segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

O (DES)PODER DO CELULAR.



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Para o solitário ele é companhia - ainda que virtual. Para a namorada abandonada ele é um momento de respiração por saber que o seu amado está online. Para aquele que está travado numa fila de banco sem fim ele é passa-tempo. Para aquele que está apaixonado ele possibilita o encurtamento da distância e lembra o cheiro dele ou dela. O apaixonado ama até a distância. Esse "ele" é o aparelho celular. E, cá pra nós: dispensa grandes explicações, uma vez que está no bolso de cada cidadão e em qualquer parte do mundo, haja vista ser o principal veículo de comunicação entre os modernos.

Mesmo com esse grau de importância, o celular tornou-se alvo de duras críticas entre os adultos a mais tempo. Sendo assim, o celular é posto em evidência e é levado ao banco dos réus para ser julgado, sentenciado e condenado por prejudicar as relações humanas no âmbito da vida.

O problema é que o celular já conquistou o seu espaço e veio pra ficar, dado os grandes avanços tecnológicos. Tais pontos positivos só fazem com que os homens permaneçam ainda mais conectados aos aparelhos, haja vista o que ele nos permite num curto espaço de tempo - pesquisas e acessos ilimitados. Por isso, a sua utilidade, no mundo moderno, é digna de aplausos e de tirarmos as sandálias, uma vez que torna acessível as "relações" entre os humanos de modo instantâneo.



Em meio a tantas qualidades, há pontos negativos a serem observados. O filósofo Emil Cioran alertou: "as ideias nascem puras. Os homens as contaminam". O pensador está lúcido quando propõe tal afirmação. E nos alerta que pode haver uma mudança de valor onde tudo o que o homem toca - isso no sentido negativo da palavra.

Por isso, que tal passearmos por onde a mão humana tocou e toca? Não será nada agradável, visto que a mesma mão que puxa a cadeira para uma dama sentar, pode ser aquela que aperta o enter e faz um vídeo íntimo vazar. Eis o homem: a bondade e maldade num mesmo ser!

Se outrora o celular era um canal de intimidade entre o casal, depois virará um meio de decepção entre os mesmos, visto que as suas intimidades foram lançadas à rede pra que todos vissem. Se outrora o celular era alívio para quem enfrentava uma fila kilométrica no banco, depois virará ferramenta descartável para invadir, via net, o próprio sistema bancário. Se outrora o celular servia para fotografar um momento feliz, depois se tornará uma ferramenta de infelicidade, pois é a partir dele que se descobre que se foi excluído do whatsupp. Se outrora o celular era uma ponte para ouvir, todas as manhãs, "bom dia", depois se tornará desnecessário, pois a última ligação do amado foi de "adeus". Se outrora o celular trazia felicidade, depois trará descontentamento. Pois, ele é só um meio e não um fim em si mesmo. O fim são as pessoas, não a tecnologia!

Portanto, os celulares não têm culpa alguma. As pessoas, sim. Elas são as responsáveis pelo uso dessa ferramenta. Elas devem receber a culpa, não os celulares. Nós homens contaminamos essa ideia pura. Agora, só resta limparmos. O problema é que é tarde demais para limpar, visto que somos demasiadamente sujos!

sábado, 24 de dezembro de 2016

CONDENAÇÃO NOSSA DE CADA DIA: UMA VISÃO CRISTÃ-EXPLICATIVA SOBRE A FONTE DE TODO RELACIONAMENTO HUMANO.


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Sempre perguntei-me sobre a razão das mulheres apaixonarem-se mais e os homens menos. 
Por que, diabos, isso acontece?
 
Para quem recebe o amor cheio e completo é demasiadamente positivo, mas para quem recebe só a metade é um verdadeiro inferno.

Isto porque a pessoa que ama demais quer estar com a pessoa amada a todo o tempo, uma vez que reconheceu e encontrou a sua cara metade, a sua alma gêmea no outro.

Já para o que ama de menos, tanto faz corresponder ou não a tal amor; até porque ele ou ela não encontraram a sua cara metade, ainda. Então, para esses, nada de frio na barriga ou sofrimento antecipados, visto que permanecerão insensíveis e agirão conforme as suas carências pessoais e diárias.

Se estiverem bem, viverão tudo o que puderem viver distante da pessoa que o ama. Mas, se estiverem mal, correrão atrás dela para matarem as suas carências pessoais - típico do cafajeste carente que adora muletas e não sabe lidar com as suas faltas.

O problema é que carência não se mata. Estamos todos condenados a vivermos em sociedade e no relacionamento com os outros. Portanto, sempre carentes de algo ou de alguém.

