sábado, 14 de abril de 2018

O DESAFIO DE SER HOMEM: Reflexões masculinas sobre as (des)heranças do patriarcado.


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Com frequência escuta-se do sexo feminino: "da próxima vez gostaria de nascer homem porque ser mulher é muito difícil". Fato. Ser mulher é difícil - nas sociedades antigas, bem como nas atuais e se constata tais afirmações ao ler as histórias do passado, assim como as do presente.

Por conta disso, a luta do feminismo é contante e fervorosa para reverter este quadro sexista. Porém, um minuto: de onde tiraram que todo esse "poder" masculino é demasiadamente positivo?

Por conta de um passado que não sabe o seu lugar por estar sempre no presente, somos estigmatizados pelo rótulo do patriarcado que carregamos em nossas mochilas existenciais e quando - finalmente - tentamos reagir contra o mesmo, gritam: "homem de 'mi mi mi' é feio". Que seja: é hora de expor os pesos que depositaram em nossas costas, já que não conseguimos deixá-los pelos caminhos da vida. 

Estes, por sua vez, mal podemos suportar e se não carregarmos os mesmos, os apelidos serão de mole, para cima!

É necessário coragem!

Tais estigmas espetam, uma vez que não nos educaram para a sensibilidade, mas e talvez para a brutalidade. Por isso, precisamos - a todo o momento - ser durões, escarrar no chão e coçar o saco!

Será?

O estigma de insensibilidade está colado no homem, de modo que se tornou o seu certificado de qualidade para as relações entre feminino-masculino no geral.

Em meio a toda essa discussão de gênero, porém, há outros rótulos sociais mais pesados e poderosos do que o carimbo de insensibilidade - por exemplo, o de virilidade!

Não importa quando, com quem ou onde: temos sempre de ser virís, senão mais um certificado será emitido com louvor - frouxo!

Vem cá: já falaram que homem é frágil, mesmo dizendo que não ou que, às vezes, só quer conversar, ao invés de transar? É verdade, mas se nos expormos assim, não somos homens raiz e, sim, nutélla, como brinca a contemporaneidade.

Estranho tal postura masculina, mas fingimos estar tudo bem, a ponto de reproduzirmos os estigmas, a fim de mantermos as aparências e sermos aceitos como macho. precisamos, só que não! Pois, homem também finge que não dói só para manter o seu status de super heróis e quando a depressão bate à porta, mesmo assim, prosseguimos, haja vista termos de trabalhar, sustentar a casa, sermos provedores e sem descansar, afinal - no fim da noite - tem-se a outra jornada - a do sexo. E se não der conta, já sabe: ou é broxa ou está pulando a cerca!

"Homem é tudo igual", exclamam as desavisadas e, desse modo, afirmamos que são tantos rótulos que não damos conta e - o pior - mal podemos descansar, tendo em vista que somos os homens da casa, precisamos ser fortes e espelhos o tempo todo.

Caro leitor, vem cá...

É necessário saber que espelho envelhece e quebra, assim como as autoridades autoritárias ao decorrer da história - seja do machismo ou feminismo. Por isso, o desafio não está em ser homem ou mulher, mas em ser gente!

domingo, 1 de outubro de 2017

IDENTIDADE TRAÍDA!



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Historicamente o relacionamento entre homem e mulher sempre foi conduzido por uma única parte - a do homem!

Desde então, a mulher sempre foi submissa frente a algumas instâncias sociais - casa, sexo e filhos. Neste caso, restou-lhes os adjetivos de fragilidade, sensibilidade e emocionalidade.

Ledo, engano!

Ao decorrer dos tempos, um empoderamento foi conquistado por elas. Mas, a amplificação deste só ocorreu na década de sessenta quando houve a descoberta e divulgação da primeira pílula anti-concepcional dando, assim, uma liberdade de escolha às mulheres, em diversas áreas.

Puxaram ar, soltaram a voz!

Assim, o poder masculino começou a cair em declínio, tendo as mulheres, a partir desta data, o direito de escolher se teriam ou não filhos, se seriam ou não mães... Numa frase: obtiveram o poder perdido de suas mentes e corpos.

A partir de então, não totalmente: a mulher começou a conquistar o seu espaço social, comandando a casa, o marido, o trabalho, o corpo a mente e, também, a relação amorosa. Todo o poder tem sido conquistado por elas. Tanto poder, parece-me, que estão serrando o próprio galho.

Olhem só...

