOEL.

         Há escolas que são gaiolas. Mas, há escolas que são asas.
Rubem Alves.

         Como todo o final de ano, o clima natalino e o espírito da fraternidade ressurgem. E, Juntamente dele, acompanha o espírito agradável e num tanto fantasioso do nosso velho mais querido: o Papai Noel. Com o seu trenó e as suas renas, o bom velhinho vem distribuir os presentes para os pequeninos que foram educados, comportados e que se dedicaram ao longo de todo o ano. Mas, dessa vez, o Papai Noel achou por bem não presentear dois garotinhos-crescidos que aprontaram. Eles são Fernando Haddad e Cesar Callegari.
          A julgar pelos seus atos, "faz tempo" que não ganham presentes! Pois, tornarem-se meninos-adultos desagradáveis e displicentes no que diz respeito aos seus atos. Os meninos, assim, tornaram-se homens! E, desse modo, alcançaram cargos públicos de prestigio e importância. Fernando Haddad, por exemplo, é o atual prefeito do estado de São Paulo. Já Cesar Callegari, é o nosso atual secretário da Educação. É necessário ressaltar que, às vezes, eles são incompetentes em suas ações frente ao nosso Estado e às pessoas que nele moram.
         Entretanto, quais foram as suas traquinagens para não receberem o presente do velho de barba branca e serem ridicularizados pela população paulistana? No dia 9 de dezembro de 2014, o nosso atual prefeito, em uma nota ao jornal FOLHA, afirmou que as escolas - de modo geral, Ensino Fundamental e Médio - deveriam aprovar os alunos mesmo mediante ao não alcance das médias estabelecidas pela legislação! Ou seja, devemos aprovar os alunos mesmo se eles tirarem - em suas respectivas avaliações - a famosa nota vermelha! "Ler tal nota é semelhante a tomar um soco no estômago", afirma professor da rede pública do Estado de São Paulo.

       No caso do secretário municipal da educação, não foi diferente! Pois, o mesmo, também, fez uma afirmação semelhante. Talvez, no conjunto da proposta, mudasse apenas algumas vírgulas e pontos - que, de maneira geral - não muda a afirmação em seu todo.

As afirmações de ambas as autoridades demonstram, claramente, o fracasso da nossa educação brasileira. E demonstra, também, o quanto ela continuará escorrendo para o ralo do fracasso. 
           Pois, se os professores da rede estadual devem aprovar os alunos mesmo mediante à nota vermelha, estamos assinando um atestado de burrice e, por sua vez, de país: subdesenvolvido! Assinar esse atestado não é o único problema. 

O problema é como essas as pessoas e as suas ações "mal educadas" refletirão em nossa sociedade - que por sinal, é um doce em seus dados de criminalidade. Assim, pense no seguinte problema: imaginem um garoto do subúrbio X, mal educado (com um Estado que ainda Ajuda) e sem oportunidades! Qual a probabilidade das atitudes desse mesmo garoto acabar em desastre perante a sociedade devido a uma péssima educação? O senso comum responderia: total!!!
       Porém, o fato é que não dá para saber. Para responder a essa questão, não é permitido ser preconceituoso e tendencioso. Pois, as pessoas são diferentes. E, por isso, esse garoto (X) pode contrariar as estatísticas e as deduções lógicas.
Porém, quando se trata de política pública e ela diz respeito à educação, não podemos nos prender no achismo. Isto é: "de repente ele se tornará um cidadão do bem, civilizado ou mal civilizado, criminoso". Os políticos devem ficar longe da aposta, mas se fiar no direito à Educação que todos os indivíduos brasileiros (estrangeiros, também) possuem por lei - basta recorrer à LDB (Leis de Diretrizes e Bases).

       De acordo com as afirmações dos líderes do Estado, podemos concluir que a educação pública está - está em seu cenário geral - condenada, a cada dia, ao fracasso: simplesmente pela nota vermelha? Não! Pelo que decorre da má educação! O que decorre da educação? Platão, um dos filósofos mais conceituados da tradição filosófica, afirmou em sua obra A República que a decorrência da má educação é o mal!
        Por isso e tão somente por isso - façamos um gracejo -, os líderes da nossa São Paulo não merecem ganhar - pelo menos, esse ano - seus devidos presentes. Pois, estão deixando de cuidar corretamente do nosso bem supremo: A educação! Portanto, ho, ho, ho, para Fernando Haddad e Cesar Callegari, o Papai Noel, não chegou!!!

domingo, 7 de dezembro de 2014

LIVRE PENSADOR!

         Lembro-me - quando fazia graduação em Filosofia na Universidade São Camilo - da discussão entre dois colegas de turma no que diz respeito a não haver nada de novo a ser pensado por nós simples mortais - ou melhor, novos estudantes. Pois - da Filosofia Pré-socrática à Filosofia Contemporânea - tudo já foi (re)pensado pelas mentes mais nobres da história filosófica. Um dos alunos defendia ferozmente a ideia de que os aspirantes a filósofos deviam pensar por conta própria e ter como fundamento: exclusivamente a si.

      O outro,  em contrapartida, discordava de tal ideia e (re)afirmava que tudo já foi pensado e não havia nada de novo a ser pensado por qualquer outro homem. E, portanto, deveríamos nos render aos estudos das obras dos filósofos mais eminentes da história da Filosofia.
A julgar pelas duas questões: estamos numa sinuca de bico! Pois,  se considerarmos a posição do primeiro aluno, pensaremos exclusivamente por nós mesmos. Mas, se considerarmos a do outro: seremos apenas estudantes de textos. Não que a segunda posição seja desagradável. Porém, a pergunta de quando nos tornaremos pensadores(?) vem à superfície da vida como uma avalanche poderosa.

    Ora,  o que os filósofos mais nobres da contemporaneidade diriam sobre essa discussão? Nietzsche e Schopenhauer foram filósofos gênios. Ambos tornaram-se filósofos às suas custas. Certa vez Nietzsche disse que o seu nome seria lembrado como o maior divisor de pensamentos da história. E é! Pois, ele tornou-se um dos maiores responsáveis por criticar a principal religião do mundo: o cristianismo. E sozinho!

      Schopenhauer, numa discussão com a sua mãe afirmou que o seu nome seria lembrado para todo o sempre; enquanto o dela - por escrever romances - seria esquecido na próxima geração. No caso de Schopenhauer, seu nome é avivado até os dias atuais. No que diz respeito à sua mãe, não se pode dizer o mesmo. No Olimpo dos filósofos, Schopenhauer fundou a sua filosofia da Vontade. E, “por isso”, foi aclamado.

   Tanto um como o outro, tornaram-se admiráveis pensadores no meio acadêmico-intelectual. Mas, a pergunta é: "exclusivamente pelos seus méritos?" Em matéria de esforço intelectual, sim. Mas, no que diz respeito às suas ideias, não. André Conte-Sponville certa vez afirmou: "Filosofar é pensar por conta própria; mas só se consegue fazer isso de um modo válido apoiando-se primeiro no pensamento dos outros, em especial dos grandes filósofos do passado".


