quarta-feira, 6 de novembro de 2013

DEUS E A RELIGIÃO NUNCA PERDERÃO PRESENÇA NA VIDA HUMANA.

O avo de Friedrich Nietzsche desenvolveu uma tese sobre o cristianismo e nela afirmou que “o cristianismo nunca deixaria de existir”. A afirmação dessa frase é delicada, uma vez que Salomão, escritor de Eclesiastes, disse: “tudo passa, a beleza passa, a vida passa...”. Se Salomão estiver certo, o cristianismo está destinado ao fracasso e breve deixará de existir. No entanto, se o sábio Salomão estiver errado, o avô de Nietzsche estará correto e seus ideais em relação ao cristianismo, também. Portanto, o cristianismo nunca deixará de existir.

Levando em consideração as máximas dos pensadores citados acima, podemos considerar que há, sem dúvida, um desentendimento entre ambos. E podemos até perguntar quem está certo ou quem está errado. Seria o “filósofo” Salomão? Seria o teólogo e protestante avô de Nietzsche? Antes mesmo de aplicarmos sentenças sobre as máximas de ambos, por que não pensarmos um pouco?

Desde o nascimento da filosofia grega, o homem pergunta e responde sobre a natureza. Não a natureza como entendemos hoje: deslocada, ela lá e eu aqui! Natureza enquanto tudo integrado: árvore, sol, homem, astros... Uma das perguntas mais interessantes sobre a natureza – essa natureza era conhecida pelos gregos como physis – é: do que a natureza é composta? Dentre todas as respostas, há a de Talles de Mileto. Talles afirmou que toda natureza é composta por água.

Após Talles, muitos outros filósofos vieram e desvendaram, cada vez mais ou cada vez menos, os enigmas da natureza. Não obstante aos enigmas da physis, nasceram pensadores que queriam solucionar problemas que estão dentro e “fora” dela. Por exemplo, um motor imóvel. Motor que movimenta tudo, mas não é movimentado. Não sai do lugar.

O filósofo Aristóteles foi – até onde se sabe – o autor dessa máxima. Entretanto, há interrogações acerca do conteúdo dela, ou seja, se esse motor imóvel – o que movimenta as coisas, mas não é movimentado – é a matemática ou Deus. Alguns estudiosos acham que esse motor imóvel é a matemática. Todavia, diferentes estudiosos pensam que esse motor imóvel é Deus, um Ser divino, Ser grandioso.

Portanto, a grande questão do título desse texto se faz presente e tenta explicar qual a razão para Deus ou a religião nunca deixar os seres humanos. Ela é: “alguns estudiosos acham, outros não, algumas pessoas querem outras não”. Como assim? Para indivíduos pensarem a favor de um dado pensamento e outros indivíduos contra esse mesmo pensamento (no caso da frase de Aristóteles), é necessário que os mesmos se relacionem e assim fazem com que a ideia, o pensamento exista e fique cada vez mais forte na existência humana. Por exemplo, não é porque alguém diz que Deus existe que ele passa existir. Entretanto, não é porque alguém diz que Deus não existe que ele passa a não existir.

Deus ou um pensamento se faz existência, presença e eternidade, a partir das relações humanas.  E mais: é devido ao desentendimento de indivíduos “comuns”, de filósofos, de poetas ou até mesmos de teólogos, que Deus nunca deixará a existência humana. Qual a razão para Deus ou a religião nunca deixar a existência humana? Porque as pessoas têm gostos, interesses e vontades diferentes; porque algumas querem elementos terrenos, enquanto outras querem elementos supremos e cada uma tem vontade de passar ao outro indivíduo, outra pessoa o que te faz bem.

Desse modo, pode-se compreender e concluir que Deus ou a religião persistirão eternamente na existência humana devido aos relacionamentos – às vezes, pelas sobreposições de posições. Em suma, “amo Deus e quero que o mundo o conheça, enquanto odeio Deus e sequer quero falar sobre ele”. Enfim, uma soma de relações humanas que valorizam Deus enquanto outras querem aniquilá-lo. Assim, não são as ideias metafísicas que sustentam a existência dos seres divinos, mas as posições, as relações e as crenças dos seres humanos. As ideias não sustentam a existência dos seres divinos, mas as relações e as vontades.

Nenhum comentário:

Postar um comentário