sábado, 6 de abril de 2013

A FAVOR, ÀS VEZES, DE UMA NÃO INTELECTUALIDADE.

É bom, de antemão, começar por introduzir o título do texto: a favor, às vezes, de uma não intelectualidade. O modo pelo qual comecei a pensar em escrever esse texto, fora numa aula de Filosofia Contemporânea. Não foi por conta, propriamente, da aula de contemporânea, sobretudo Karl Marx, que esse texto saltou em minha consciência, mas por influência de uma das alunas (colega de classe) de Filosofia.

"Muitas pessoas, na atualidade, se dedicam ao ouvir músicas em Inglês, porém não compreendem a sua letra e, às vezes, as letras, em Inglês, dizem frases, atitudes barbaras", diz o professor de contemporânea. À medida que o professor disse tal frase, num momento subsequente, uma colega de classe imediatamente disse: "é por isso que digo sempre ao meu filho: você precisa, sempre, compreender as letras das músicas que você ouve, pois as músicas não são de seu idioma nativo". No momento, achei fantástico o dito, porém depois adveio a eureca.

Feito tais considerações introdutórias, podemos, contudo, adentrar propriamente ao título do texto. A primeira pergunta é: "quem em sã consciência à medida que está apaixonado irá primeiro compreender a letra de uma música seja em Inglês, em Grego, em Francês, em Alemão ou em Italiano?" para depois ouvi-la. Não seria, porventura, uma contradição? Até mesmo porque o que reina nesses momentos, talvez de crises, são os sentimentos aguçados por outrem, por querer possuir o outro, por querer dominar o outro com os seus sentimentos; como a maioria não consegue, dedica-se, então, ao ouvir músicas em diversos idiomas.

Quem em sã consciência após ler o livro, Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry, e compreender a máxima: "Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas", permanecerá atento a tudo o que faz, pois ficará com medo de cativar (despertar) algo em alguém ou em alguma coisa o tempo todo? Ou até mesmo mais radical: quem em sã consciência após ler o filósofo moderno Descartes (XVII), sobretudo  As Meditações Metafísicas, e compreender a máxima sobre o conceito de verdade como: "claro e distinto", ficará atento a tudo o que ouvir para dizer: "isso é claro e distinto de tudo, logo é verdadeiro?".

Portanto, se há uma racionalidade oculta (acadêmica ou não) que nos impõe esse tipo de mentalidade ou esse tipo de experiência a todo o momento, então sou a favor de uma não intelectualidade, pois esse tipo de saber intelectual, uma vez imposto e acatado é ditador. Não sou a favor de imposições "de cima para baixo, de baixo para cima etc". Sou a favor, até mesmo, de uma democracia para quem quer saber, aprender, apreender, compreender. Nesse sentido, sou anti-intelectual.