Do pensamento judaico ao universo grego, os homens foram formatados para viverem em grupo e distantes da solidão, ensinou Zygmunt Bauman em seu livro "Aprendendo a pensar a Sociologia".

A solidão, nesta sociedade de espetáculos tecnológicos, nunca foi ou será bem-vinda. Neste caso, chegamos a mais cruel conclusão - estaremos sempre condenados a vivermos dependentes uns dos outros, de modo que, assim, nunca encontraremos paz de espirito frente às relações amorosas-humanas.

E se encontrarmos alguém para convivermos amorosamente, rezemos para que o outro seja a nossa cara metade porque senão oferecerá somente metades de si mesmo.

A Bíblia é um dos livros mais lidos do mundo. Quase todos vão buscar respostas para os seus sofrimentos lá. Conosco não será diferente. Porém, buscaremos saber qual a fonte de todo o relacionamento humano-amoroso na respectiva obra. E, pasmem, se quiserem, é tudo culpa divina. Pois, Deus, disse: "faça-se a luz", mas não contente: criou os homens!

Erro ou acerto? Positivo ou negativo? Inteligência ou estupidez?

E ai começaram as alegrias e as desilusões amorosas - começou o relacionamento inter-humano. De acordo com os relatos bíblicos, Deus criou todas as coisas que há: "natureza, mares, vegetações...". E no meio da sua criação, modelou e depositou um homem. Tempos depois e ao observar que a sua criação era solitária, criou para ele uma mulher.

O primeiro casal chamou-se Adão e eva. Já criados e estabilizados no jardim, seu lar, Deus ofereceu uma dura tarefa ao casal: ""tudo" poderiam fazer; menos comer do fruto do centro do jardim".

Como o primeiro casal da história tinha pouca experiência com erros ou acertos, cederam a tentação da serpente e comeram do fruto que abriram os seus olhos para uma nova vida - uma vida além do Éden, além de Deus, uma vida demasiadamente humana, como ensinou Friedrich Nietzsche.

E ai reside a fonte de todo relacionamento humano - Deus puniu o primeiro casal com dois principais castigos: "o homem viverá do seu suor e a mulher sofrerá dores de parto".

Estes castigos são evidentes. É o momento de aprimorarmos as visões e enxergarmos os castigos ocultos; inclusive o que nos afeta até hoje!!!

Para as mulheres, o castigo foi as dores de parto. Para os homens, foi viver do suor do seu rosto. Neste caso e para o objetivo do texto, cabe discutir as dores do parto e, depois, a ideia do suor do rosto.

Quando Deus castiga a mulher à reprodução e às dores no momento da reprodução, não é meramente esse castigo que está em jogo. Mas, sim, o castigo de se relacionar eternamente com os homens. Pois, parir pressupõe relação inter-humana no geral. E neste caso, Deus não castiga os homens e as mulheres a terem filhos, exclusivamente. Mas, sim, a se relacionarem antes de tudo. 

Esse é o castigo divino - se relacionarem eternamente de modo a não se separarem nunca. Isto mesmo: fomos condenados a estar, amar, odiar e a depender dos outros eternamente, isto é, até a morte!

Deus do céus, o que fizestes!

No entanto e de acordo com a postura religiosa, saber que se é condenado a se relacionar com o outro, não é o suficiente para explicar o porquê as mulheres amam mais do que os homens e, no meio desse percurso, alguns homens amam mais do que as mulheres.

Ao ler o texto atentamente, se perceberá que, após a queda do casal, ambos tiveram de se virar entre eles, a fim de se manterem vivos. O homem caminhou para o espaço público; já a mulher permaneceu no espaço privado. Sendo assim, o homem tem total contato com a brutalidade primitiva, uma vez que precisou sobreviver do suor do seu rosto caçando, matando... etc; enquanto que a mulher "permaneceu" recheada de "sentimentalismo-progesterona", pois precisava permanecer no espaço privado.
 
Portanto, a "justificativa" de que o homem é insensível frente às mulheres deu-se porque ele teve de ir para o campo e a mulher teve de permanecer reclusa no espaço privado.

Em suma, a mulher tem as suas crias e tem de amar, enquanto o homem precisou caçar, matar e "trabalhar". Homem bruto, mulher sensível. Equação estranha para uma modernidade onde homens querem amar e mulheres badalar!

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

CONHECIMENTO, PRA QUÊ?

       



Tenho a oportunidade de ter vários tipos de relacionamentos, com vários tipos de pessoas e com diferentes níveis de escolaridade.


