quarta-feira, 3 de julho de 2013

A DOENÇA DO SÉCULO XXI.

No dia 30 de junho de 2013, a Seleção Brasileira de Futebol conquistou o, então, esperado e almejado título da Copa das Confederações da Fifa. No que diz respeito ao título, o Brasil, agora, tornou-se tetra-campeão tirando "de campo", assim, o título de bi-campeão. A seleção brasileira recebeu tal título devido à sua competência, sua conquista. Conquista essa que possibilitou o adjetivo de "melhor em campo". É, contudo, devido à sua atuação de melhor em campo, que possibilitou que todos os veículos de comunicação (mídia) o apresentassem/ demonstrassem como melhor do mundo no que tange à essa copa.

Contudo, em meio a esse cenário de honra e glória, há o "palco" do fracasso e do desprezo: onde os fracos e derrotados não são aplaudidos ou, sequer, são vistos. Dessa relação do vencedor e vencido, nasce, às escondidas, a ideologia do herói: do "somente vencedor"; do "somente vencedor e nunca perdedor"; do "quem perde é fraco" e/ ou "o que perde o mundo não conhece".

Tal imagem heroica de ser sempre vitorioso, é a grande responsável da doença, quase que incurável, dos indivíduos (nos indivíduos) de nosso moderno século XXI. O nome dela é: a doença do vencer sempre e do perder nunca. Essa doença é a grande responsável por nos impedir de ver/ compreender o lado frágil da vida. O lado delicado de nossas relações amorosas de modo que nos torna cativos/ prisioneiros do "vencer sempre" e sob quaisquer circunstâncias. Assim, tal doença não nos deixa "passear" pela solidão. Não nos deixa compreendê-la. Não nos deixa entender sua utilidade ou, sequer, nos deixa amadurecer em relação às etapas da vida.

Certa vez Friedrich Nietzsche salientou: o terremoto pode revelar novas fontes. É, pois, a partir dessas fontes que escreveremos, conclusivamente, o texto sobre a doença de nosso século. Obviamente tal frase nietzschiana é uma metáfora. Todavia, a mesma obtém um conteúdo que deve, segundo o escritor desse texto, ser valorizado; isto é, o outro lado do terremoto: o lado das fontes. É a partir do "terremoto" que conhecemos, segundo Nietzsche, as fontes. 

É a partir da solidão, por exemplo, que conhecemos o amor. É a partir da solidão, por exemplo, que conhecemos nossas fragilidades humanas. É por meio do "sentir-se só" que olha-se para outros horizontes. É por meio da solidão que conhecemos o que perdemos ou ganhamos. É por meio da quietude introspectiva que sabemos quando perdemos - naturalmente, quem está sob o julgo da quietude/ solidão é porque perdeu, grosso modo, em algo - ou vencemos. Todavia, por que a ideia de perder é demasiadamente má? Por que quem perde é menos valorizado do que ganha? Por que o perdedor tem sempre outros lugares que não sejam os primeiros? Quem disse que perder é, sempre, ruim?

De acordo com esse panorama exposto sobre doença atual doença, vos apresento, pelo menos, uma cura ao vencer sempre e perder nunca: essa é a desvalorização total da ideia "benéfica de primeiro lugar", quanto a "ideia de ruim maléfica" dos demais lugares que não sejam os primeiros.