      Portanto, podemos concluir que Nietzsche, bem como Schopenhauer não aprenderam a filosofar por conta própria. Pois, receberam caminhos e alternativas para se tornarem o que são hoje: filósofos requisitados e admiráveis. Sendo assim, podemos retornar à discussão de meus colegas – de turma – e afirmar que eles estão equivocados em suas ideias. O primeiro,  por querer ser seu único e suficiente fundamento. O segundo, por querer regressar ao período medieval e ler exclusivamente os escritos dos que alcançaram o título de filósofos.


    Assim, podemos chegar a uma única e suficiente conclusão: podemos nos tornar pensadores "independentes" nos baseando na reflexão dos outros! E isso é maravilhoso! Haja vista que se determinado indivíduo quiser se basear apenas no pensamento do outro e ali ficar, nunca compreenderá o conselho de Wittgenstein: "quero que as pessoas pensem com os seus próprios pensamentos".


     O conselho de Wittgenstein,  nesse caso,  vai mais além do que simplesmente ler os textos e escrever teses de Mestrado e/ ou Doutorado (com todo o respeito, é claro!). Ele nos convida, nos convoca e nos estimula a sermos filósofos: a pensarmos por nós mesmos!

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

CINEMA, IGREJA CATÓLICA E ANABELLE

         De acordo com a história da fantasmagoria, qualquer fenômeno paranormal que ocorresse fora do campo da normalidade na história das sociedades - antigas ou modernas -  notava-se a presença da Igreja católica para controlar e solucionar tais fenômenos.
       No entanto, tais atitudes deixaram de ser um fato e uma verdade na atualidade,  visto que a Igreja católica tem demonstrado menos rigor e mais diálogo, menos autoritarismo e mais liberdade no que diz respeito a alguns assuntos que outrora, sequer mencionava! Por exemplo,  torna-se mais frequente, por parte da Igreja, as discussões sobre homossexualidade, sobre pedofilia,  sobre o casamento de casais não abençoados/ reconhecidos/ ungidos diretamente pela Igreja. Sem contar  o frequente diálogo e uso dos veículos de comunicações modernos, tipo Twitter, Facebook, Skip entre outros; que outrora era um assombroso fantasma que lhe ameaçava.
        Devido a esses posicionamentos liberais da Igreja Católica,  sobretudo por Parte do atual Papa Francisco, diz-se que a Igreja Católica está perdendo a sua autoridade religiosa, conquistada ao decorrer dos séculos,  em relação aos fieis mais conservadores. Pois a Igreja - ao que parece - está passando por um processo de revolução onde paradigmas antigos estão sendo quebrados para que a Igreja receba roupas novas e "limpas".
      Não seria incorreto esperar que essas discussão migrassem para outras áreas da comunicação e formação de opinião - no caso, o Cinema. 
      A perda de autoridade da Igreja Católica não se restringe somente à opinião dos fiéis mais fervorosos, mas, também, aos  cineastas que - sutilmente - propõem tais discussões acaloradas em seus filmes.
       Essa foi a ideia do diretor  John R. Leonetti, junto de seus amigos e produtores James Wan e Piter Safran - cujo trabalho rendeu muito dinheiro e alcançou os topos das bilheterias, inclusive, no Brasil - no filme de terror Anabelle. Para clarear mais as ideias sobre o filme, segue a sinopse do filme escrito por ADOROCINEMA: Um casal - Mya e John – prepara-se para a chegada de sua primeira filha e compra para ela uma boneca. Quando sua casa é invadida por membros de uma seita, o casal é violentamente atacado e a boneca, Anabelle, se torna recipiente de uma entidade do mal.
       Como toda sinopse - propositalmente - não informa-nos muito. Por isso, é necessário seguir ao cinema e assistir o filme. Sendo assim, onde estaria, portanto, a discussão acalorada proposta pelo filme? Ela está no fato de que não é mais a Igreja Católica que acaba com o mal em ambos os filmes - Invocação do mal e Anabelle -, mas, sim, um casal de paranormais.
       Os produtores, por sua vez, queriam demonstrar, ocultamente, que o poder, a autoridade da Igreja Católica, está se perdendo? Que não cabe mais a Ela o poder de lutar contra o mal, contra o Diabo? Que não cabe mais a Ela o poder de discernir o que é o bem e o que é o mal? 
       É importante compreender que tal resposta não é fácil, muito menos simples. Por isso mesmo, será escrito aqui apenas o que nos transmiti o filme. Portanto, o mesmo nos conduz a  sutíl ideia de que a Igreja Católica não tem mais autoridade, muito menos espiritual!

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

A DOCE OFERTA.

Quando criança tinha diversos sonhos. Me tornar um grande e notável bombeiro. Me tornar um corajoso policial. E, também,  me tornar um conhecido e renomado astronauta. Esse,  no entanto,  era o meu principal sonho. Ir à lua, observar tudo distante da terra e ver o quanto ela é pequenina de outro ponto de vista. Era para ser incrível!
Esse especial sonho de tornar-me astronauta,  porém,  foi brutalmente interrompido por um trágico acidente de carro e que deixou-me sentindo os sopros dos ventos de um ponto de vista baixo. Era noite de verão e decidi sair com alguns amigos para aliviar o calor e, aproveitar,  para me divertir. Todos nós marcamos na avenida Jean Paul Sartre, no bar do existencialismo. Como de costume. Assim, pus-me à caminho do bar. Como estava calor e sem trânsito,  decidi acelerar o carro para sentir o vento, com força,  bater em meu rosto naquela inabitável rua.
Todos os vidros estavam rebaixados e a sensação do vento soprando com força era de extrema liberdade. Ninguém poderia, naquele momento, deter-me. Nem a polícia! Eu era o comandante, o dono da minha vida. Eu era o  responsável pelo que, naquela rua,  cativava. Mas, até virar à esquerda e entrar à rua Fonte das Lágrimas. Diversas vezes passei naquela rua e nunca refleti sobre aquele nome. No entanto, quando, pela primeira vez,  comecei a pensar sobre aquele nome,  já era tarde de mais e estava paraplégico!
Foi naquele frio hospital, pela primeira vez, que acalmei meus ânimos e dei-me conta de que tinha acabado para mim. A aceleração dos motores,  deram lugar à forçada meditação budista. Pois,  segundo os médicos,  aquela seria a minha condição existencial para toda a vida! 
Conhecia-me e sabia que não conseguiria ficar vinte e quatro horas por dia dependente de uma cadeira de rodas e de toda a minha família. Sempre fui amante da liberdade. Porém,  ela divorciou-se de mim!
Quando regressei do hospital para a minha casa empurrado e sentindo o vento de modo inferior socando o meu rosto, pus-me à maquinar o meu fim. 
Pensei dia - após- dia uma maneira: ou de como retornar a andar ou à minha vida terminar. Em casa pensava: o sentido da minha vida não estava nas mãos da medicina,  visto que à mesma jogou-me para o ralo existencial por meio da sentença do juiz vestido de branco: "essa será a sua condição e daí não sairás, não!".
Sentença fria ou realista? O que fazer,  para quem recorrer? Deus,  Jesus,  Buda? Num desses habituais dias em que minha mãe fazia sua musculação ao me carregar para o pequeno parque da nossa vila, topei com uma cena desencantadora: um cadeirante praticando esporte como se fosse normal! Fiquei estressado, desorientado e rapidamente pedi para me levar de volta para a casa.  Não conseguia lidar com toda aquela representação de felicidade. Um cadeirante não poderia ser tão feliz como aquele se demonstrava. 
Não enquanto precisar ser carregado para onde quer que seja,  não enquanto precisar de ajuda para levantar,  não enquanto for o último a sentir o perfume no pescoço de alguém, não enquanto não sentir o seu singelo dedo transbordando sensação. 
Não, não, não: um paralítico não pode ser tão feliz, quanto aquele do parque, isto é, enquanto não puder erguer o seu próprio par de pernas. Olhe às ruas: até um cachorro pode andar. Todos esses pensamentos perturbavam-me enquanto regressava para a casa com a minha mãe. Não sentia-me em paz. Mas, como podia, uma vez que a minha mente estava em total guerra com o meu corpo? Desde a catástrofe, o meu corpo sempre vencia na medida em que o meu cérebro enviava correntes de comando,  mas meu corpo não correspondia, não falava, não gritava. 
Chegando em casa, atormentado com a cena, sentia-me em choque. Pedi para a minha mãe ajudar-me a deitar em minha cama. Vejam só, atitude tão simples e mal posso fazer. Inútil! Já na cama,  suando e em delírios, apaguei. Não notei. Mas, não sei se dormi ou desmaiei. O fato é que o canto das musas chegaram aos meus ouvidos por meio de um homem vestido totalmente de branco,  semblante atraente e de pele clara. Não parecia nocivo. 
Não calçava sapatos ou qualquer outro calçado. Ele estava descalço. Os cabelos estavam penteados para trás, como que lambidos por uma vaca. Entretanto, seu olhar era firme e penetrante. Antes de dirigir-se a mim com a sua proposta indecente,  observou-me por alguns instantes e - lembro-me bem - disse: 