Tenho colegas para o papo descontraído, para o futebol e para os assuntos mais complexos do dia-a-dia.

O fato é que - do assunto mais complexo ao mais chulo - tenho companhia. E, para mim, a companhia vale mais do que qualquer assunto complexo-existencial de "qualidade".

No entanto, também, tenho relacionamentos estranhos - aqueles que só enxergam, diante dos seus olhos, livros, livros e mais livros...

A leveza de simplesmente existir passa longe desses "profundos intelectuais" - embora eu compreenda que não há nada de leve no existir!

Mas, talvez, esteja aí a grande diferença dos intelectuais mais refinados, para os menos refinados.

Os intelectuais da atualidade, que se julgam mais refinados, isolam-se da sociedade, com os argumentos mais sutis de que ninguém os compreenderão. A partir daí, concluem que relacionamento algum é possível. Portanto, fecham-se em seus mundos e privam os demais de os acessarem. Nossa, como é bom ser refinado, não?! Só que não!

Desde que me entendo por leitor em Filosofia, concluo que intelectuais do calibre de Xenófanes de Colofon, Sócrates, Platão, Aristóteles, Epicuro e companhia, entenderam o conhecimento como algo "transferível". Até porque conteúdos transferíveis auxiliarão os demais a encontrarem os seus diferentes caminhos na sociedade.

Deixando de lado as considerações mais sutis sobre as propostas filosóficas, percebo que a Filosofia - para os grandes gênios - serve para se relacionar, trocar, fazer crescer, amplificar a vontade de potência entre outras coisas.

Agora, para os "intelectuais modernos e bobos" - serve para excluir, desconstruir e segregar!

Afinal, para quê serve o conhecimento?

- Segregar, distanciar excluir ou construir, ajuntar, educar e se reunir?

Fique a vontade para responder!

PRECISA-SE DE INGENUIDADE


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Ninguém dá ponto sem nó. Ninguém se relaciona sem querer algo em troca. Ninguém dá algo sem querer receber. Ninguém é verdadeiro por conta da quantidade das máscaras...

E, diante de tudo isso, cabem as perguntas: "Há espaço para a ingenuidade? Inocência? Simplicidade? Sem malícia?


Somos indiferentes à ingenuidade. E, como resultado dela, as relações tornam-se atormentadoras e descartáveis. O poeta estava correto: "o costume causa insensibilidade".

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

A ARTE POLÍTICA EM MR. ROBOT.

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Tanto o Socialismo, quanto o Comunismo balançaram as estruturas capitalistas de poder. Mas, só isso, dado que usaram apenas as cabeças pensantes e um punhado de grevistas como base.

Entretanto, tais balanços não foram suficientes para provocarem uma queda nas devidas instituições de poder que, por sinal, tendem ao lucro e à continuação da desigualdade social entre os homens.

Para derrubar o Capitalismo, tal como enxergamos na série Mr. Robot, é necessário inverter a arte política de combate, isto é, é necessário jogar como os donos do poder jogam - sujando as mãos! Caso contrário, nenhuma estrutura mudará e nenhuma desigualdade social acabará. Sendo assim, deve-se ceder aos pedidos de Mr. Robot e investir em outros instrumentos de batalha, em outros tipos de greve e noutras posturas frente a mão invisível do capital.

Portanto...
Deve-se investir em armas que possam implodir e não explodir. 
Deve-se recorrer ao mundo das programações, não dos cartazes pobres de rua. 
Deve-se combater com inteligência, não com megafone medíocre. 
Deve-se combater no tete-a-tete, não no roda pé simplista de uma tira de jornal barato.

No entanto e após tais batalhas, surgem as perguntas para nós, os comunistas: "quem depositar no lugar do capitalista? Quais critérios de seleção para tal? Em quais naturezas humanas apostar? Onde iremos encontrar humanos íntegros? E, dependendo de quem encontrarmos, teremos a plena certeza de que não será como na "Revolução dos bichos"?

sexta-feira, 20 de maio de 2016

CINEMA E FILOSOFIA: SANTO AGOSTINHO CONTRA AS PAIXÕES.


                  

Favelas. Traficantes num confronto sanguinolento pelo poder. Tiros de fuzil que cortam as noites como se fossem fogos de artifícios. Balas perdidas e inocentes mortos sem, ao menos, saberem qual a razão de serem assassinados. 