Ao decorrer do dia, circulam as notícias: um homem pula da ponte rio-Niterói por ser traído. O outro, enforca-se por descobrir que a sua noiva, no dia do casamento, tinha um caso com o padrinho. Já o outro, atira na própria cabeça por ver um vídeo com a sua namorada transando com dois caras num hotel...

"Todo" o poder de igualdade foi conquistado por elas. Que bom! Mas, ainda assim, há um cheiro de revanchismo no ar. Por isso, vale a pergunta: será que a mulher tornou-se ou está se tornando a nova insensível da relação tal como o homem sempre foi?

Como alerta o poeta: "o sonho do oprimido sempre foi se tornar o opressor". Assim, uma última pergunta: são essas as novas mulheres?

Por...
Max William e Adriano Alves.


sábado, 24 de dezembro de 2016

CONDENAÇÃO NOSSA DE CADA DIA: UMA VISÃO CRISTÃ-EXPLICATIVA SOBRE A FONTE DE TODO RELACIONAMENTO HUMANO.


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Sempre perguntei-me sobre a razão das mulheres apaixonarem-se mais e os homens menos. 
Por que, diabos, isso acontece?
 
Para quem recebe o amor cheio e completo é demasiadamente positivo, mas para quem recebe só a metade é um verdadeiro inferno.

Isto porque a pessoa que ama demais quer estar com a pessoa amada a todo o tempo, uma vez que reconheceu e encontrou a sua cara metade, a sua alma gêmea no outro.

Já para o que ama de menos, tanto faz corresponder ou não a tal amor; até porque ele ou ela não encontraram a sua cara metade, ainda. Então, para esses, nada de frio na barriga ou sofrimento antecipados, visto que permanecerão insensíveis e agirão conforme as suas carências pessoais e diárias.

Se estiverem bem, viverão tudo o que puderem viver distante da pessoa que o ama. Mas, se estiverem mal, correrão atrás dela para matarem as suas carências pessoais - típico do cafajeste carente que adora muletas e não sabe lidar com as suas faltas.

O problema é que carência não se mata. Estamos todos condenados a vivermos em sociedade e no relacionamento com os outros. Portanto, sempre carentes de algo ou de alguém.

Do pensamento judaico ao universo grego, os homens foram formatados para viverem em grupo e distantes da solidão, ensinou Zygmunt Bauman em seu livro "Aprendendo a pensar a Sociologia".

A solidão, nesta sociedade de espetáculos tecnológicos, nunca foi ou será bem-vinda. Neste caso, chegamos a mais cruel conclusão - estaremos sempre condenados a vivermos dependentes uns dos outros, de modo que, assim, nunca encontraremos paz de espirito frente às relações amorosas-humanas.

E se encontrarmos alguém para convivermos amorosamente, rezemos para que o outro seja a nossa cara metade porque senão oferecerá somente metades de si mesmo.

A Bíblia é um dos livros mais lidos do mundo. Quase todos vão buscar respostas para os seus sofrimentos lá. Conosco não será diferente. Porém, buscaremos saber qual a fonte de todo o relacionamento humano-amoroso na respectiva obra. E, pasmem, se quiserem, é tudo culpa divina. Pois, Deus, disse: "faça-se a luz", mas não contente: criou os homens!

Erro ou acerto? Positivo ou negativo? Inteligência ou estupidez?

E ai começaram as alegrias e as desilusões amorosas - começou o relacionamento inter-humano. De acordo com os relatos bíblicos, Deus criou todas as coisas que há: "natureza, mares, vegetações...". E no meio da sua criação, modelou e depositou um homem. Tempos depois e ao observar que a sua criação era solitária, criou para ele uma mulher.

O primeiro casal chamou-se Adão e eva. Já criados e estabilizados no jardim, seu lar, Deus ofereceu uma dura tarefa ao casal: ""tudo" poderiam fazer; menos comer do fruto do centro do jardim".

Como o primeiro casal da história tinha pouca experiência com erros ou acertos, cederam a tentação da serpente e comeram do fruto que abriram os seus olhos para uma nova vida - uma vida além do Éden, além de Deus, uma vida demasiadamente humana, como ensinou Friedrich Nietzsche.

E ai reside a fonte de todo relacionamento humano - Deus puniu o primeiro casal com dois principais castigos: "o homem viverá do seu suor e a mulher sofrerá dores de parto".