- Você quer voltar a andar,  sentir o vento por cima,  tomar banho sem ajuda,  caminhar sem ser empurrado, correr novamente ou acelerar o seu carro? Basta,  então,  dizer que aceita-me como o seu senhor. E para ter certeza dos meus poderes, "levanta e anda".
Não sei como,  mas depois da ordem, senti novamente os meus pés. Eles formigavam. Sentia os meus músculos esticarem. pulsarem. Incrível,  pois podia movimenta-los.
Imediatamente pus-me a levantar. Mas, quando tentei tomar tal atitude, não conseguia.  Então perguntei:
- Sinto-os.  Mas, não posso levantar. O que está acontecendo? Quero desesperadamente levantar e andar. Você disse levanta e anda!
Foi quando ele exclamou:
- Você conseguirá andar novamente depois que disseres que, como seu senhor,  me aceitaras.
Sem pestanejar repeti as palavras mágicas:
-Sim,  és o meu senhor!
Assim,  o desconhecido senhor ordenou:  
- Agora pode levantar e andar. Mas, lembre-se que comigo a sua alma a partir de hoje, estarás.

Sem dar a mínima para o que ele disse, quando pretendi por-me de pé,  acordei pingando suor e aos prantos,  pois estava quase lá, quase levantando. Estava pronto para me realizar. Todo molhado de suor, sentia-me decepcionado! Foi apenas mais um suposto sonho de felicidade.
Porém, quando me acalmei, bateu-me, como um martelo prega um prego com força,  a consciência que tinha vendido, mesmo no sonho, a minha alma.
Agora, acordado e mais calmo, olhando para o teto e consciente, pergunto-me: será que por um par de pernas funcionando venderia a minha alma? Que pergunta dolorosa. Mas, a julgar pelo sonho, sem dúvida!
Escrevendo essa carta para você, amigo, pensando no sonho que tive com aquele homem, aquele ser ou sei lá o que era, perguntaria: na minha situação, ousaria vender a sua alma, ou iria atrás da moral, se esconder?

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

A GENTE!

Um mundo sem gente, não é um mundo.

É um vácuo, um vazio, uma depressão.

Por mais que a maior parte de nós, da gente, seja tacanha, egoísta e desprezível:

Ainda, assim, somos gente.

Que sente, que ama, que brinca, que dança, que transa e que entende que o mundo está no outro:

Na gente.

O que seria da constelação, sem a gente?

Do sol, da lua, da pele nua?

Nesse sentido, o sabor não existiria.

Ora, sabor sem a gente, você entende?

Desculpa, mas a culpa é da redundância: gente não é gente sem a gente.

Ou, o sabor, o prazer, o calor, o amor e a linguagem, não seriam, não existiriam, não são, sem a gente.

E nada mais!

Claro que sim: somos sempre agentes.

Para o outro, para aquele, para o corpo.

As ideias não são sem agente, sem o corpo!

O que diria Descartes desse poema? Aliás, do corpo?

Nada. Para ele as ideias são a gente.

Schopenhauer estava certo: nada existiu ou existiria sem o corpo,

Sem a gente!

Por isso, a constelação, as estrelas, o sol, a lua,

os cometas, as estrelas cadentes,

a terra, o mar, os peixes, os homens, os prédios, a eletricidade, o corpo,

a tristeza, a alegria, a felicidade, o sexo, o prazer...

Não existiriam, não são, sem A GENTE!