E é esse o atual retrato de grande parte do Brasil da atualidade. O fato é que confrontos como esses, relatados acima, são tidos como comuns, para a maior parte da população brasileira. E, pelo simples fato de serem comuns, eles não nos espantam mais, não nos machucam mais e, por isso, não nos motivam mais a buscar mudanças - para si e para os outros.

O costume é um monstro que não nos amedronta mais. Entende-se por costume ações praticadas e reiteradas por tanto tempo que sequer nos deixam respirar com tranquilidade. Por isso, devemos dizer - e de passagem - que o costume é um veneno que, sem vermos, mata-nos lentamente. 

Por conta desse monstro, alguns indivíduos não "respiram" mais, espantam-se mais e assombram-se mais com a vida social atual, dado que não veem sequer uma pequena fresta, diante dos seus narizes, de mudança. Desse modo, são obrigados a permanecem quietos, paralisados e amordaçados. 

Em contrapartida a esse modo de perceber a realidade atual, existem pessoas que se encorajam e se arriscam em meio às tentativas de demonstrar, para os outros, o que eles não conseguem mais ver. Pois, estão submersos numa piscina larga e profunda onde cada indivíduo luta pela sua própria subsistência. 

Pensando nisso, o cineasta Damian Szifron rompe com o Monstro do Costume cotidiano em seu filme Relatos Selvagens e nos indica um remédio para acordarmos de uma cegueira profunda onde não se mensura nenhum ponto de luz. 

Em seu filme – já mencionado – demonstra-nos alguns casos com fortes semelhanças com o nosso cotidiano brasileiro e que nos incita a refletir sobre as nossas próprias relações com os outros. 

Dentre os causos demonstrados pelo cineasta, está o de Gabriel Pasternak que, frustrado com a sua história de vida atrelada à de diversas outras pessoas, as convida, de modo oculto e calculista, a um passeio de avião. Assim e em meio às tranquilas e gratuitas poltronas do avião, uma das personagens do filme dedicava-se à leitura da sua revista de moda, enquanto outras permaneciam caladas e com os seus fones de ouvido - típico do mundo moderno! 

Nesse meio tempo e entre tantas personagens, o nome Gabriel Pasternak tocou, em alto e bom tom, o teto do avião que estava prestes a decolar. Era certo que o nome de Pasternak comoveria a todos no momento oportuno, uma vez que os mesmos, no Avião, tinham uma relação de proximidade com o musico clássico. 

O que todos não sabiam é que foram convidados, por Pasternak, para um voo só de ida - a professora da escola, o crítico de música, a ex-noiva, o psiquiatra, bem como todos os outros. 

O grande problema é que toda a tripulação do avião teve consciência da proposta de Pasternak tardiamente; isto é, só quando o avião já estava planando sobre as bolsas de ar. Tarde demais – sentiram os tripulantes. Como dito, todos descobriram tarde e isso foi o suficiente para que os planos de Pasternak se efetivassem. E o mesmo concretizou-se com a derrubada do avião na residência dos seus próprios pais – talvez, seja essa a interpretação que se chega! 

Mediante a esses relatos de brutalidade, criminalidade e intolerância por parte das cidades do Brasil, bem como das atitudes de Gabriel Pasternak, as perguntas que devemos fazer são: "em qual esquina do mundo, a discussão do que seja justo ou injusto perdeu-se? Em qual parada de trem ficou a questão do mal? Aliás, essas "infrações", que aliviam as crises existenciais de alguns indivíduos, são justas ou injustas para com outros? Em contrapartida à questão da justiça, a problemática do mal deve ser fundamentalmente levada em consideração! Por isso, interroga-se: "o que é o mal? Em se tratando de responder o que é o mal, também vale a questão: qual a extensão dá má atitude frente ao próximo?”. 

Para responder a questão do mal do ponto de vista conceitual e de como esse conceito estende-se às nossas ações, nos fundamentaremos em Santo Agostinho – pensador da Patrística; sobretudo em sua obra Confissões. Pois, a definição de Agostinho sobre o mal "responderá" tanto a questão do mal no Brasil, bem como as ações de Pasternak no filme Relatos Selvagens

De acordo com Santo Agostinho, Deus criou todas as coisas boas. Portanto, tudo o que há - árvores, céu, terra, cavalos, mulheres e homens. O problema é que se Deus criou tudo o que há – por exemplo, homens, mulheres... – seria ele responsável por criar o mal, dado que o mesmo é inevitável nas ações de suas criaturas? 

Agostinho passa, então, a lidar com um problema delicado, posto que se Deus criou tudo o que há é impossível retirar o mal, propriamente, de Deus. O filósofo, assim, atem-se ao homem e descobre que o problema do mal não está em Deus. Mas, exclusivamente, em sua criação. 