Estes castigos são evidentes. É o momento de aprimorarmos as visões e enxergarmos os castigos ocultos; inclusive o que nos afeta até hoje!!!

Para as mulheres, o castigo foi as dores de parto. Para os homens, foi viver do suor do seu rosto. Neste caso e para o objetivo do texto, cabe discutir as dores do parto e, depois, a ideia do suor do rosto.

Quando Deus castiga a mulher à reprodução e às dores no momento da reprodução, não é meramente esse castigo que está em jogo. Mas, sim, o castigo de se relacionar eternamente com os homens. Pois, parir pressupõe relação inter-humana no geral. E neste caso, Deus não castiga os homens e as mulheres a terem filhos, exclusivamente. Mas, sim, a se relacionarem antes de tudo. 

Esse é o castigo divino - se relacionarem eternamente de modo a não se separarem nunca. Isto mesmo: fomos condenados a estar, amar, odiar e a depender dos outros eternamente, isto é, até a morte!

Deus do céus, o que fizestes!

No entanto e de acordo com a postura religiosa, saber que se é condenado a se relacionar com o outro, não é o suficiente para explicar o porquê as mulheres amam mais do que os homens e, no meio desse percurso, alguns homens amam mais do que as mulheres.

Ao ler o texto atentamente, se perceberá que, após a queda do casal, ambos tiveram de se virar entre eles, a fim de se manterem vivos. O homem caminhou para o espaço público; já a mulher permaneceu no espaço privado. Sendo assim, o homem tem total contato com a brutalidade primitiva, uma vez que precisou sobreviver do suor do seu rosto caçando, matando... etc; enquanto que a mulher "permaneceu" recheada de "sentimentalismo-progesterona", pois precisava permanecer no espaço privado.
 
Portanto, a "justificativa" de que o homem é insensível frente às mulheres deu-se porque ele teve de ir para o campo e a mulher teve de permanecer reclusa no espaço privado.

Em suma, a mulher tem as suas crias e tem de amar, enquanto o homem precisou caçar, matar e "trabalhar". Homem bruto, mulher sensível. Equação estranha para uma modernidade onde homens querem amar e mulheres badalar!

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

CONHECIMENTO, PRA QUÊ?

       



Tenho a oportunidade de ter vários tipos de relacionamentos, com vários tipos de pessoas e com diferentes níveis de escolaridade.


Tenho colegas para o papo descontraído, para o futebol e para os assuntos mais complexos do dia-a-dia.

O fato é que - do assunto mais complexo ao mais chulo - tenho companhia. E, para mim, a companhia vale mais do que qualquer assunto complexo-existencial de "qualidade".

No entanto, também, tenho relacionamentos estranhos - aqueles que só enxergam, diante dos seus olhos, livros, livros e mais livros...

A leveza de simplesmente existir passa longe desses "profundos intelectuais" - embora eu compreenda que não há nada de leve no existir!

Mas, talvez, esteja aí a grande diferença dos intelectuais mais refinados, para os menos refinados.

Os intelectuais da atualidade, que se julgam mais refinados, isolam-se da sociedade, com os argumentos mais sutis de que ninguém os compreenderão. A partir daí, concluem que relacionamento algum é possível. Portanto, fecham-se em seus mundos e privam os demais de os acessarem. Nossa, como é bom ser refinado, não?! Só que não!

Desde que me entendo por leitor em Filosofia, concluo que intelectuais do calibre de Xenófanes de Colofon, Sócrates, Platão, Aristóteles, Epicuro e companhia, entenderam o conhecimento como algo "transferível". Até porque conteúdos transferíveis auxiliarão os demais a encontrarem os seus diferentes caminhos na sociedade.

Deixando de lado as considerações mais sutis sobre as propostas filosóficas, percebo que a Filosofia - para os grandes gênios - serve para se relacionar, trocar, fazer crescer, amplificar a vontade de potência entre outras coisas.

Agora, para os "intelectuais modernos e bobos" - serve para excluir, desconstruir e segregar!

Afinal, para quê serve o conhecimento?

- Segregar, distanciar excluir ou construir, ajuntar, educar e se reunir?

Fique a vontade para responder!

PRECISA-SE DE INGENUIDADE


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Ninguém dá ponto sem nó. Ninguém se relaciona sem querer algo em troca. Ninguém dá algo sem querer receber. Ninguém é verdadeiro por conta da quantidade das máscaras...

E, diante de tudo isso, cabem as perguntas: "Há espaço para a ingenuidade? Inocência? Simplicidade? Sem malícia?