quarta-feira, 30 de julho de 2014

TENTATIVA

Estava frio e chovendo. Minha vida conjugal estava em confronto. Desisti de uma possível reconciliação com a minha mulher e fui-me. Sem destino. Mas, mesmo assim avancei solitário pelas ruas e avenidas da minha cidade. Elas estavam molhadas, lisas e mal proporcionavam atrito aos pneus do carro. O para-brisa estava embaçado – como as minhas ideias. De repente, não enxergava mais nada e tudo – em minha volta – tornou-se estranho e desconhecido. Quando recuperei minha consciência já não estava em meu carro e nem em minha cidade. Mas em um lugar inexplicável e distante da terra.
O problema – dessa vez – era outro, dado o fato de eu estar no seio de um julgamento. Como sabia? Estávamos numa longa fila. Ela estendia-se a uma rampa de cor singela onde – ao final da mesma – havia um trono. Na fila e em meu distante lugar, podia – aparentemente – ver que existiam duas portas: uma em seu lado direito e outra em sua esquerda. Na medida em que me aproximava do trono, percebia que – dependendo do que era dito, sentenciado – as pessoas eram puxadas por alguma força estranha, invisível e incombatível.
Enquanto caminhava em direção ao meu julgamento, lembrava-me da vida na terra e dos religiosos que nos ministravam mensagens aterrorizantes do juízo final e do inferno. Olha, na verdade, essa não foi a minha experiência. Mas, num aspecto, os crentes estavam certos: há, de fato, um julgamento, um bater do martelo!
 Após alguns instantes na fila, chegou a minha vez de ser julgado, sentenciado e carimbado pelo martelo divino.
Já havia me aceitado como falecido quando cheguei diante d´Ele. Mas, por incrível que pareça, em minha vez, foi totalmente diferente, ao passo que Ele não só julgava os indivíduos que na fila estavam, mas os ouvia, também:
– Nasceu em 1981, tudo ocorreu bem em seu parto, embora a sua mãe tivesse grandes complicações no pós-parto. Seu nome é Reginaldo, está com 33 anos. Quando criança foi educada e correspondeu bem a educação. Na adolescência não foi muito diferente. Mas, houve algumas violações aos nossos valores: conheceu sexo antes do casamento, visitou – por diversas vezes – prostituição antes do casamento, tornou-se um alcoólatra depois que se casou para esquecer os problemas familiares e não deu carinho suficientemente à sua filha – sem contar que trabalhou demais e esqueceu-se de outras prioridades. No entanto, não matou, não roubou, não traiu a sua esposa e não faltou com carinho para com o seu filho. Por mais que você tivesse – na terra – outras tantas qualidades, deixou a desejar! Assim, a balança inclinou-se para o lado da condenação. Sua pena será: ausência eterna do criador e dá família!.
Após a última silaba, uma porta escura logo se abriu tragando-me lentamente à dupla inexistência. Mas, até que o juiz colocou-me novamente em cena e interrogou-me:
– Não há nada a declarar?.
Aterrorizado com toda aquela atmosfera da condenação final, distante da terra e já com saudade da minha difícil família, afirmei:
- Há, sim! E todas às vezes que tentei? Pois me lembro de tentar ser melhor pai, esposo e distanciar-me de tudo aquilo que a minha consciência denunciava-me como errado, imoral. Nenhuma tentativa foi levada em consideração em sua invisível balança da justiça? Saibas, realmente posso ter sido menos do que mais em minha vida comum: seja para minha família, aos amigos, ao trabalho e para os estranhos! Entretanto, tenho certeza que as minhas tentativas sobrepõem a minha condenação – seja para a ausência do meu criador, da minha família etc. E, desse fato, realmente não podes negar. Muito menos discordar!.
Na medida em que a invisível força puxava-me à morte eterna, o juiz exclamou:
– Espera! Concluímos que terás outras chances em sua terrena vida. Por isso, Reginaldo, serás direcionado àquela porta – a do centro. Entretanto, não deves se esquecer de dois pontos. O primeiro: é muito difícil saber quando somos nós (Deus) falando em sua consciência ou os valores morais. É necessário estar em extrema sintonia para captar as nossas emanações. O segundo: é que, agora, inicia-se uma nova tentativa em relação à sua vida na terra.
Assustado com o conselho e a decisão do juiz, algo rapidamente puxou-me à porta do centro e num piscar de olhos, despertei aos gritos e com sirenes, com giroflex, muitos curiosos em nossa volta, com fortes dores pelo corpo todo e preso a um “colar” cervical devido à batida. Sim, bati o carro. E, após a batida, lembrava-me apenas dessa experiência e, mesmo assim, não tinha certeza de ter sido real ou mais simples sonho! Às vezes, reflito sobre essa experiência de vida e penso o quanto aquele conselho era intrigante: “para saber quando sou Eu falando, é necessário estar em alta sintonia.
– Pai, por que estás contando-me essa história agora? Pois não me faz muito sentido, uma vez que estamos caminhando nesse parque, nessa trilha linda, com árvores lindas à nossa volta, com um friozinho suave beijando as nossas faces e com um copo doce de café para bebermos e aquecer as nossas mãos.

– Porque nem todo café será doce, minha filha. Agora, em especial, estás bem com a vida, com a família, com a faculdade e com o seu namorado. Mas, no futuro, poderás ver esses galhos, essas folhas, essas árvores, essa paisagem e essa trilha, que pisamos agora, com outros olhos: da solidão, da depressão, da escuridão e do sofrimento. Talvez, digas que sou trágico, talvez não! Mas, o fato é que o dia mal chegará para você. Assim como chegou para mim e para muitos outros homens e mulheres. Prepara-te, pois as duas velhas amigas – a felicidade e a tragédia – se lembrarão de você e te convidarão - num momento ou noutro - para passear. Quando elas vierem ao seu encontro, saibas: é inevitável negá-las. Portanto, você sempre estarás sujeita ao acerto, bem como ao erro. Mas, haverá sempre uma chave mestra caso erre na vida: A TENTATIVA. Por isso, tente sempre.

sábado, 12 de julho de 2014

FANTASMAS NOS ASSOMBRAM.

Existem mais coisas entre o céu e a terra do que sonha a nossa vã filosofia.
William Shakespeare

Quando tais eventos surgem e ressurgem, muitos indivíduos ficam assustados, arrepiados, boquiabertos, com intenso medo e, às vezes, depressivos por não conseguirem lidar, controlar ou dominar determinados problemas (eventos) que se revelam em nossa pragmática sociedade. Do que, portanto, se trata? Eventos paranormais?
No dia 1 de Julho de 2014, o programa de culinária, Mais você, que vai ao ar na rede Globo de Televisão diariamente, cuja apresentação fica ao cargo de Ana Maria Braga, inacreditavelmente transmitiu – a nós telespectadores – uma suposta história de caráter paranormal.
O drama familiar – exibido na reportagem – teve os seus primeiros passos quando, aparentemente, algumas pedras começaram a ser lançadas sobre os telhados da casa – sem contar os ruídos em volta da mesma e as frequentes batidas no lado de trás da casa. Como a família pensava que se tratava de um evento inusitado, resolveu não dar a devida atenção.
Mas, os eventos começaram a se intensificar com médias pedras que caiam dentro da casa, coberta e sem danificação aparente nos telhados – era de se espantar. Assustados e sem saber como lidar com o caso, os familiares resolveram entrar em contato com a polícia de sua cidade – que rapidamente atenderam ao chamado.
Uma vez que as autoridades locais chegaram à residência, a família logo tratou de relatar aos policiais os frequentes fatos. Assim, os mesmos saíram na captura de possíveis criminosos. Porém, sem sucesso. Ao regressarem à casa com notícias insatisfatórias sobre o evento, perceberam – por eles mesmos – que o problema não estava do lado de fora. Mas, sim, com a casa. Seria realmente um problema de para-normalidade? Ou mais uma medíocre armação?
As preocupações dos familiares alcançaram os policiais que resolveram investigar o caso para saber se se tratava de mais um mito ou uma nova e inacreditável verdade. Após algumas averiguações, os policiais constataram que se tratava de fato de um evento incomum: sobrenatural. Sendo assim, os boatos logo começaram a espalharem-se por toda a cidade, causando náusea e medo nos habitantes.
Ao que tudo indica, autoridades religiosas compareceram no local e solucionaram o devido problema paranormal, dado a incapacidade dos policiais – se bem que eventos paranormais não são casos de polícia. No entanto, para evitar mais inconveniências, brincadeiras, bruxarias e, assim, problemas futuros, as autoridades locais resolveram demolir a pequena casa de madeira assombrada. Pois, curiosos, pesquisadores e grupos religiosos esperavam ansiosamente frequentar o local e extrair suas próprias conclusões sobre os fatos no intuito de testar a veracidade dos rumores.
Não é a primeira vez que casos como esses se apresentam a nós seres humanos dotados de “esclarecimentos” sobre o que acreditar ou não. A fantasmagoria é antiga e repleta de histórias. Entretanto, não damos a devida atenção a esses vastos históricos de eventos sobrenaturais. Por quê? Simples. Preferimos permanecer com os dados quantificáveis, científicos e “verdadeiros” (?). Caso contrário, tais eventos, não merecem nossas atenções. Mas, dessa vez foi assombroso e, por isso, ganhou repercussão nacional. O fato é que cada vez mais, eventos como esses ficam frequentes nas cidades, vilarejos, escolas, hospitais, esquinas e praças.
Certa vez, o poeta e escritor Shakespeare ressaltou: “Existem mais coisas entre o céu e a terra do que sonha a nossa vã filosofia”. Seria a frase do poeta, portanto, um puxão de orelha sobre a existência de outro plano colado ao nosso?