Agostinho, portanto, tem de solapar o Maniqueísmo - doutrina persa que ensinava que existem duas forças eternas em conflito: o bem e o mal – para responder o problema e livrar Deus de toda e qualquer culpa! 

No livro As Confissões, o teólogo escreve que o homem é um ser dotado de Vontade e de Razão. Pois, deste modo, Deus deu vida às suas criaturas. E é aí que reside todo o problema do mal, posto que o ser humano – movido por suas paixões – entrega-se demasiadamente às suas vontades, quando na verdade, deveria, no momento oportuno, as frear. 

Mesmo sendo um ser racional, o ser humano não consegue reprimir o que lhe é inerente – no caso, a sua vontade. Portanto, age e pratica o mal. Não é à toa que Agostinho confessa:
Procurei o que era a maldade e não encontrei uma substância, mas sim uma perversão da vontade desviada da substância suprema – de vós, ó Deus – e tendendo para as coisas baixas: vontade que derrama as suas entranhas e se levanta com intumescência (AGOSTINHO, 1999, p. 190).

De acordo com o fragmento citado, o conceito de mal pode ser estabelecido de modo que o homem não se entrega completamente a Deus. Mas, às suas paixões terrenas – que são, quase que inevitáveis. Portanto, o mal – de acordo com Agostinho – é o afastamento de Deus e o reconhecimento e entrega à vontade.

Assim, Agostinho oferece uma possível resposta para o problema da brutalidade no Brasil, bem como para as ações de Gabriel Pasternak. Conclui-se que, na perspectiva de Santo Agostinho, é e será necessário retornarmos à Deus. Todos. E largarmos as nossas paixões particulares. Talvez, assim, o problema do mal seja solucionado.


BIBLIOGRAFIA.

AGOSTINHO, Santo. Confissões. Trad. Por J. oliveira Santos. São Paulo: Nova Cultura, 1999.





























segunda-feira, 21 de março de 2016

P.S: VOLTA PRA MIM?


                                               Resultado de imagem para volta pra mim
Era madrugada de domingo e na segunda eu ainda tinha de trabalhar. Mas, só de pensar que você ia sorrir diferente pra mim eu esquecia do meu emprego. 
Era o seu aniversário na segunda-feira e, como de costume, não queria deixá-lo passar em branco. Por isso, lá eu estava, pendurado, enfrente à sua janela, pronto para estender uma faixa de "feliz aniversário, meu amor" pra quando você acordasse.
Sei que eu não estava pendurando meramente uma faixa. Estava pendurando um novo sorriso em você. 
Essa não foi a única vez que fiz cafonices pelo seu amor. Não me importo se serei ou não cafona. Sou pra te amar melhor. E não ligo se os meus amigos vão me zoar!
Você sabe que não foi a primeira vez que fiz loucuras de amor por ti. Lembra-se quando me fingi de mendigo só para ver a sua reação ao pegar o buque de rosas enfrente à faculdade?
As suas amigas, quando viram, não paravam de perguntar quem era o admirador. Mas, você, na tentativa de respondê-las educadamente, tomou rapidamente o cartão e, infelizmente, nele só constava: "romântico anônimo".
As meninas não entenderam e começaram a rir. Eu, porém, percebi que o frio em sua barriga te lembrou das minhas mãos tocando as suas curvas. Dizem que é necessário cautela pra dirigir em curvas. Em você não me preocupo. Na verdade, eu prefiro bater mesmo. E se eu morresse já poderiam enterrar-me! Pois, morreria feliz por estar com você.
Enterrar lembra-me beijo, não morte. 
Lembra-se como eu enterrava os meus beijos em você? Eu te beijava na testa, na boca e na bochecha todas às vezes que te encontrava. Aquele gesto era sagrado pra nós e ninguém entendia nada! Tenho consciência de que o romântico presta um papel de ridículo pra amar. Mas, eu não saberia ser diferente ao te amar. Sou ridículo mesmo. Sou por você!
Por te amar tanto, esse é o meu bilhete em forma de presente de aniversário; mesmo consciente de que você rompeu nosso relacionamento por eu te amar demais. Não sabia que eu estava sendo possessivo. Afinal, quem ama sem limites é analfabeto pra essas coisas...

P.S: Volta pra mim? Prometo não ser mais pegajoso. Por você eu faço tudo. Até me anulo. Pois, não quero ter razão. Quero ter você. E se correr atrás de você é perder tempo, quê seja, quero perder!!!