Somos indiferentes à ingenuidade. E, como resultado dela, as relações tornam-se atormentadoras e descartáveis. O poeta estava correto: "o costume causa insensibilidade".

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

A ARTE POLÍTICA EM MR. ROBOT.

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Tanto o Socialismo, quanto o Comunismo balançaram as estruturas capitalistas de poder. Mas, só isso, dado que usaram apenas as cabeças pensantes e um punhado de grevistas como base.

Entretanto, tais balanços não foram suficientes para provocarem uma queda nas devidas instituições de poder que, por sinal, tendem ao lucro e à continuação da desigualdade social entre os homens.

Para derrubar o Capitalismo, tal como enxergamos na série Mr. Robot, é necessário inverter a arte política de combate, isto é, é necessário jogar como os donos do poder jogam - sujando as mãos! Caso contrário, nenhuma estrutura mudará e nenhuma desigualdade social acabará. Sendo assim, deve-se ceder aos pedidos de Mr. Robot e investir em outros instrumentos de batalha, em outros tipos de greve e noutras posturas frente a mão invisível do capital.

Portanto...
Deve-se investir em armas que possam implodir e não explodir. 
Deve-se recorrer ao mundo das programações, não dos cartazes pobres de rua. 
Deve-se combater com inteligência, não com megafone medíocre. 
Deve-se combater no tete-a-tete, não no roda pé simplista de uma tira de jornal barato.

No entanto e após tais batalhas, surgem as perguntas para nós, os comunistas: "quem depositar no lugar do capitalista? Quais critérios de seleção para tal? Em quais naturezas humanas apostar? Onde iremos encontrar humanos íntegros? E, dependendo de quem encontrarmos, teremos a plena certeza de que não será como na "Revolução dos bichos"?

sexta-feira, 20 de maio de 2016

CINEMA E FILOSOFIA: SANTO AGOSTINHO CONTRA AS PAIXÕES.


                  

Favelas. Traficantes num confronto sanguinolento pelo poder. Tiros de fuzil que cortam as noites como se fossem fogos de artifícios. Balas perdidas e inocentes mortos sem, ao menos, saberem qual a razão de serem assassinados. 

E é esse o atual retrato de grande parte do Brasil da atualidade. O fato é que confrontos como esses, relatados acima, são tidos como comuns, para a maior parte da população brasileira. E, pelo simples fato de serem comuns, eles não nos espantam mais, não nos machucam mais e, por isso, não nos motivam mais a buscar mudanças - para si e para os outros.

O costume é um monstro que não nos amedronta mais. Entende-se por costume ações praticadas e reiteradas por tanto tempo que sequer nos deixam respirar com tranquilidade. Por isso, devemos dizer - e de passagem - que o costume é um veneno que, sem vermos, mata-nos lentamente. 

Por conta desse monstro, alguns indivíduos não "respiram" mais, espantam-se mais e assombram-se mais com a vida social atual, dado que não veem sequer uma pequena fresta, diante dos seus narizes, de mudança. Desse modo, são obrigados a permanecem quietos, paralisados e amordaçados. 

Em contrapartida a esse modo de perceber a realidade atual, existem pessoas que se encorajam e se arriscam em meio às tentativas de demonstrar, para os outros, o que eles não conseguem mais ver. Pois, estão submersos numa piscina larga e profunda onde cada indivíduo luta pela sua própria subsistência. 

Pensando nisso, o cineasta Damian Szifron rompe com o Monstro do Costume cotidiano em seu filme Relatos Selvagens e nos indica um remédio para acordarmos de uma cegueira profunda onde não se mensura nenhum ponto de luz. 

Em seu filme – já mencionado – demonstra-nos alguns casos com fortes semelhanças com o nosso cotidiano brasileiro e que nos incita a refletir sobre as nossas próprias relações com os outros. 

Dentre os causos demonstrados pelo cineasta, está o de Gabriel Pasternak que, frustrado com a sua história de vida atrelada à de diversas outras pessoas, as convida, de modo oculto e calculista, a um passeio de avião. Assim e em meio às tranquilas e gratuitas poltronas do avião, uma das personagens do filme dedicava-se à leitura da sua revista de moda, enquanto outras permaneciam caladas e com os seus fones de ouvido - típico do mundo moderno! 