Todas às vezes – caro leitor – que você deparar-se com uma pessoa caída no chão com voz modificada ou topar-se com um vulto que corre de um móvel ao outro ou com uma criança que aparece e desaparece inesperadamente, reflita sobre a citada frase de William Shakespeare.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

O LIVRO DO MUNDO

 Naquela tarde, o vento soprava convidando-me a arrumar o meu agasalho para não sentir mais frio – afinal, nas áreas verdes de qualquer cidade, o clima torna-se mais frio e desagradável. Naquela friagem e sentado naquele banco a vida convidava-me a senti-la, observá-la. Naquele dia, observava os pássaros pousarem nas árvores. Elas, por sua vez, inclinavam-se e sediam aos sopros dos fortes ventos, promovendo, assim, um assobio agradável e sedutor. Toda essa paisagem seduzia-me e puxava-me, para si, como um imã ao agarrar-se num metal.

Enquanto deixava-me seduzir pelo canto da paisagem, um perdido jornal aterrissou em minhas beges botas com a seguinte chamada: “a vida em sociedade está cada vez mais insegura”. Com o clima gelado, sentado naquele banco de praça, observando aquela cinzenta e encantadora paisagem, nada mais agradável do que ler o livro do mundo onde contém as vitórias e derrotas dos homens – ainda mais de graça!

Ao ler o livro, tomei novamente o conhecimento do quanto a vida é insegura em sociedade e cheguei a seguinte conclusão: o inevitável é a única certeza da vida – onde quer que estejamos! Pois quem esperaria que um garoto de Realengo, Rio de Janeiro, assassinaria mais de dez pessoas numa pequena escola? Diga-me: quem esperaria que três jovens americanas fossem mantidas em cativeiro por um lunático homem há mais de dez anos? Quem esperaria que um atirador de elite que fez um juramento para servir e proteger mataria mais de dez pessoas – dentre elas crianças, jovens e adultos? Quem esperaria que um meteoro caísse na Rússia? Ou, pensaria que sua doce filhinha seria estuprada por um maníaco do parque brasileiro numa manhã, tarde ou noite?

- Ao pausar a leitura, colocar o livro do mundo no pálido banco da praça e acordar para a vida, dei-me conta de que os pássaros não estavam mais no mesmo local e o clima estava definhando. O clima alertava-me de que era hora de ir para casa. Entretanto, o tesão da leitura e as cenas das histórias convidavam-me a permanecer ali, quieto e lendo. Portanto, decidi continuar por mais alguns instantes. Mas, quando virei-me para pegar o jornal, e prosseguir com a minha leitura, o mesmo levantou voo para bem longe, ao passo que não pude mais alcança-lo. Desse modo, concluí que era o momento certo de ir embora, pois o inevitável da vida apresentou-se de maneira simples a mim. Dessa vez, no entanto, não me vou só. Mas, acompanhado da irônica charge do jornal: “o mundo é cercado de perigos e incertezas e se queres segurança e paz, lá não é o melhor lugar”. Pensando bem, nesse caso é melhor seguir o conselho e evitar o pior!

terça-feira, 10 de junho de 2014

FIM DA FESTA

Sente-se, pare o que estás fazendo em sua vida corrida e ouça. Não apenas ouça. Mas sinta. Para isso, é necessário dedicação. À minha simples poesia? Não. À vida. À sua vida.
Breve, não sentiremos mais;
Logo, não abraçaremos mais;
Cedo ou tarde, não alimentaremos mais;
Dia ou noite, não caminharemos mais;
Daqui a pouco, sequer falaremos ou calaremos;
Não gritaremos ou choraremos;
Então, o que poderemos fazer? 
Nada?
O nada é a companhia que ela nos trará;
A ausência de sentido e a solidão são as suas maiores aliadas;
Todas elas encontram-se reunidas no vazio e no silêncio de uma mediana caixa;
Nela, existem apenas os seguintes comportamentos: continência, palidez, roupas tristes e falta de conforto;
Conforto?
O que poderia haver de conforto na morte - senão para quem deseja ansiosamente a sua companhia?
Sem pestanejar, grito: para quem ama a vida, a morte serve apenas para apagar a luz da alegre festa;
Da vida; Do viver.
No entanto, saibas: o fim da festa - tarde ou cedo, conforme a sua vontade ou contra ela - chegará para você.
Portanto, levante-se - de onde sentou-se e retorne a viver!
Mas, por favor, não se esqueça: viva com prazer!



terça-feira, 27 de maio de 2014

O DIVINO SE OFERTA.

O infinito se oferece;
Se oferta;
O infinito se faz conhecer;
Veja, preste atenção;
Não! Mantenha a atenção;
Caso contrário, não o perceberão;
Ao menos o verão;
Vejam, Ele está nas pessoas, nas coisas;
Sério? Ele está no pecado?
Claro, pois é o seu modo, sua maneira de se mostrar;
Se sujar.
Para, assim, nos limpar.
Por fim, esse é o seu único modo se ofertar.

sábado, 10 de maio de 2014

UM DUELO DE VONTADES: O QUE OS PROFESSORES QUEREM, O QUE OS ALUNOS QUEREM.

Pelo o que se pode verificar, o presente título anuncia o choque entre vontades diferentes. É óbvio expor – num texto ou num bate papo qualquer – que professores e alunos possuem vontades, visões e objetivos diferentes. Mesmo sendo óbvio, arrisco-me a abordar tal assunto.
Desde que adentrei ao ensino médio da escola pública do Estado de São Paulo para lecionar, percebi o desencanto de alguns professores, bem como de alguns alunos.
Por meio da minha experiência – que não é extensa enquanto professor – percebo que professores e alunos não se sentem realizados em seus devidos lugares. Mas decepcionados.
Ora, comecemos pelos professores e suas desilusões. Porém, perdoem-me por não conseguir enumerar todas as frustrações relacionadas à docência, bem como toda a gestão escolar. Afinal, o objetivo desse texto é demonstrar – de modo simples – o que os professores querem, o que os alunos querem.
Nos cantos, nos corredores ou até mesmo nas salas dos professores, vejo semblantes e olhares desencantados e sem brilho para – das 6 da manhã às 12:00 – ensinar. Tais características dão-se por diversos fatores. Dentre eles, está o desgosto e o desânimo pelos professores não conseguirem lecionar devido às salas estarem carregadas por quarenta alunos em média; devido ao barulho ensurdecedor de vozes espalhadas numa pequena sala; devido ao uso constante de celulares, bem como ao som alto – mesmo com fones de ouvido – às vezes, de funk ostentação.
Sem contar – é claro – as duas frustrações mortais para os professores: alunos que vão à escola e não querem – numa grande parte – aprender e os salários dos mesmos que mal dão para comer e beber!
Sendo assim e mediante a tantas dificuldades que os docentes enfrentam, como não se abater? Em contrapartida aos problemas da docência, também há alunos frustrados e desanimados que também enfrentam problemas de segunda à sexta.
Nas salas, nos corredores e nos intervalos percebo alunos chateados. Seja por problemas de classe ou familiares.
Por esses dias, resolvi ouvir e observar as denúncias – de modo geral – dos alunos aos professores, bem como à gestão escolar. Sim, não foram poucas. No entanto, apresentarei algumas.
Nos dias que antecederam o feriado do dia do trabalhador, ouvi o seguinte de um determinado aluno: “nossa, mal chega e já entope a lousa”. Seria isso um desabafo, um desapontamento com a maneira de lecionar dos professores? Aliás, aluno tem a capacidade de ficar desapontado, de possuir senso crítico?Noutros momentos ouvi: não aguento mais copiar e colar; ele (a) quando chega mal deseja bom dia; seria excelente se tivéssemos uma aula mais dinâmica; seria interessante se pudéssemos nos movimentar um pouco mais e descolar a bunda da cadeira nessas cinco horas.
Mediante a todos esses problemas entre professores, alunos e gestão escolar, o que fazer para que as diferentes vontades entrem em sintonia em busca de melhorias para o nosso sistema educacional?
Talvez essa pergunta seja difícil demais para eu responder. Mas uma coisa eu já sei: minha parte eu farei. E você, o que indica a fazer?

sábado, 8 de março de 2014

A FELICIDADE E A TRAGÉDIA: DUAS VELHAS COMPANHEIRAS.

A tragédia e a felicidade caminham juntas. Dependendo do momento da vida, cada uma toma o seu rumo.
Max William.

Por esses dias resolvi espiar um garotinho empinando pipa no playground de meu prédio. Ele corria de lá para cá sedento para que sua pipa subisse e beijasse os ares. No entanto, algo não correspondia as suas expectativas para que sua pipa tocasse os ares e ele se tornasse o garotinho mais feliz da terra.

Mediante as dificuldades, o jovem compreendeu de maneira simples e clara o agir, o trabalhar da natureza: nada plana nos ares se os ventos não soprarem. Assim e sobre os comandos da fúria, ele destroçou a sua pipa e correu rapidamente para seu lar com lagrimas escorrendo através de sua face. Pois a natureza o incomodava de modo a não colaborar para que a sua pipa alcançasse o céu.

Assim como a lida desse pequeno e frágil garoto, a vida humana é cercada por saúde e enfermidade. Felicidade e tragédia. Grandes incômodos e pequenos incômodos. Por fim, diferentes incômodos. Diferentes frustrações, bem como diferentes estados de felicidade. Para alguns garotinhos, como o citado acima, o incômodo dá-se devido à sua pipa não tocar o céu. Para outros pequeninos, não possuir bolas e brinquedos é o suficiente para que a frustração apresente-se e toque o seu doce rosto fazendo com que as lagrimas brotem e escorra por meio do seu rosto sujo de suor misturado com pó.

Distante do mundo infantil e da adolescência, existem desilusões que ferem e oprimem os adultos. Fazem-nos chorar e, às vezes, até adoecer. Por exemplo, uma mãe e um pai que não sabem mais o que fazer com o filho que dá tanto trabalho, bem como a filha que não corresponde à educação que seus pais batalharam para lhe dar, pois resolveu entregar-se ao mundo do “sexo, das drogas e do funck”. Ou talvez uma esposa que se dedicou intensamente ao matrimonio. Porém não foi correspondida. Pelo contrário, recebeu desprezo e tristeza em troca de intensa dedicação. Portanto, jovens e adultos – em algum momento de suas vidas – serão desiludidos e seus olhos perderão – por alguns momentos – o brilho, uma vez que a felicidade trouxer consigo a tragédia.

Algumas desilusões são passageiras e podem ser vencidas com um a delicioso sorvete de chocolate. Outras frustrações são mais resistentes. Para vencê-las, é necessário uma bela sobremesa, tipo um Petit Gateau.

Outras angústias não passam, nem com uma bela noite de amor. Pois são como batidas de martelo em nossas mentes. A morte, por exemplo, é um incomodo que arde sem sessar - para alguns indivíduos.

Para outros, o consumismo que paira sobre o atual século XXI realmente incomoda. Pois leva as pessoas para distantes delas mesmas e suas reais necessidades.

Certa vez tive a oportunidade de ouvir as frustrações de um jovem pastor. No fim da conversa compreendi que as suas indignações e interrogações – em grande parte – no que diz respeito às “atitudes” de Deus – se é que podemos esperar que as atitudes de Deus sejam como nós quisermos – eram as minhas.

Mergulhado no fervor de uma vida pastoral recente, disse: o senhor Jesus nos disse que pela fé curaríamos doentes, expulsaríamos demônios e se comêssemos alimentos envenenados não morreríamos. E mais: paralíticos seriam curados tendo como benefício os seus movimentos corporais. No entanto, nada disso acontece mais. Pode ter ocorrido nos tempos bíblicos. No entanto, hoje não ocorre mais.

Nos noticiários evangélicos, assistimos os suicídios de pastores americanos. Nos telejornais, tomamos conhecimento do quanto pastores brasileiros enganam pessoas com interpretações bíblicas distorcidas de seus devidos contextos. E mais: pastores brasileiros estão contratando profissionais em libras para surdos e mudos participarem dos cultos a Deus.

Não obstante, acrescentou com força e desilusão: onde está Deus quando os seus filhos são enganados por líderes religiosos malandros? Onde ele está para que os cegos não sejam mais curados? Onde está Deus quando crianças são estupradas? Onde está Deus? Onde?

 Não contente com o meu silêncio, o jovem pastor continuou a questionar: Qual a razão para que Deus não se mova mais? Para que Deus não cure os cegos, os aleijados ou os amputados? Qual a razão para que Deus não se intrometa em nossas vidas como nas antigas histórias?

Por longos momentos, às vezes, dedico-me a beijar as pessoas com o meu olhar e, de igual modo, os seus trejeitos. Dedico-me, também, a observar as paisagens e suas transformações. Desse modo, desde que passei a beijar as pessoas com o meu olhar e pensamento, noto que numa grande maioria encontra-se frustrações existenciais diversas - tipico do bicho homem. Assim, no caso de um jovem pastor, não seria diferente. Afinal, a felicidade e as angustias, frustrações ofertadas pela vida são para todos!