Nesse meio tempo e entre tantas personagens, o nome Gabriel Pasternak tocou, em alto e bom tom, o teto do avião que estava prestes a decolar. Era certo que o nome de Pasternak comoveria a todos no momento oportuno, uma vez que os mesmos, no Avião, tinham uma relação de proximidade com o musico clássico. 

O que todos não sabiam é que foram convidados, por Pasternak, para um voo só de ida - a professora da escola, o crítico de música, a ex-noiva, o psiquiatra, bem como todos os outros. 

O grande problema é que toda a tripulação do avião teve consciência da proposta de Pasternak tardiamente; isto é, só quando o avião já estava planando sobre as bolsas de ar. Tarde demais – sentiram os tripulantes. Como dito, todos descobriram tarde e isso foi o suficiente para que os planos de Pasternak se efetivassem. E o mesmo concretizou-se com a derrubada do avião na residência dos seus próprios pais – talvez, seja essa a interpretação que se chega! 

Mediante a esses relatos de brutalidade, criminalidade e intolerância por parte das cidades do Brasil, bem como das atitudes de Gabriel Pasternak, as perguntas que devemos fazer são: "em qual esquina do mundo, a discussão do que seja justo ou injusto perdeu-se? Em qual parada de trem ficou a questão do mal? Aliás, essas "infrações", que aliviam as crises existenciais de alguns indivíduos, são justas ou injustas para com outros? Em contrapartida à questão da justiça, a problemática do mal deve ser fundamentalmente levada em consideração! Por isso, interroga-se: "o que é o mal? Em se tratando de responder o que é o mal, também vale a questão: qual a extensão dá má atitude frente ao próximo?”. 

Para responder a questão do mal do ponto de vista conceitual e de como esse conceito estende-se às nossas ações, nos fundamentaremos em Santo Agostinho – pensador da Patrística; sobretudo em sua obra Confissões. Pois, a definição de Agostinho sobre o mal "responderá" tanto a questão do mal no Brasil, bem como as ações de Pasternak no filme Relatos Selvagens

De acordo com Santo Agostinho, Deus criou todas as coisas boas. Portanto, tudo o que há - árvores, céu, terra, cavalos, mulheres e homens. O problema é que se Deus criou tudo o que há – por exemplo, homens, mulheres... – seria ele responsável por criar o mal, dado que o mesmo é inevitável nas ações de suas criaturas? 

Agostinho passa, então, a lidar com um problema delicado, posto que se Deus criou tudo o que há é impossível retirar o mal, propriamente, de Deus. O filósofo, assim, atem-se ao homem e descobre que o problema do mal não está em Deus. Mas, exclusivamente, em sua criação. 

Agostinho, portanto, tem de solapar o Maniqueísmo - doutrina persa que ensinava que existem duas forças eternas em conflito: o bem e o mal – para responder o problema e livrar Deus de toda e qualquer culpa! 

No livro As Confissões, o teólogo escreve que o homem é um ser dotado de Vontade e de Razão. Pois, deste modo, Deus deu vida às suas criaturas. E é aí que reside todo o problema do mal, posto que o ser humano – movido por suas paixões – entrega-se demasiadamente às suas vontades, quando na verdade, deveria, no momento oportuno, as frear. 

Mesmo sendo um ser racional, o ser humano não consegue reprimir o que lhe é inerente – no caso, a sua vontade. Portanto, age e pratica o mal. Não é à toa que Agostinho confessa:
Procurei o que era a maldade e não encontrei uma substância, mas sim uma perversão da vontade desviada da substância suprema – de vós, ó Deus – e tendendo para as coisas baixas: vontade que derrama as suas entranhas e se levanta com intumescência (AGOSTINHO, 1999, p. 190).

De acordo com o fragmento citado, o conceito de mal pode ser estabelecido de modo que o homem não se entrega completamente a Deus. Mas, às suas paixões terrenas – que são, quase que inevitáveis. Portanto, o mal – de acordo com Agostinho – é o afastamento de Deus e o reconhecimento e entrega à vontade.

Assim, Agostinho oferece uma possível resposta para o problema da brutalidade no Brasil, bem como para as ações de Gabriel Pasternak. Conclui-se que, na perspectiva de Santo Agostinho, é e será necessário retornarmos à Deus. Todos. E largarmos as nossas paixões particulares. Talvez, assim, o problema do mal seja solucionado.


BIBLIOGRAFIA.

AGOSTINHO, Santo. Confissões. Trad. Por J. oliveira Santos. São Paulo: Nova Cultura, 1999.