Uma vez que percebo-enxergo-compreendo-visualizo a vida através das pessoas, por exemplo, do garoto que se esforça para soltar a pipa, do sofrimento de uma mãe ao tentar educar a sua filha, da conversa com o jovem pastor, concluo: viver é ser – num momento ou noutro – desiludido, frustrado, decepcionado, desencorajado ou até mesmo desencantado. No entanto, a vida sempre reservará uma doce festa e oferecerá como presente, A Felicidade.

domingo, 16 de fevereiro de 2014

OS HOMENS E SUAS CAIXINHAS.

Às vezes, é necessário olhar, pensar e agir fora da caixinha para se tornar adulto.
Max William.

Desde que nos tornamos homo sapiens, achamo-nos no direito de dizer o que é certo e o que é errado; o que é bom e o que é mal; o que se deve ou o que não se deve fazer, bem como o que se deve ou não seguir.

Em grande parte, a razão humana instalou a ORDEM com consistência e coerência. Pois, um mundo sem leis se tornaria a casa da mãe Joana – como diz o velho ditado popular.

No entanto, há de se concordar, também, com o filósofo do século XVII, Thomas Hobbes, que um mundo sem leis e totalmente entregue às forças e às vontades humanas, terminaria numa “guerra de todos contra todos”.

No entanto, colocaram – não sabemos quem exatamente – ordem demais no barraco – como diz a gíria popular. Colocaram ordem demais nos barracos de modo a impor diversas caixinhas e para diversos indivíduos entrarem.

Há tantas caixinhas para os indivíduos entrarem que basta qualquer indivíduo soltar gases para alguém se levantar de onde se encontra para dizer: não peide assim, peide assado!
Olhando para o passado mais distante e com algumas teorias para nos apoiar, notamos que o ser humano nasce de uma mulher, cresce, torna-se adulto, alcança a velhice e, por fim, morre.

Entretanto, ao longo de toda essa trajetória, o homem aperfeiçoa-se e cria – para si – instrumentos de sobrevivência. Um dos instrumentos criados para saciar a sua necessidade corporal foi a ROUPA.

As vestes supriram as necessidades humanas no que diz respeito ao frio, ao calor e à chuva. Entretanto, se foi o tempo em que nos preocupávamos puramente com as necessidades – sejam elas quais forem.

No século XXI, é necessário proteger-se. Mas antes de tal proteção, é necessário CLASSE, ETIQUETA, bem como GLAMOUR. Pois os indivíduos que não acompanharem o mínimo de tais figurinos (caixinhas) serão considerados bregas, cafonas, antigos e antiquados. Para não ser tudo o que considerado NEGATIVO para os indivíduos chiques de nosso século XXI, basta aceitar e entrar às caixinhas que os próprios homens constroem para si e para os demais.

Não há apenas um padrão de caixinha-regra. Há diversas e, inclusive, para todos os gostos e todas as idades.

Por esses dias, dediquei-me a assistir um debate onde havia pensadores de diversas áreas debatendo religião; inclusive um ateu – aquele que não considera a existência dos DEUSES ou de DEUS.

Interessante que no tal debate, bem como em tantos outros momentos e lugares, o ateu foi desqualificado por simplesmente ser o que se é: ATEU.

Ora, optar por ser católico, protestante, candomblecista e budista – segundo a roda chique – era aceitável. Mas optar pelo ateísmo, não! Sequer numa roda de pessoas “chiques e inteligentes”. Regra, estupidez ou não aceitação do comum? 

É necessário – para ser aceito e não jogado para escanteio – “aceitar” uma das caixinhas-regrinhas impostas pela sociedade. Pois, caso contrário, lide com as consequências, por exemplo, de ser ateu, negro, “amarelo”, gordo, magrelo, gay, solitário, “verde”, crente, budista ou até mesmo testemunha de Jeová.

Ora, não são apenas os ateus que sofrem devido às suas escolhas. Mas, também, os gays – e fique claro que ser gay não é uma opção, bem como ser negro, também, não o é!
Num determinado momento da história – sobretudo americana – os negros não podiam sentar-se em bancos de brancos. No entanto, o mecanismo modificou-se: hoje, gays não podem caminhar livremente por ruas e avenidas, pois senão recebem lâmpadas nas faces em forma de presentes.

É devido às caixinhas-regrinhas sociais que negros, magrelos, gordos, “amarelos, verdes”, crentes, budistas entre outros, aderem a comunidades divididas de um todo. E assim, migram-se – numa grande maioria – para o submundo, para as “trevas”; pois lá se tornaram – pela não aceitação do “diferente” - seus lugares. E não no meio de pessoas “normais”. O que é normal? Uma soma de números publicados pelo IBGE?

São tantas caixas-regras, mas tantas que se nos dedicássemos a escrever sobre os pré-conceitos humanos – inclusive os meus –, isto é, de como fazer isso e não aquilo não caberia nas folhas sulfites a4 dos computadores – que por sinal, são infinitas.


De modo geral, penso que deveríamos voltar e repensar A Declaração Universal dos Direitos Humanos, constituída no século XX, para fugirmos de algumas caixinhas – sejam elas quais forem.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

DEUS: CRIADOR OU CRIATURA?

Deus, fruto de um momento!
Max William

O cristianismo, o budismo, o islamismo e todas as outras religiões vivas consideram a existência de Deus de modo inquestionável. No entanto, penso que seja necessário investigar – mesmo de modo simples - o conceito DEUS. Pois, as religiões o expõem como existente, consistente e o fundamento do mundo. Entretanto, agora e tão somente agora é o momento de dar um passo atrás e investigar o conceito DEUS por meio de informações extraídas da vida e tendo como base a seguinte pergunta: qual a razão para que DEUS se faça presente na vida humana?

No dia 13 de Janeiro, o programa de televisão HOJE EM DIA - da Rede Record de Televisão - exibiu uma reportagem sobre cidadãos brasileiros que sofreram, sofrem e poderão sofrer com a doença câncer. E o que a mesma pode causar em suas vítimas. De acordo o que foi exibido pela reportagem, os sintomas da doença são variados. Entre eles há depressão, solidão, desespero, arrogância e carência.

Há posicionamentos contrários, mas a doença é uma da grande catapulta para se chegar a DEUS ou para desejar o GRANDE SER. Isso porque o indivíduo doente não gostaria de passar por tal problema de saúde. Mas como tal fator não depende apenas de si mesmo, foge de si em busca de refúgio. Seja para curá-lo ou - caso a primeira opção não ocorra - para ter uma vida de paz além de nossa simplória existência. 

Nesse sentido, Deus nasce da negação brutal da doença. Deus se faz presente a partir das doenças. Deus se faz existência a partir da solidão. Talvez esse primeiro pensamento seja apenas um exemplo para a resposta da pergunta acima.

Entretanto, Deus não nasce ou se faz existência somente a partir do desespero, da doença. Mas também do momento de alegria. Para deixar o ano de 2013 e adentrar ao novo ano de 2014, resolvi – junto de minha noiva – ir ao sítio de seus pais localizado na cidade de Ibiúna – interior de São Paulo.

Diferente da grande São Paulo, Ibiúna quase não tem poluição. Assim, pode-se visualizar o céu limpo pelas manhãs e sentir o vento soprando de lá para cá. Aliás, quase toda a tarde pode-se desfrutar de uma paisagem linda e que se renova dia-após-dia. Em alguns dos dias que estive no interior, deparei-me com uma paisagem de abrir a boca. O dia estava fresco, as nuvens estavam como que explodindo no céu com uma mistura de cores que encantava qualquer pessoa. Sendo assim, floresceu a seguinte pergunta: como isso aconteceu, de que modo todas essas coisas se formaram? Que mistério! Isso é coisa de Deus?

Não se pode afirmar que toda essa beleza é fruto das mãos de Deus. Porém, também não é possível dizer que não é!
 
O fato é que Deus se fez presença e existência naquele momento - como em tantos outros. Talvez essa seja uma segunda razão para responder a questão por que DEUS se faz presente na vida humana?

Distante dos momentos de dor e de alegria, há momentos que a presença do Ser sobrenatural brota e com muita força para alguns.

Fui a poucos funerais. Da para contar nos dedos de uma única mão. Dentre os poucos, fui ao velório de meu biológico pai. Fiquei horas naquela sala e me notei frio, chorando e assustado. Não sabia qual a razão daquela mistura de sensações, pois durante toda a minha infância não tive contato com aquele ser pálido que repousava naquele esquife marrom.

No entanto, das mais variadas lembranças que tenho desse funeral, é a pergunta: para onde ele vai agora? Não conseguia responder – assim como a maioria dos indivíduos não conseguem respondê-la na atualidade. Pois responder a pergunta para onde vamos(?), é um problema tão antigo quanto o mundo. O fato é que devido aquele problematico momento, deparei-me com mais uma pergunta: será que há algo depois da morte? Será que há realmente o papai do céu que tantos falam?

Em mais um simples-problemático momento – como em tantos outros – o Ser sobrenatural se apresentou, se fez presença e existência para a vida. Para a minha vida. Ou, se pode pensar, caro leitor, que o ser sobrenatural cujo conceito é DEUS ganhou vida devido à dor, à alegria e ao desespero despertado por momentos da vida de muitas pessoas, inclusive da minha? Portanto, DEUS é criador ou criatura? Criamos Deus devido aos momentos de fracasso, alegria e espanto? Ou Ele se apresenta a nós por meio desses e outros tantos momentos da vida? Faça a sua escolha!

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

A DIFICULDADE DE SER DISCÍPULO.

Discípulo é somente aquele que diz amém ou o que vai além de seu mestre?
Max William

Por muitos meses o canal de televisão Futura apresentou uma propaganda cujo assunto era: o que move o mundo são as perguntas e não as respostas. De acordo com a proposta desse comercial, há em nossa natureza humana um profundo desejo de indagar as coisas. De querer conhecer as coisas. De procurar desvendar as lacunas mistérios da natureza que nos rodeia. É devido ao desejo de desvendar as coisas que brota as perguntas.

No entanto, percebe-se que para algumas instituições, por exemplo, as religiosas, que as perguntas foram apagadas e transformadas numa grande bacia de concordâncias. Portanto, em: amém, assim seja ou seja feita a sua vontade, assim na terra como no céu.

A concordância exagerada nunca nos permitirá crescer. Portanto, nunca nos tornaremos maiores de idade; nunca pensaremos por nós mesmos e, talvez, nunca ousaremos a independência intelectual. Mas – para o discípulo – o certo é que ele receberá um grande e almejado título e, mais, ele virá com louvor. Serás graduado em ser apenas: bom discípulo.

Distante de apenas receber tal título, é necessário fazer valer a proposta do comercial e reacender o desejo e o fervor das perguntas. Pois somente assim conseguiremos notar as dificuldades de ser um bom discípulo, um bom exemplo, isto é, de executar o grande e penoso mandamento: "faça isso e não faça aquilo". Ou a impossível ordem de Jesus: “amai o seu próximo como a ti mesmo””. Desse modo, vamos às perguntas, depois retornaremos a essa pequena máxima de Jesus e a impossibilidade de sua execução.

Quem realmente consegue ser espelho e com louvor do mestre Jesus em pleno século XXI? Quem realmente consegue fazer dos passos de Jesus, os seus? Quem, de fato, consegue tornar-se os passos de Jesus numa sociedade cujo titulo é consumo? Quem consegue – sem pestanejar – ter doze amigos maltrapilhos, sem deixa-los para trás rapidamente e ir em busca dos “melhores amigos”? Quem consegue ser portador do: não me incômodo facilmente, pois sou manso e humilde de coração? Quem consegue seguir o cruel mandamento: ame o seu próximo como a ti mesmo sem sequer se perguntar: será que consigo? Será que consigo por em prática essa ordem? Será que a entendi?

Se compreendermos as interrogações acima e aceitarmos, de fato, que elas possuem alguma coerência, então perceberemos as dificuldades de sermos discípulos, inclusive de Jesus.

Há uma maioria que não concordará com a minha reflexão sobre a impossibilidade de seguir o principal mandamento que perpassa séculos. Pois Jesus nos joga contra nós mesmos, nos viola e nos confronta profundamente, com seu mandamento. De que maneira, você, caro leitor, perguntaria?

Para se responder tal questão, é necessário fazer – em primeiro lugar – outra. Ela é, de que maneira deveria interpretar o mandamento ame o seu próximo como a ti mesmo? É necessário ir por partes. Pois ouso dizer que não conseguimos conceituar o que é o amor de maneira simples, mesmo que o poeta diga que o amor é fogo que arde sem cessar.

Mas, de acordo com a vida de Jesus – narrada pelos evangelhos – pode-se afirmar que o amor é uma atitude benéfica para com o seu próximo e não simplesmente uma reflexão poética, filosófica ou teológica. É mais profundo! Pois é ai que reside o problema e a dificuldade de ser discípulo do ser nascido entre as ovelhas, as cabras, os capins e as galinhas. Assim, siga o seguinte raciocínio tendo em vista o mandamento: ame o outro como se fosse você.

Desse modo, amar-se é cuidar de si mesmo. É lavar seu corpo com cuidado e carinho. É comer as melhores comidas para que seu corpo fique forte e resista às doenças. É querer ter as melhores roupas e casas. É não querer adoecer e mover mundos e fundos para que você e a doença não se encontrem. Por fim, é querer fazer tudo para conservar a si mesmo. Seja honesto consigo mesmo, qual o indivíduo - em nosso século - que quer tudo o que foi dito acima - para o outro - sem reservas?

Segundo essa perspectiva e após tê-la compreendido, quem ousa seguir a ordenação do mestre? É, pois, possível seguir o mandamento com leveza? Na moral, como diz o linguajar de nossos tempos? Possível ou não, fica ao critério de cada leitor. O fato é que cada indivíduo pode ousar tentar. Portanto: tentar ou não, eis a questão!